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Saúde mental e intestino: conexão pode provocar alterações no sistema digestório e pede atenção

Ontem, 10 de outubro, comemoramos o Dia Mundial da Saúde Mental e já está demonstrada a importância do eixo intestino-microbiota-cérebro. Afinal, o intestino é nosso segundo cérebro, portanto, a saúde mental e o intestino estão mais interligados do que você pode imaginar.

A conexão entre o cérebro e o sistema digestório é considerada uma via de mão dupla e, por isso, quando há alterações em algum deles, é possível observar reflexos tanto mentais como intestinais. Para explicar esta ligação, a proctologista do Hospital Edmundo Vasconcelos, Maristela Gomes, adianta que todo este processo é complexo e envolve alimentação, qualidade de vida, sistema nervoso, flora intestinal e enzimas.

Para facilitar a compreensão, vale destacar que o intestino apresenta uma grande quantidade de neurônios e responde a estímulos do cérebro. Em casos de estresse, ansiedade e depressão, por exemplo, há uma redução de oxigenação e até mesmo do fluxo sanguíneo para o órgão, o que leva a mudanças significativas em seu funcionamento.

“Nestas situações, o organismo reduz a oxigenação e prioriza o fluxo sanguíneo para algumas partes específicas. Isso interfere na digestão e na absorção de nutrientes, traz mudanças para a flora intestinal e promove o aumento de substâncias deletérias”, explica a médica. Segundo Maristela Gomes, essas alterações podem resultar em sinais como o aumento de gases e de diarreia durante o período em que houver a alteração emocional.

Na contramão, alterações na flora intestinal podem sinalizar tendência a doenças como Alzheimer, depressão e autismo. “Sabemos que existem alguns tipos de flora intestinal que aumentam a chances do desenvolvimento destas doenças. Apesar de ser algo individualizado e que ainda não é completamente esclarecido, é muito importante manter essa região equilibrada”, comenta a proctologista.

Para conquistar esse equilíbrio, é preciso manter uma dieta saudável, rica em fibras, com pouca gordura e evitar a ingestão de alimentos condimentados. Outra indicação é incluir o consumo de prebióticos, praticar regularmente da atividade física e manter o cuidado com a saúde mental. “A flora saudável é essencial para garantir que a troca de informações do intestino com o cérebro ocorra com menos interferências, além de garantir melhores condições metabólicas e imunológicas”, ressalta a especialista.

Como avaliar alterações do sistema digestório?

Foto: News Medical

Apesar da conexão entre saúde mental e intestino, não se deve generalizar problemas intestinais e tratar todos como resultado de ansiedade, depressão ou quadros de estresse. De acordo com a proctologista do Hospital Edmundo Vasconcelos, Maristela Gomes, o surgimento de algum tipo alteração intestinal deve ser um sinal de alerta para procurar um especialista e afastar a possibilidade de doenças graves.

“Nem toda alteração é ocasionada por estresse, ansiedade e depressão e essas doenças não podem retardar a investigação de problemas como intolerâncias, retocolite, doença de Crohn e até mesmo o câncer de intestino”, conclui.

Fonte: Hospital Edmundo Vasconcelos

Confira cinco problemas de saúde desencadeados pelo estresse e como se prevenir

Estado de estresse por longos períodos pode ser prejudicial à saúde; entre as enfermidades que podem ser ocasionadas estão alergias, asma, transtornos intestinais e até infarto

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que cerca de 90% da população mundial sofre com o estresse. No Brasil, a preocupação também é grande: segundo um levantamento da Associação Internacional do Controle do Estresse (Isma), somos o segundo país do mundo com o maior número de pessoas sofrendo deste mal.

“O estresse é uma resposta física do nosso organismo a um estímulo. Quando estressado, o corpo pensa que está sob ataque e aciona o modo ‘lutar ou fugir’, liberando uma mistura complexa de hormônios e substâncias químicas como adrenalina e cortisol para preparar o corpo para a ação física”, explica Lívia Salomé, médica especialista em Medicina do Estilo de Vida pela Universidade de Harvard e vice-presidente da Regional Minas Gerais do Colégio Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida.

Segundo ela, a manutenção de um estado de estresse por longos períodos pode ser prejudicial à saúde, já que as alterações hormonais causam outras modificações no organismo. Entre elas, aumento da tensão muscular, modificação da flora intestinal, diminuição do sistema imune, prejuízo no funcionamento dos vasos sanguíneos e alterações no metabolismo de gorduras e açúcares.

A lista de enfermidades que podem ser ocasionadas pelo estresse é bem extensa e abrange desde alergias nervosas, infecções causadas por baixa imunidade, asma, doenças intestinais e cardiovasculares até transtornos alimentares.

Confira apenas algumas doenças que podem ser desencadeadas pelo estresse, de acordo com a médica:

1 – Transtornos alimentares
Quando o corpo está sobrecarregado ou fora de controle, tenta encontrar maneiras de lidar com esses sentimentos desagradáveis por meio da alimentação, desencadeando problemas como compulsão alimentar ou anorexia.

2 – Asma
O estresse está entre os fatores desencadeantes das crises de asma, doença inflamatória das vias aéreas porque provoca o estreitamento dos brônquios (pequenos canais de ar dos pulmões), o que dificulta a passagem do ar, comprometendo a respiração e tornando-a mais difícil.

Foto: iStock

3 – Alergias e problemas de pele
A pele é um dos órgãos mais afetados pelo estresse. “A alergia nervosa pode ser caracterizada por lesões do tipo eczema, ou seja, placas vermelhas e ásperas, algumas vezes, com pequenas bolhas e tendo a coceira como principal sintoma”, explica a especialista em Medicina do Estilo de Vida.

4 – Doenças cardiovasculares
O estresse pode fazer com que as artérias e as veias se comprimam, resultando em uma diminuição do fluxo de sangue, batimentos cardíacos irregulares e até enrijecimento das artérias. Isto aumenta o risco de formação de coágulos, má circulação, AVC, aumento da pressão arterial e até infarto.

5 – Síndrome do intestino irritável e prisão de ventre
O estresse pode provocar contrações anormais no intestino, deixando-o mais sensível a estímulos e causando flatulência, diarreia e distensão abdominal. Assim, quando o estresse é constante, o intestino pode ficar com estas alterações permanentes, resultando em síndrome do intestino irritável. “Em alguns casos, pode ocorrer o contrário: o estresse provoca alteração da flora intestinal, levando a pessoa a ir com menos frequência ao banheiro, contribuindo para o surgimento ou agravamento da prisão de ventre”, explica Lívia.

Como driblar o estresse

A médica recomenda bons hábitos no dia a dia para evitar que o estresse atrapalhe a saúde. Ela ressalta que é muito importante reconhecer nossas limitações e não se preocupar excessivamente com aquilo que não está em nossas mãos: “Muitas pessoas deixam de compartilhar suas preocupações e acabam acumulando peso sobre suas costas – o que é extremamente prejudicial e pode desencadear um quadro de depressão e ansiedade”.

Além disso, ela ensina que praticar atividade física regularmente faz o cérebro liberar substâncias que auxiliam no relaxamento; sorrir mais induz o cérebro a produzir neurotransmissores ligados ao bem-estar e meditar influencia na química cerebral. “É preciso considerar que ter diversão é uma medida preventiva inigualável quando falamos em saúde cardiovascular”, alerta a especialista.

Por fim, ela indica que se priorize o sono. “É durante o descanso noturno que o corpo fortalece o sistema imunológico, libera a secreção de hormônios e consolida a memória, entre outras funções de extrema importância para o funcionamento correto do organismo”, diz ela.

Fonte: Lívia Salomé é graduada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), tem especialização em Clínica Médica e certificação em Medicina do Estilo de Vida pelo American College of Lifestyle Medicine. Atualmente, é vice-presidente da Regional Minas Gerais do Colégio Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida (CBMEV).

Transplante de fezes pode ser o recomeço de uma vida

Procedimento, que consiste em colonizar novamente o organismo com bactérias saudáveis, traz mais qualidade de vida para autistas, depressivos e pessoas que tiveram a microbiota intestinal destruída pelo uso excessivo de antibióticos

O transplante de fezes é um dos assuntos abordados pelo farmacêutico, bioquímico e pós-doutor em microbiologia, Alessandro Silveira, em seu livro “O lado bom das bactérias – O poder invisível que fortalece sua defesa natural para ter uma vida mais feliz e longeva”, recém-lançado pela Editora Gente. Trata-se de intervenção externa empregada em casos específicos, por exemplo, quando o uso recorrente de antibióticos causou estragos permanentes às bactérias do intestino de um indivíduo. “A premissa do transplante de fezes é retirar todas aquelas bactérias prejudiciais e fazer uma nova colonização com a microbiota boa”, explica Silveira.

É preciso, antes de tudo, conforme diz Silveira, esclarecer a importância das bactérias boas presentes no organismo humano para o bom funcionamento do sistema imunológico. A microbiota intestinal, especificamente, é a responsável por formar uma barreira no órgão, que impedirá a ação de microrganismos nocivos capazes de gerar inflamações e doenças.

A alimentação saudável – restringindo industrializados e ultraprocessados, ricos em açúcar – é um dos fatores chave para alimentar as bactérias boas do organismo, que contribuem para a promoção de saúde. Entretanto, alimentar-se de maneira adequada e mudar o estilo de vida (ter bom sono, praticar exercícios físicos, evitar estresse etc.) exige mudança de hábitos e leva algum tempo para que ocorra a colonização por bactérias adequadas. Nesses casos o transplante de fezes é uma boa opção.

Antes de tudo, para realizar o procedimento, é necessário encontrar um doador. Ele precisa ter um perfil bacteriano específico. Não à toa, o mais comum é escolher familiares pois são pessoas cujo histórico de vida é conhecido ficando mais fácil atestar saúde. Mesmo assim, é preciso provar que tem a microbiota saudável. Se nasceu de cesárea ou parto normal, qual a dieta alimentar, o histórico de doenças, se exames detectaram hepatite, HIV, rotavírus, giardia e outras parasitoses, tudo isso será levado em conta para classificar a pessoa como um doador.

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O procedimento, apesar de simples, só pode ser realizado após indicação clínica e sob supervisão médica direta. Um dos modos de fazer o transplante é por meio de uma colonoscopia: as fezes do doador (preparadas por um microbiologista) são colocadas em um mixer e diluídas no soro e posteriormente borrifadas, por meio de uma seringa, nos intestinos grosso e delgado durante 30 minutos. Silveira informa que o procedimento apresenta resultados instantâneos.

Até por isso já é usado em muitos países como coadjuvante no tratamento de diversas doenças tais como obesidade, doenças crônicas, depressão, TDAH, autismo e obesidade, Na Europa, por exemplo, alguns consórcios já trabalham com banco de fezes. Por sua vez, no Brasil, este procedimento é autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) apenas para tratamento de infecção por Clostridioides difficile, bactéria responsável por doenças gastrointestinais associadas a antibióticos, que variam desde uma diarreia até uma colite pseudomembranosa.

Entusiasta do transplante de fezes, Silveira defende o uso do procedimento no Brasil para tratamento de outras doenças, além das causadas pela Clostridioides difficile, assim como ocorre na Europa, por exemplo. Isso seria simples de ocorrer, desde que houvesse uma forte regulamentação, obedecendo critérios rigorosos para a seleção dos doadores. “Para doar sangue é preciso, inicialmente, responder um longo questionário e, depois de aprovado, passar por exames de sangue. Por que não podemos ter um protocolo semelhante para o transplante de fezes?”, indaga.

Silveira explica que, mesmo não sendo regulamentado pela Anvisa, o transplante de fezes não é proibido no Brasil, desde que seja recomendado e avalizado por um médico. O profissional conhece algumas pessoas que fizeram e obtiveram bons resultados com o procedimento. É o caso de um amigo médico neurologista, que já defendia a utilização do intestino como ferramenta de intervenção para problemas neurológicos, e decidiu avaliar os benefícios do transplante de fezes em si próprio, com o aval de seu gastroenterologista.

O neurologista apresentava sintomas relacionados a uma microbiota doente, tais como insônia, TDAH, síndrome intestino irritável e resistência insulínica – apesar de não ser diabético, sua glicose em jejum era alta. Fez inúmeras tentativas para diminuir a inflamação intestinal, tais como a prática de atividade física e a ingestão de alimentos probióticos e prebióticos, nenhuma intervenção foi bem-sucedida.

Sabia que o seu problema era o microbioma, porque o seu histórico de vida apontava para isso. Seu parto fora realizado por cesárea, na infância havia consumido muitos antibióticos para combater constantes inflamações de ouvido e seus refluxos foram sempre combatidos por altas doses de Omeprazol. Tudo isso fez o neurologista optar pelo transplante de fezes, que resultou, segundo ele, em uma inversão inacreditável de seu microbioma. Além da inflamação diminuir, seu intestino começou a funcionar normalmente, o sono melhorou, a glicose voltou o lugar e sua mente ficou mais focada.

Não obstante os ótimos resultados, Silveira pondera que o transplante de fezes não pode ser visto como uma salvação milagrosa. Conforme o autor do livro “O lado bom das bactérias”, o procedimento funciona como se a pessoa estivesse reiniciando o sistema operacional do computador. “A transferência de bactérias vivas traz um resultado efetivo, mas fugaz. Trata-se de uma estratégia para ser empregada em momentos pontuais, mas não se pode e nem deve depender dela para uma vida mais saudável”, afirma. Nesse sentido, o procedimento é uma nova chance para rever e mudar os hábitos cotidianos. “Somente adotando um estilo de vida mais saudável será possível obter resultados duradouros”, garante.

Sobre Alessandro Silveira

Graduado em Farmácia-Bioquímica pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), doutor em Ciência Médicas pela Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e pós-doutor em Análises Clínicas, pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
Atualmente é professor titular de Microbiologia Clínica para os cursos de Medicina, Farmácia e Biomedicina da Fundação Universidade Regional de Blumenau (FURB), em Santa Catarina.

Desempenha, ainda pela FURB, as funções de consultor técnico de Microbiologia Clínica e Bacteriologia Clínica e coordenador do curso de Especialização em Bacteriologia Clínica. Atua também como coordenador de Microbiologia Clínica da Sociedade Brasileira de Microbiologia (SBM), gestor da Microbiologia do Ghanem Laboratório de Joinville e consultor de Microbiologia Clínica e Molecular na DASA. Suas linhas de pesquisa incluem a análise metagemônica do microbioma intestinal e a detecção da diminuição da susceptibilidade de Staphylococcus aureus à vancomicina.

O lado bom das bactérias
Autor: Alessandro Silveira
Subtítulo: O poder invisível que fortalece sua defesa natural para uma vida mais feliz e longeva
Formato: 16cmx23cm
Editora: Gente
Páginas: 192
Preço de capa: R$ 44,90

Saiba como aliviar os sintomas da Síndrome do Intestino Irritável

Presente em até 20% da população, desordem afeta a qualidade de vida e pode ser tratada com ajustes na alimentação

A Síndrome do Intestino Irritável (SII) está presente na vida de até 20% da população adulta brasileira, mas muitas pessoas ainda vivem com o desconforto sem serem diagnosticadas. Com sintomas que incluem dores, inchaço abdominal e episódios intercalados de constipação e diarreia, o distúrbio não é considerado uma doença, mas traz perda na qualidade de vida.

“A síndrome causa uma desordem funcional no intestino, mas não provoca nenhuma alteração ou lesão que possa ser detectada em exames. É mais comum em mulheres e pode estar diretamente relacionada a momentos de estresse emocional. E embora não haja nenhum exame para comprovar a SII, é preciso procurar o médico para excluir a possibilidade de outras doenças”, explica a nutricionista ortomolecular Claudia Luz, da Via Farma.

Após feito o diagnóstico por eliminação, é possível amenizar os sintomas e melhorar a qualidade de vida por meio de algumas mudanças nos hábitos, principalmente na alimentação. “Já que a síndrome também pode ser agravada por gatilhos emocionais, em alguns casos também são indicadas abordagens terapêuticas para aliviar o estresse e a ansiedade, além de acompanhamento psicológico”, pontua a nutricionista.

Cuidados essenciais

As causas da Síndrome do Intestino Irritável ainda não são completamente esclarecidas, mas acredita-se que sua origem seja multifatorial. “Além da alimentação e da questão emocional, a desordem também pode estar ligada a fatores genéticos e desequilíbrios na flora intestinal” explica Claudia. Por isso, o tratamento adequado deve contar com um acompanhamento multidisciplinar, que inclua o médico e também o nutricionista.

A mudança da alimentação é um dos fatores mais importantes, já que algumas escolhas na hora das refeições podem piorar os sintomas. “Estudos têm mostrado que dietas ricas em alimentos altamente fermentáveis, conhecidos no meio científico como FODMAPs, trazem pioras significativas nos quadros de SII. Por isso, uma das estratégias nutricionais indicadas é justamente reduzir o consumo desses alimentos”, diz Claudia.

O grupo dos FODMAPs é grande, e inclui desde alguns tipos de frutas até leite e derivados, leguminosas e carboidratos. De acordo com a especialista, a dieta para reduzir o consumo desses alimentos pode amenizar as crises intestinais, mas não deve ser feita por muito tempo e precisa do acompanhamento de um nutricionista.

Dentro do plano alimentar, é preciso priorizar as opções naturais, dando atenção especial à hidratação ao longo do dia. E na hora de temperar os preparos, também é importante dar preferência aos condimentos naturais, já que as versões industrializadas podem ser prejudiciais para a saúde do intestino e do organismo como um todo. Para potencializar os resultados de uma alimentação balanceada, a suplementação de probióticos também pode ser indicada pelo nutricionista e desenvolvida de forma personalizada em farmácias de manipulação.

“O uso desse tipo de nutracêutico é muito eficaz no reequilíbrio da flora intestinal e no alívio de dores, distensões, constipação e diarreia. A cepa Saccharomyces cerevisiae (Bowell), por exemplo, conta com estudos que apontam a melhora dos sintomas nos primeiros 15 dias de uso”, finaliza Claudia.

Fonte: Via Farma

Pandemia aumenta casos de gastrite e síndrome do intestino irritável

No HCor, internações pelas doenças gastrointestinais cresceram 15%; cirurgião do aparelho digestivo do hospital relata maior presença de pacientes com esses quadros também nos ambulatórios

Estresse, má alimentação, ingestão de álcool e automedicação. Todas essas circunstâncias ampliadas durante a pandemia podem estar motivando o aumento de casos de gastrite e síndrome do intestino irritável (SII) neste último ano.

Um levantamento epidemiológico do HCor, hospital multiespecialista em São Paulo, apontou um crescimento de 15% nas internações de pacientes com um desses dois diagnósticos. Nos consultórios, segundo o cirurgião do aparelho digestivo da instituição, André Siqueira, o movimento não foi diferente. A análise utiliza dados de 2019 em comparação ao ano de 2020.“Temos visto no ambulatório um maior número de casos de pessoas com problemas gastrointestinais, sobretudo gastrite e síndrome do intestino irritável, que são doenças muito relacionadas ao estresse, de grande fundo emocional”, comenta.

Para o médico, no curto prazo, é possível que esses pacientes tenham apresentado dores de estômago e alterações do ritmo intestinal, por exemplo. Agora, com mais de um ano de pandemia, os quadros chegaram a diagnósticos mais específicos e até mesmo agravados.

Apesar de considerar as questões emocionais o principal fator para essa crescente de casos, Siqueira relembra que os hábitos alimentares da população durante o isolamento sofreram mudanças significativas, sem falar nos relatos de pessoas que passaram a consumir bebidas alcoólicas mais frequentemente – ou até diariamente.

“Vale lembrar também que o medo de procurar ambientes hospitalares e a tentativa de se prevenir da Covid-19 levou muita gente a se automedicar, e que alguns remédios têm como efeitos colaterais comuns impactos no aparelho digestivo”, destaca.

Gastrite e síndrome do intestino irritável: como diagnosticar

A gastrite é uma inflamação, infecção ou erosão no revestimento do estômago, podendo ser aguda (com duração de pouco tempo) ou crônica. O quadro é manifestado por sinais como indigestão, queimação, vômitos ou dores abdominais.

O diagnóstico da doença costuma considerar o histórico clínico do paciente e ser complementado com a realização de endoscopia. O exame é feito sob sedação, através de um tubo flexível que possui um chip responsável por capturar as imagens do sistema digestivo por meio de uma câmera.

Já a síndrome do intestino irritável, ou síndrome do cólon irritável, é um distúrbio na motilidade intestinal (capacidade que o intestino tem de realizar movimentos autônomos). A doença é caracterizada por episódios de desconforto abdominal, dor, diarreia e prisão de ventre, presentes pelo menos durante 12 semanas, consecutivas ou não.

Embora não exista um exame específico para diagnóstico da síndrome, alguns testes podem ser propostos para descartar a existência de doenças similares. São eles: exames de sangue, cultura de fezes e colonoscopias, esse último realizado também sob efeito sedativo, de forma indolor.

“A colonoscopia é um exame que permite observar o revestimento interno do intestino grosso e a parte final do intestino delgado. O procedimento requer dieta prévia e o uso de laxativos mais fortes para a limpeza do conteúdo intestinal, porém, para minimizar o mal estar durante a preparação, o paciente pode optar por fazer o preparo dentro do ambiente hospitalar, com acompanhamento especializado”, explica Paula Poletti, médica endoscopista do HCor.

Hábitos saudáveis e cuidados com a saúde mental

Algumas mudanças no estilo de vida podem melhorar o funcionamento do aparelho digestivo, tais como preferir os alimentos naturais – que possuem alto valor nutricional – e evitar os industrializados, que são extremamente calóricos e contêm aditivos artificiais que prejudicam a saúde.

Além disso, diminuir o consumo de sal, açúcar e gorduras hidrogenadas e aumentar a ingestão de fibras é recomendado em qualquer fase da vida.

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Dentre outros hábitos saudáveis, o cirurgião pontua a importância de comer devagar e mastigar bem os alimentos; não fazer refeições distraído, enquanto conversa, assiste televisão ou faz qualquer outra atividade; e tomar uma quantidade adequada de líquido ao longo do dia, para ter uma boa hidratação.

Fora da mesa, para combater o estresse, a recomendação é reservar alguns momentos do dia para relaxar, além de praticar exercícios regularmente e investir em boas noites de sono.

Fonte: HCor

Como as técnicas de massagem podem aliviar a constipação

É possível realizar massagem para alívio da constipação em casa sem equipamento. Envolve uma leve pressão sobre os músculos e órgãos envolvidos na eliminação dos resíduos. Embora não haja prova conclusiva de que a massagem para constipação funcione, algumas evidências sugerem que ela pode fornecer alívio. As massagens geralmente não são perigosas, podem proporcionar alívio e melhorar o bem-estar, independentemente de ajudarem na constipação, por isso pode valer a pena tentar.

Este artigo explora quais técnicas de massagem podem aliviar a constipação e como realizá-las.

O que é prisão de ventre?

A constipação ocorre quando uma pessoa tem dificuldade para evacuar. Os sintomas podem variar, mas uma definição comum é ter:

menos de 3 movimentos intestinais em uma semana
fezes duras ou encaroçadas
dor ao evacuar
sensação de que nem todas as fezes passaram

Massagem pode proporcionar alívio?

Massagens abdominais podem ajudar a aliviar a constipação. Pequenos estudos apoiam o uso da massagem terapêutica para ajudar com essa condição. Abaixo estão vários tipos e os efeitos no alívio da constipação.

Massagem abdominal

Existem algumas evidências de que massagens abdominais podem ajudar a aliviar sintomas da constipação. Em uma revisão mais antiga, pesquisadores descobriram que estudos mostraram resultados geralmente favoráveis ao realizar massagens abdominais para constipação.

No entanto, os autores mencionam que a pesquisa tinha falhas metodológicas, incluindo as massagens que os participantes usaram, quem recebeu a massagem e os tamanhos dos testes. Embora a maioria dos estudos seja pequena, a evidência geralmente é positiva.

Como fazer massagem abdominal

Para realizar uma massagem abdominal:

Deite-se de costas com os joelhos dobrados e os pés plantados no chão.
Comece a massagem no lado direito próximo ao osso pélvico e aplique pressão em movimentos circulares, trabalhando as mãos até a caixa torácica.
Mova as mãos para o lado esquerdo, continue trabalhando-as até o osso do quadril, depois volte para cima em direção ao umbigo.
Repita conforme necessário.

Massagem do cólon para constipação

Embora as pessoas possam traçar paralelos com a massagem do cólon e a abdominal, a principal diferença parece ser a quantidade de pressão aplicada. Os médicos afirmam que a massagem do cólon é uma técnica abdominal profunda para estimular os órgãos a liberar gás e pressão.

Não está claro se os pesquisadores usaram massagens abdominais profundas ou massagens abdominais em seus estudos. Também é incerto se eles examinaram especificamente uma massagem do cólon ou a diferença entre aplicar pressão profunda e massagem regular.

A massagem do cólon é semelhante a uma massagem abdominal. Para executar a técnica:

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Deite-se de costas com os joelhos dobrados e os pés no chão
Use os nós ou as pontas dos dedos para aplicar pressão no lado esquerdo, indo da caixa torácica até o osso pélvico.
Em seguida, comece no lado direito e trabalhe as pontas dos dedos para a esquerda sob a caixa torácica e, em seguida, mova as mãos para baixo até o osso pélvico.
Finalmente, no lado direito do estômago, massageie do umbigo até a caixa torácica, depois da esquerda para o outro lado e finalmente desça novamente até o osso pélvico.
Repita essas etapas de 10 a 15 vezes.

Outros tipos de massagem para constipação

Massagear outras áreas do corpo também pode ajudar na constipação. A seguir estão algumas dessas técnicas, juntamente com qualquer evidência de apoio.

Massagem nas costas

Foto: Yoel/MorgueFile

Embora as pesquisas sejam limitadas, o Institute for Integrative Healthcare sugere que a natureza interconectada dos músculos das costas e do cólon pode fazer com que as massagens nas costas ajudem com a constipação. Não existem estudos que examinem especificamente esse efeito, mas é improvável que este tipo de massagem cause danos, além disso, pode ajudar no relaxamento. Este é o tipo de massagem que você vai precisar de uma ajuda.

Massagem nos pés

Em um estudo de 2003 sobre reflexologia, os pesquisadores descobriram que as crianças que receberam uma massagem nos pés viram melhorias em sua constipação. Semelhante a outra pesquisa, este estudo foi pequeno, com apenas 50 participantes, o que significa que os resultados podem não ser os mesmos para todas as faixas etárias ou tipos de pessoas. Em um estudo mais recente, pesquisadores examinaram 60 adultos mais velhos para estudar os efeitos da reflexologia na constipação. Semelhante ao estudo em crianças, os cientistas encontraram resultados positivos usando essa técnica.

Para realizar reflexologia:

Sente-se em uma posição confortável com um pé cruzado sobre o joelho oposto para que eles possam tocar facilmente a planta do pé. Começando pelo meio do calcanhar, massageie com o polegar e trabalhe em direção à borda externa. Seguindo a borda do pé, continue aplicando pressão, movendo o polegar em direção ao meio do pé. Troque os pés e trabalhe do centro do pé na borda interna para a externa. Mova o polegar em direção ao calcanhar e finalize massageando a parte interna do meio do pé.

Massagem perineal

A massagem perineal usa um ponto de pressão entre a vagina ou escroto e o ânus para ajudar a aliviar a constipação. De acordo com um estudo de 2014 com 100 adultos, uma massagem perineal autoadministrada ajudou os participantes com a passagem das fezes e melhorou a qualidade de vida.

Para realizar uma massagem perineal:

use os dois primeiros dedos para aplicar pressão entre o ânus e o escroto ou vagina
aplique pressão em direção ao ânus
segure a pressão, libere e repita várias vezes

Dicas adicionais para aliviar a constipação

Existem vários métodos para aliviar a constipação ao lado ou em vez da massagem terapêutica. Esses remédios incluem:

mantendo-se hidratado
exercitando-se mais
mantendo uma programação regular de idas ao banheiro
comendo mais fibra
tentando laxantes osmóticos que puxam água para o intestino

Quando procurar um médico

Uma pessoa pode não precisar consultar seu médico se a constipação for resolvida dentro de algumas semanas após tentar métodos como remédios caseiros ou mudanças na dieta alimentar. As pessoas devem falar com um médico se os sintomas afetarem suas vidas diárias ou se houverem preocupações sobre sua condição.

Fonte: MedicalNewsToday

Estresse, depressão e ansiedade são gatilhos das crises da SII, afirma médica

Marcella Garcez é médica nutróloga, mestre em Ciências da Saúde pela Escola de Medicina da PUCPR e diretora da Abran (Associação Brasileira de Nutrologia). Nesta entrevista, ela fala um pouco sobre a síndrome do intestino irritável e dá algumas dicas de alimentação e como ter uma vida mais saudável, mesmo tendo o distúrbio.

Ela começa explicando que síndrome do cólon irritável (outro nome dado à SII) é um distúrbio na motilidade intestinal, sem associação com alterações de estruturais do trato digestório, nem disfunções bioquímicas. Geralmente, se caracteriza por episódios de desconforto, dor e distensão abdominal, podendo estar acompanhados de diarreia e constipação.

Para Marcela, identificar a SII pode ser um pouco mais trabalhoso: “O diagnóstico não é fácil, pois ela pode ser confundida com algumas doenças mais graves, mas também não é tão difícil. O diagnóstico é essencialmente clínico, geralmente baseado nos sintomas, na ausência de sinais relevantes verificados no exame físico e, eventualmente, na visualização direta do intestino por meio de colonoscopia, para descartar diagnósticos diferenciais”.

Para ela, os casos têm se tornado mais comum em consultórios porque o estresse é um fator desencadeante importante e, claro, esse sintoma tem aumentado muito atualmente. “Doenças psiquiátricas como depressão e ansiedade também são gatilhos das crises”, admite a médica. “Assim como hábitos alimentares, como o consumo exagerado de alimentos ultraprocessados e pró-inflamatórios aliados a um estilo de vida inadequado, com má qualidade de sono e sedentarismo”, completa.

Sabemos que muitas pessoas com a síndrome acreditam que ela seja causada apenas pela alimentação, mas há estudos que comprovam que o cérebro e as emoções são as origens. Marcella explica que no aparelho digestivo são sintetizadas a maior parte das substâncias chamadas neurotransmissores, como a serotonina, que atuam levando sinais e estímulos ao sistema nervoso e este manda sinais ao organismo para sintetizar mais ou menos deles.

“Essa comunicação entre o cérebro e o intestino deve ocorrer de forma adequada e depende de vários fatores, como dieta, equilíbrio da microbiota intestinal, prática moderada de atividade física, uma boa qualidade de sono e um controle adequado do estresse”, aconselha a médica.

E, como em outros problemas de saúde, as mulheres são as mais atingidas pela SII. Marcella admite que nesse caso, o problema pode estar ligado a outros, como a endometriose ou a piora dos sintomas durante o período menstrual: “A endometriose, por exemplo, é uma doença inflamatória que, por si só, pode ter sintomas parecidos com os do cólon irritável. Porém, se as duas disfunções estiverem presentes, os sintomas das duas situações serão exacerbados”, alerta.

Dieta FODMAP

Marcella explica o que é esta dieta: FODMAP é uma sigla para designar carboidratos osmóticos, geralmente fibras, que podem ser de difícil digestão para algumas pessoas: fermentable oligosaccharides, disaccharides, monosaccharides and polyols. São alimentos carboidratos fermentáveis não digeridos pelo trato digestivo humano, entre os principais estão os oligossacarídeos, fruto-oligossacarídeos (FOS) e galacto-oligossacarídeos (GOS), dissacarídeos como a lactose e monossacarídeos como a frutose. No grupo dos polióis estão principalmente o sorbitol e o manitol.

“A dieta de baixo FODMAP é prescrita temporariamente, até que os alimentos gatilhos sejam identificados, pois, como o aporte de prebióticos da dieta é baixo, se for mantida por muito tempo pode levar a quadros de constipação e disbiose (desequilíbrio da flora bacteriana intestinal que reduz a capacidade de absorção dos nutrientes e causa carência de vitaminas). Por ser uma dieta que oferece riscos, deve obrigatoriamente ter orientação profissional”, frisa a médica.

Entre os alimentos ricos em FODMAPs, ela lista o xarope de milho, mel, maçã, pera, manga, aspargos, cereja, melancia, sucos de frutas, leite de vaca, de cabra e de ovelha, iogurte, nata, creme, queijo ricota e cottage, cebola, alho, alho-poró, trigo, cuscuz, farinha, massa, centeio, caqui, chicória, alcachofra, beterraba, cenoura, quiabo, chicória, couve, lentilhas, grão-de-bico, feijão, ervilha, soja, damasco, pêssego, ameixa, lichia, couve-flor, cogumelos.

Para quem sofre com a SII, ela aconselha tratamento clínico com reeducação alimentar e mudanças de estilo de vida e o uso de medicamentos sintomáticos. Os tratamentos com probióticos suplementares específicos e individualizados também podem ajudar. “Porém, se os sintomas forem muito prevalentes, a pessoa deve procurar atendimento médico, para descartar outras patologias, identificar os gatilhos, reorganizar a dieta e o estilo de vida”, diz Marcella.

Ela enfatiza que a dieta é o ponto central tanto para desencadear os sintomas, se estiver desequilibrada, quanto para o tratamento por meio das mudanças de hábito alimentares.

Porém, não há nada mágico que possa ajudar: “Não há uma receita para o público em geral, porque os alimentos que são causadores de desconforto digestivo para alguns portadores de SII, não são para outros. Porém, uma dieta equilibrada, variada e o mais natural possível, aliada à boa ingestão de água e estilo de vida saudável são boas dicas para todos”, finaliza Marcella.

Marcella Garcez é médica nutróloga, mestre em Ciências da Saúde pela Escola de Medicina da PUCPR, diretora da Abran e docente do Curso Nacional de Nutrologia da entidade. Membro da Câmara Técnica de Nutrologia do Conselho Regional de Medicina do Paraná, Coordenadora da Liga Acadêmica de Nutrologia do Paraná e Pesquisadora em Suplementos Alimentares no Serviço de Nutrologia do Hospital do Servidor Público de São Paulo.

Especialista desvenda alguns mitos e verdades sobre Síndrome do Intestino Irritável

Especialista do Hospital 9 de Julho diz que tensão provocada pela pandemia pode desencadear quadro em pessoas que sofrem com o problema

A Síndrome do Intestino Irritável (SII) é um distúrbio do funcionamento intestinal que não está ligado necessariamente a uma lesão, alteração estrutural ou inflamação, mas que causa muito desconforto e dor e interfere diretamente na qualidade de vida. O paciente que sofre com esse problema convive com desarranjos intestinais frequentes, prisão de ventre e diarreia, cólicas e sensação frequente de estufamento abdominal.

Daniel Machado Baptista, médico gastroclínico do Centro de Doença Inflamatória Intestinal do Hospital 9 de Julho, explica que a Síndrome do Intestino Irritável pode ser caracterizada por mudanças na frequência da evacuação por longo período associada à dor abdominal presente pelo menos uma vez por semana, por mais de três meses.

Por não ser acompanhada de mudanças estruturais significativas no intestino, a síndrome pode ser difícil de identificar. O diagnóstico é feito pelo histórico do paciente e por diferencial – ou seja, avaliando os sintomas e realizando exames para descartar outros problemas como infecções, inflamações ou intolerância a determinados alimentos.

A SII ainda é cercada por muito desconhecimento. Para esclarecer as principais dúvidas, listamos abaixo mitos e verdades relacionados à doença.

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A Síndrome do Intestino Irritável não tem cura
Verdade. Esta é uma doença crônica que não tem cura, mas ela se manifesta em ciclos e a pessoa pode passar longos períodos da vida sem sentir incômodo. E, quando os sintomas surgem, é possível proporcionar alívio. O tratamento indicado pelos especialistas varia a cada caso, mas pode ser feito com medicamentos que diminuem a sensibilidade intestinal e reequilibrando a microbiota, afirma o médico. Mudanças na alimentação, atividade física e gerenciamento de estresse e ansiedade também colaboram para a melhora.

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A Síndrome do Intestino Irritável é uma doença psicológica
Mito. Daniel conta que ela pode ser provocada por um distúrbio na interação entre o cérebro e o intestino, uma sensibilidade exacerbada aos estímulos intestinais ou uma alteração na microbiota (grupo de micro-organismos) da região. Fatores emocionais como estresse, depressão e ansiedade têm influência no quadro, mas não são os responsáveis.

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A síndrome pode ser agravada pelo estresse
Verdade. O especialista explica que o estresse não é causador, mas a manifestação desse distúrbio está diretamente ligada à saúde mental e os sintomas podem ser desencadeados por essa e outras questões emocionais, como ansiedade ou depressão. “Nesse período de pandemia e isolamento, de grande impacto na saúde mental, houve um aumento das queixas de sintomas relacionados à síndrome”, diz o gastroenterologista.

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O controle da SII depende apenas de uma boa alimentação
Mito. “A doença é causada por alterações no organismo e não pode ser atribuída apenas a hábitos alimentares”. Uma rotina saudável de alimentação e a prática de exercícios contribui para diminuir os sintomas e melhorar a qualidade de vida, mas não bastam para controlar a doença.

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A SII causa emagrecimento
Mito. Apesar do desconforto e de episódios de diarreia, a síndrome não está diretamente ligada à perda de peso. O médico alerta que, se o paciente apresentar emagrecimento repentino, deve informar ao especialista para investigar as possíveis causas.

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A Síndrome pode evoluir para problemas mais sérios, como câncer
Mito. “Apesar de causar desconforto, a doença não traz prejuízos para a saúde em longo prazo”, finaliza.

Fonte: Hospital 9 de Julho

Saciedade precoce: por que me sinto cheio tão rapidamente?

Quando uma pessoa come, os receptores nervosos dentro do estômago percebem quando ele está cheio. Esses receptores, então, enviam sinais ao cérebro, que os interpreta como uma sensação de plenitude. Esse processo ajuda a evitar excessos.

No entanto, algumas pessoas podem se sentir cheias depois de consumir uma quantidade muito pequena de alimentos. Isso é conhecido como saciedade precoce. Com o tempo, a saciedade precoce pode levar a deficiências nutricionais e complicações de saúde associadas.

O que é saciedade precoce?

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Para manter níveis adequados de nutrientes, uma pessoa deve consumir uma quantidade adequada de calorias por dia. Esse valor varia de acordo com:

idade
sexo
altura e peso
nível de atividade
genes

A saciedade precoce ocorre quando uma pessoa não pode comer uma refeição de tamanho adequado ou se sente cheia após apenas algumas mordidas. Em curto prazo, isso pode levar a náuseas e vômitos. Em longo prazo, uma pessoa pode experimentar deficiências nutricionais e complicações de saúde associadas.

Sintomas

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Os sintomas mais comuns da saciedade precoce incluem:

=incapacidade de consumir uma refeição completa e de tamanho adequado
sentindo-se cheio depois de comer uma quantidade muito pequena de comida
náusea ou vômito enquanto come;

=se a saciedade precoce é devida a uma condição médica subjacente, uma pessoa pode experimentar sintomas adicionais. Estes variam de acordo com a condição;

Em geral, uma pessoa deve conversar com um médico se a saciedade precoce for acompanhada de algum dos seguintes sintomas:

-dificuldade em engolir
-tosse seca
-dor de garganta
-gases
-inchaço
-arrotos
-indigestão
-dor no peito
-dificuldade para respirar
-náusea
-vômito
-dor de estômago
-ganho ou perda de peso
-fezes pretas e demoradas
-tornozelos inchados
-má cicatrização de feridas

Causas

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Existem muitas causas potenciais de saciedade precoce. Algumas são relativamente inofensivos, enquanto outras são muito mais graves. Segundo a Universidade Médica da Carolina do Sul, em Charleston, uma das causas mais comuns de saciedade precoce é a gastroparesia. Essa condição faz com que o conteúdo do estômago esvazie lentamente no intestino delgado.

Pessoas com gastroparesia podem apresentar os seguintes sintomas, além da saciedade precoce:

=inchaço
=náusea
=azia
=dor no estômago ou abdômen
=perda de apetite

Segundo os Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos, uma das principais causas da gastroparesia é o diabetes. Isso ocorre porque o diabetes pode causar danos aos nervos que afetam o estômago e como ele funciona.

Algumas outras causas potenciais de saciedade precoce incluem:

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Pixabay

=úlceras estomacais
=doença do refluxo gastroesofágico, em que o ácido do estômago sobe para o esôfago ou tubo alimentar
=obstrução da saída gástrica, em que os alimentos não podem entrar facilmente no intestino delgado
=síndrome do intestino irritável
=prisão de ventre
=fígado aumentado
=líquido no abdômen ou ascite
=câncer

Diagnóstico

Ao diagnosticar a saciedade precoce, os profissionais de saúde devem garantir que os sintomas não se devam a outro problema gastrointestinal. Para fazer um diagnóstico preciso, o médico registra o histórico médico da pessoa e realiza um exame físico. Ele também pode solicitar os seguintes testes para confirmar o diagnóstico ou descartar outras causas:

EXAME DE SANGUE MNT
MedicalNewsToday

-Hemograma completo: é um exame de sangue que ajuda a identificar o sangramento interno.
-Teste de fezes: esta é uma análise de fezes que ajuda a identificar o sangramento intestinal.
-Ultrassom abdominal: é uma técnica de imagem que usa ondas sonoras para procurar anormalidades no estômago.
-Série gastrointestinal superior: esta é uma técnica de imagem que usa raios-X para examinar o trato gastrointestinal.
-Endoscopia superior: técnica de imagem que utiliza uma pequena câmera para observar o interior do aparelho digestivo superior.
-Teste de esvaziamento gástrico: procedimento que utiliza os níveis de dióxido de carbono na respiração para avaliar a rapidez com que o estômago esvazia os alimentos.
-Cintilografia de esvaziamento gástrico: procedimento envolve comer uma refeição contendo uma pequena quantidade de uma substância radioativa. Uma varredura mostra a rapidez com que a comida se esvazia do intestino.
-SmartPill: uma cápsula ingerível que mede os níveis de pH, pressão e temperatura em todo o sistema gastrointestinal.

Tratamentos

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Neuroestimulador Implantável Medtronic

As opções de tratamento para saciedade precoce dependem de sua causa subjacente. No entanto, alguns tratamentos gerais que um médico pode recomendar incluem:

=comer várias pequenas refeições ao longo do dia
=consumir alimentos em forma de purê ou líquido
=consumir menos fibra e gordura
=tomar medicamentos para ajudar a aliviar o desconforto estomacal
=usar estimulantes do apetite

Algumas causas de saciedade precoce podem exigir cirurgia. Dependendo do tipo e gravidade da condição subjacente, um médico pode recomendar um dos seguintes procedimentos:

=Estimulação elétrica gástrica: procedimento que envia pequenos pulsos de eletricidade ao estômago para ajudar a prevenir náuseas ou vômitos.
=Tubos de alimentação: são tubos que passam pelo nariz de uma pessoa e penetram no estômago. Eles permitem que a nutrição líquida contorne o esôfago.
=Nutrição parenteral total: este é um método de alimentação que usa um cateter para fornecer nutrição líquida diretamente a uma veia no peito.
=Jejunostomia:  método de alimentação que utiliza um tubo de alimentação para fornecer nutrientes diretamente para uma pequena parte do intestino.

Sumário

A saciedade precoce pode ser o resultado de uma condição benigna ou grave. Uma pessoa deve consultar seu médico se não puder comer uma refeição completa com frequência ou se se sentir cheia após apenas algumas mordidas.

Casos prolongados de saciedade precoce podem causar problemas como desnutrição e fome. Eles também podem levar a outras complicações de saúde associadas à má nutrição. Um profissional de saúde trabalhará para diagnosticar a causa da saciedade precoce. Tratar a causa subjacente pode ajudar a aliviar a saciedade precoce e evitar episódios futuros.

Fonte: Medical News Today

Retirar o glúten da alimentação pode fazer mal?

O consumo de glúten vem sendo amplamente discutido na alimentação diária. Ingeri-lo ou não? No Brasil a doença celíaca atinge mais de 2 milhões de pessoas, de acordo com a Federação Nacional das Associações de Celíacos do Brasil e para esta porcentagem da população a restrição à proteína é inevitável, é uma questão de saúde.

Além das pessoas que possuem Doença Celíaca, a retirada do glúten também é indicada para quem possui sensibilidade ao glúten não celíaca e para quem faz tratamento para Síndrome do Intestino Irritável. Nestes casos, a retirada da proteína é necessária e deve ser realizada sob orientação de um nutricionista. Mas e quem apenas opta por retirar o glúten sem possuir sensibilidade à substância?

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A nutricionista Luiza Carvalho, da Schär, explica que não existem efeitos colaterais ou malefícios em adotar uma dieta sem glúten. “O glúten é uma proteína de baixo valor nutricional, portanto, ao excluí-la, a pessoa não apresentará déficit na alimentação, mas é sempre importante que, qualquer mudança ou restrição alimentar, seja acompanhada por um nutricionista, já que cada pessoa tem necessidades específicas”.

A especialista ainda reforça que é sempre bom buscar por alimentos sem glúten que possuam ingredientes nutricionalmente interessantes, com adição de fibras, por exemplo, e sem aditivos artificiais, como conservantes, aromatizantes e corantes.

Luiza explica que o glúten é a única proteína que o corpo humano não é capaz de digerir completamente. Por esse mesmo motivo, pessoas que buscam um estilo de vida mais equilibrado ou que têm dificuldade na digestão, optam pela alimentação isenta de glúten, evitando o processo de má digestão e reduzindo o nível de inflamação do organismo. Estudos apontam que atletas de alta performance também se beneficiam da retirada do glúten da alimentação, melhorando seu rendimento.

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A nutricionista ainda lembra que retirar glúten não tem nenhuma relação com perda de peso. “A perda de peso não depende exclusivamente do glúten, mas, sim, das escolhas alimentares realizadas. Quando uma pessoa opta por uma dieta sem glúten, muitas vezes ela tem uma perda de peso devido à exclusão de alimentos calóricos e ricos em carboidratos, como pães, massas e farinhas refinadas”, finaliza Luiza.

Fonte: Schär