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Alerta para férias: bebidas energéticas são ciladas e saúde pode ser prejudicada

Especialistas explicam como funciona a “bomba” de energia que ganha espaço nas baladas

Com as férias, as baladas “bombam” em todo o Brasil. Para aguentar a noite inteira, as bebidas energéticas ganharam espaço, prometendo conceder grandes quantidades de empolgação e energia para quem as consome. No entanto, de acordo com especialistas da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp), o produto é uma grande cilada para o organismo.

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O presidente da entidade, José Francisco Kerr Saraiva, explica que uma latinha já acelera os batimentos cardíacos, independentemente de fatores de risco como obesidade, diabetes, sedentarismo e estresse. “O energético estimula receptores responsáveis pela vasodilatação coronária e periférica, podendo gerar problemas cardiovasculares até em jovens”, afirma.

Cardiologista especialista em Medicina Esportiva, Nabil Ghorayeb destaca que os energéticos são, na verdade, um concentrado de cafeína e taurina em bebida adocicada. “Na teoria, eles oferecem mais energia, mas a única consequência após a ingestão é a redução da sonolência”, diz o especialista.

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Ambos concordam que o principal risco é quando se mistura o produto com bebidas alcoólicas, como vodca e gim. “Isso gera uma confusão no cérebro da pessoa, já que os destilados agem como soníferos, enquanto o energético é estimulante. O efeito principal é a taquicardia, extremamente desagradável, que pode gerar falta de ar e tontura, além de desmaios”, explica Ghorayeb.

Segundo Saraiva, os energéticos, quando consumidos em excesso, também podem causar aumento de pressão arterial e arritmias, levando a casos mais sérios, como Infarto Agudo do Miocárdio e Acidente Vascular Cerebral. A bebida promete reduzir fadiga e melhorar o estado de vigília, possibilitando horas de atividades e, por isso, é comumente utilizada em baladas.

coração médico

Além dos problemas cardiovasculares já expostos, os energéticos podem gerar nervosismo, desidratação, insônia e tremores. No rótulo, deve constar a informação que a mistura com bebidas alcoólicas não é recomendada, já que também pode mascarar a embriaguez.

Fonte: Socesp

Como ter “boas festas” sem prejudicar o coração

Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp) salienta importância de se evitarem excessos alimentares e na ingestão de bebidas alcoólicas nas festas de final de ano

Nas festas de fim de ano, que incluem almoços e jantares de confraternização com a família, empresas e amigos, assim como as ceias de Natal e Ano Novo, recomenda-se bom senso e moderação no consumo de alimentos e bebidas alcoólicas. Pessoas com antecedentes de doenças cardiovasculares e/ou com fatores de risco, como obesidade, colesterol/triglicérides, diabetes, tabagismo, estresse e hipertensão, devem adotar cuidados redobrados, pois esses problemas podem agravar-se com a quebra da rotina alimentar e de hábitos.

Passado o Natal, a proximidade com a festa da virada do ano amplia ainda mais a necessidade de alerta. Isso porque o uso excessivo de bebida alcoólica pode causar arritmia cardíaca, principalmente em mulheres, que têm níveis menores de enzimas responsáveis pelo metabolismo da substância.

Confira a seguir os principais riscos neste período de diversão, descanso e, muitas vezes, excessos:

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• O uso demasiado de bebida alcoólica pode causar arritmia cardíaca, principalmente em mulheres — este público apresenta menos água no organismo, o que faz com que o álcool fique mais concentrado. As mulheres geralmente pesam menos e possuem níveis menores de enzimas responsáveis pelo metabolismo do álcool, como a aldeído desidrogenase (ADH) e a álcool desidrogenase (ALDH).

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• Exageros versus lesão no coração – exageros na alimentação e de esforço físico podem representar riscos imediatos de alguma lesão no coração. Para fazer exercícios físicos intensos, é preciso ter um precondicionamento físico, de modo que aquele futebol com os amigos no dia 31, excesso de esportes aquáticos ou em montanhas devem ser evitados por quem não está habituado à prática de exercícios. Podem ocorrer infartos e arritmias.

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• Em longo prazo, o álcool consumido em excesso pode levar a uma dilatação do coração ou uma miocardiopatia, doença no músculo cardíaco que dificulta o fornecimento de sangue do coração para o corpo e pode causar insuficiência cardíaca.

Como amenizar situações de lesão cardiovascular para aqueles que têm fatores de risco:

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• Ter feito avaliação prévia ou validada há menos de um ano.

• Manter a alimentação e a ingestão de álcool como nos períodos normais.

• Evitar lugares muito quentes ou muito frios.

• Não deixar de tomar nenhum dia as medicações habituais, mesmo em caso de uso de álcool.

Fonte: Socesp – Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo 

Nutricionista explica quais são os mitos e as verdades sobre o colesterol

Apenas os obesos podem apresentar altas taxas de LDL? Usar óleo de coco diminui o colesterol e auxilia no emagrecimento?Somente alimentos fritos aumentam o colesterol? Confira as respostas

A hipercolesterolemia, como é denominado cientificamente o excesso de colesterol no sangue, é uma doença silenciosa que pode causar diversos males ao sistema cardiovascular das pessoas, resultando, inclusive, em infarto ou acidente vascular cerebral (AVC).

A diretora executiva do Departamento de Nutrição da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp), Profª Drª Nágila Raquel Teixeira Damasceno, alerta: “Manter uma alimentação saudável e praticar atividades físicas são as principais ações para diminuir o risco de doenças cardiovasculares causadas pelo colesterol”.

Mas, ainda há muitas dúvidas sobre o assunto. Por isso, confira 11 mitos e verdades sobre o tema:

1 – Somente pessoas obesas têm colesterol alto

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Mito. Nem todas as pessoas com excesso de peso têm colesterol elevado, assim como alguns indivíduos magros podem apresentar conteúdo sanguíneo elevado. Embora a obesidade aumente a chance do aparecimento do colesterol elevado, isso não é um fator determinante.

2 – Usar óleo de coco diminui o colesterol e auxilia no emagrecimento

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Mito. Não há evidências científicas que justifiquem o consumo de óleo de coco para esse fim.

3 – Comer alimentos ricos em fibras ajuda a combater o colesterol

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Verdade. As fibras solúveis e insolúveis são benéficas no controle do colesterol. As insolúveis auxiliam na redução do colesterol ao nível do intestino, enquanto as solúveis contribuem para gerar substâncias que reduzem a síntese corporal de colesterol.

4 – Existem dois tipos colesterol: o bom e o ruim

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Parcialmente verdade. Esta é, provavelmente, uma maneira não tão correta de explicar ao paciente os males que o excesso de colesterol pode causar ao corpo. Colesterol é um tipo de gordura e possui estrutura química única. O uso dos termos ruim e bom refere-se ao tipo de proteína que está transportando o colesterol, ou seja, se estamos falando do colesterol transportado pela LDL, usamos o termo ruim, pois essa favorece o acúmulo de colesterol no corpo e nas artérias. De modo contrário, se esse mesmo colesterol está sendo transportado pela HDL, chamamos de bom, pois essa lipoproteína trabalha removendo o excesso de colesterol do corpo, favorecendo sua excreção nas fezes.

5 – Colesterol alto é fator de risco para outras doenças

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Verdade. O excesso de colesterol, chamado hipercolesterolemia, já é uma doença em si. Entretanto, seu constante nível elevado favorece o desenvolvimento da aterosclerose, que se caracteriza pela deposição e acúmulo de gorduras nas artérias e no aumento no risco de ocorrer eventos isquêmicos centrais e periféricos, como acidente vascular encefálico, infarto agudo do miocárdio, doenças vasculares obstrutivas periféricas.

6 – Somente alimentos fritos aumentam o colesterol

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Mito. Atualmente, sabemos que poucos alimentos aumentam o colesterol e aqui destacamos o papel negativo das gorduras trans e gorduras saturadas, muito mais do que o próprio colesterol presente em alguns alimentos. No Brasil, as frituras caseiras geralmente usam óleo de soja – o mais acessível à população, que é rico em gorduras poli-insaturadas e cujo efeito na hipercolesterolemia não é negativo. Ao nível industrial e nos fast foods, a gordura normalmente utilizada é a gordura vegetal hidrogenada – rica em gorduras trans, que devem ser evitadas em qualquer preparação culinária. Portanto, o tipo de preparo e origem da fritura vão determinar se essa vai ou não contribuir para elevar o colesterol, ou seja, nem toda fritura contribuirá para o aumento do colesterol.

7 – É possível controlar o colesterol apenas com alimentação, sem o uso de medicamentos

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Sim. Embora haja alguns casos em que a medicação é indispensável, a maioria das dislipidemias é causada por um estilo de vida inadequado e, especificamente, sobre a dieta podemos afirmar que uma alimentação rica em alimentos naturais como frutas, legumes e vegetais, com preparações mais caseiras e opções com menos gorduras previnem a elevação do colesterol e são aliados indispensáveis ao tratamento do colesterol elevado. O uso diário de gorduras saudáveis, como as encontradas no azeite de oliva, óleos vegetais pouco processados e com baixo teor de gorduras saturadas, associado ao consumo de peixes ricos em Ômega-3 e baixo de carnes e aves gordurosas, faz parte de escolhas inteligentes visando à saúde cardiovascular atual e futura.

8 – Colesterol alto é um fator genético

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Parcialmente verdade. Embora as hipercolesterolemias genéticas sejam uma realidade, elas atingem a minoria dos casos. Somente a avaliação clínica, o histórico familiar e testes genéticos podem definir esse diagnóstico. Para esses casos, o uso de fármacos é essencial, embora a dieta permaneça fazendo parte do manejo terapêuticos desses pacientes.

9 – Exercícios físicos contribuem para manter o colesterol controlado

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Verdade. A atividade física regular, de 3 a 5 vezes na semana, e com duração mínima de 40-50 minutos, favorece o aumento da HDL, e com isso auxilia na redução do colesterol. Contribui para a redução do peso e melhora a resistência à insulina, favorecendo todo o metabolismo corporal de gorduras.

10 – Colesterol alto não gera sintomas no paciente

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Verdade. A hipercolesterolemia faz parte do grupo das chamadas “doenças silenciosas”, que não causam nenhum sintoma. Se por um lado isso evita o sofrimento do paciente, por outro, dificulta seu tratamento; faz com que ele não tenha uma percepção de que melhorar a alimentação, praticar exercícios regulares e fazer o uso correto de medicamentos no modifiquem as chances de ter um infarto agudo do miocárdio e o acidente vascular encefálico.

11 – Gordura trans pode aumentar o índice de colesterol circulante

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Foto: Mel Schmitz

Verdade. Todos os alimentos que contêm gorduras trans devem ser evitados, pois contribuem para aumentar o colesterol. Infelizmente, a atual rotulagem brasileira permite que alimentos que contêm menos de 1% de gorduras trans por porção declarem no rótulo que são zero trans, fato que não é verdadeiro. Portanto, para evitar erros, recomendamos, sempre, reduzir e, se possível, evitar alimentos industrializados gordurosos.

Se cuide, fique atento!

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Imagem: ABPH

O colesterol é um tipo de gordura sintetizada principalmente no fígado e transportada no sangue pelas lipoproteínas: as mais importantes são as Lipoproteínas de Baixa Densidade (LDL) e as Lipoproteínas de Alta Densidade (HDL). A LDL é o chamado “colesterol ruim”, porque está associada com o risco de desenvolver a doença coronariana. De acordo com Nágila, o recomendado é que sua taxa sanguínea fique abaixo de 130 mg/dl. A HDL é o “colesterol bom”, que ajuda a remover o excesso de colesterol do corpo, favorecendo sua excreção. O indicado é manter a taxa superior a 40 mg/dl.

De acordo com dados do DataSUS, em 2017 ocorreram 358 mil mortes causadas por doenças do aparelho circulatório no Brasil. Significa dizer que um a cada três óbitos tem como causa problemas cardiovasculares. “É um número alto e simboliza uma morte a cada 40 segundos proveniente de doenças que podem ser diagnosticadas e controladas. Somente a prevenção, com adoção de práticas saudáveis, o diagnóstico e o tratamento podem reverter essa situação”, afirma José Francisco Kerr Saraiva, presidente da Socesp.

Fonte: Soceps

Dia Nacional de Combate ao Fumo: Socesp alerta sobre graves riscos do tabagismo

Tabagismo mata e é uma das principais causas das doenças cardiovasculares. Terapias para abandono do vício são importantes, mas cigarro eletrônico não deve ser usado, pois também é nocivo.

Embora o Brasil tenha se tornado a segunda nação a adotar todas as recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS) para o combate ao tabagismo e reduzido o percentual de fumantes, o vício mata 428 pessoas por dia e é a causa de 12,6% de todos os óbitos ocorridos no País, conforme dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca). Ao todo, 156.216 vidas seriam preservadas anualmente se o hábito fosse abolido.

“O Dia Nacional de Combate ao Fumo, 29 de agosto, é oportuno para lembrarmos a gravidade do tabagismo, que matou 27.833 pessoas de câncer do pulmão, em 2017, e 34.999 de doenças cardiovasculares, em 2015”, alerta o médico José Francisco Kerr Saraiva, presidente da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp), citando números do Inca.

O cardiologista explica que o tabaco agride o endotélio (parede de células que recobre os vasos sanguíneos) e interfere na produção de óxido nítrico, tornando as artérias mais suscetíveis à formação de placas ateroscleróticas, uma das grandes causas do infarto.

“O mecanismo de contração e relaxamento das artérias também é afetado, o que dificulta a circulação sanguínea”, afirma o especialista. O cigarro também acelera a oxidação do colesterol e, em associação à pílula anticoncepcional, pode aumentar o risco de Acidente Vascular Cerebral (AVC) em mulheres. Nenhuma quantidade de cigarros é segura. Apenas um já pode causar diversos malefícios à saúde.

Terapias antitabagismo e o nocivo cigarro eletrônico

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Segundo o Ministério da Saúde, mais de quatro mil unidades de saúde oferecem tratamento contra o tabagismo e, entre 2005 e 2016, cerca de 1,6 milhão de brasileiros adotaram esse recurso terapêutico. É um mito, porém, que o cigarro eletrônico seja uma terapia adequada para o abandono do vício, pois também é nocivo à saúde e não deve ser utilizado. Trabalho mostrando seus malefícios foi apresentado este ano no Congresso da Socesp, em junho, pelo médico Márcio Gonçalves de Sousa, do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, especialista em tratamento do tabagismo pela Mayo Clinic (2010) e doutor em Cardiologia pelo Incor-FMUSP.

O especialista citou estudos que mostram efeitos nocivos do cigarro eletrônico, que é proibido pela Anvisa no Brasil, mas, a despeito de tal restrição, vendido praticamente de modo livre e sem fiscalização. O vapor que ele produz contém substâncias cancerígenas e pode causar danos aos pulmões e ao coração. Lembrando que 90% dos fumantes começam a fumar antes dos 19 anos, o médico salientou que a utilização do cigarro eletrônico pelos jovens é um risco, porque também seduziria os adolescentes e os induziria a um novo vício.

Por outro lado, o tratamento medicamentoso dos fumantes, prescrito e feito com acompanhamento médico, é indicado e contribui para que abandonem o vício. Márcio Gonçalves de Souza afirmou que é muito importante combater o tabagismo, nocivo à saúde, enfatizando que “a indústria da morte adiciona cada vez mais substâncias aos cigarros para tornar mais rápida e eficiente a entrega de nicotina ao cérebro, potencializando o vício”.

Boas notícias

cigarro parar fumar tabaco pixabay

Saraiva observa, por outro lado, que se deve comemorar os avanços, citando o fato de o Brasil ter se tornado o segundo país a adotar todas as recomendações da OMS para o combate ao tabagismo, conforme o Relatório Sobre a Epidemia Mundial do Tabaco, divulgado em 26 de julho. Apenas a Turquia havia conquistado tal posição anteriormente.

Dados do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) revelam que, em 2018, 9,3% dos brasileiros afirmaram ter o hábito de fumar. Em 2006, ano da primeira edição da pesquisa, esse percentual era de 15,7%. Nos últimos 13 anos, a população entrevistada reduziu em 40% o consumo do tabaco.

“Avanço relevante também foi a entrada em vigor, há dez anos, da Lei Antifumo no Estado de São Paulo, que tem a maior população do País”, salienta o presidente da Socesp, afirmando: “Devemos comemorar esse importante aniversário, considerando que, nos primeiros oito anos de vigência da norma, os consumidores de cigarros na capital paulista diminuíram de 18,8% dos paulistanos, em 2009, para 14,2%”. A lei, que entrou em vigor no mês de agosto de 2009, proibiu fumar em lugares fechados.

Fonte: Socesp

Confira dez alimentos que ajudam a reduzir o colesterol

Especialista orienta que eles devem ser incluídos na dieta e não como suplementos

A alimentação saudável é a principal forma de manter as taxas de colesterol controladas, reduzindo-se as chances de acidentes vasculares cerebrais (AVC) e infarto.

“O composto que chamamos de colesterol é sintetizado no fígado e transportado no sangue pelas lipoproteínas. As mais importantes são as Lipoproteínas de Baixa Densidade [LDL] e as Lipoproteínas de Alta Densidade [HDL]”, explica a nutricionista Regina Helena Marques Pereira, do Departamento de Nutrição da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp).

A LDL é o chamado “colesterol ruim” porque está associada com o risco de desenvolver a doença coronariana. “O ideal é que sua taxa sanguínea fique abaixo de 130 mg/dl”, afirma a especialista. A HDL é o “colesterol bom”, que ajuda a remover o excesso de colesterol que entra na parede das artérias via LDL. O indicado é manter a taxa superior a 40 mg/dl. Temos ainda as VLDL, que são relacionadas ao transporte principalmente de triglicerídeos, mas também oferecem risco ao coração.

De acordo com dados do DataSUS, em 2017 ocorreram 358 mil mortes causadas por doenças do aparelho circulatório no Brasil. Significa dizer que um a cada três óbitos tem como causa problemas cardiovasculares. “É um número alto e simboliza uma morte a cada 40 segundos proveniente de doenças que podem ser diagnosticadas e controladas. Somente a prevenção, com adoção de práticas saudáveis, o diagnóstico e o tratamento podem reverter essa situação”, afirma José Francisco Kerr Saraiva, presidente da Socesp.

Segundo Regina, manter uma alimentação saudável e praticar atividades físicas são as principais ações a serem realizadas para diminuir o risco de doenças cardiovasculares causadas pelo colesterol. “O colesterol dos alimentos contribui com 30% do composto no organismo humano”, complementa a nutricionista.

A especialista elaborou uma lista com os 10 alimentos que são verdadeiros aliados na luta contra o colesterol. Confira-os, em ordem alfabética:

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Foto: California Avocado Comission

1 – Abacate: rico em gorduras monoinsaturadas. De acordo com estudo publicado pela American Heart Association, substituir fontes de gorduras saturadas por abacate pode reduzir em até 13-14 mg/dl o colesterol total e a LDL.

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2 – Aveia: rica em fibras solúveis e betaglucano, já é amplamente reconhecida como coadjuvante, pois atua em nível intestinal, diminuindo a absorção de gorduras, por meio do aumento da velocidade do fluxo intestinal, devido a sua característica para formação de gel. Mas, sua melhor versão está no farelo de aveia, que contém maior teor em fibras.

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3 – Azeite de Oliva Extravirgem: alimento base da dieta do mediterrâneo, rico em ácidos graxos monoinsaturados e outros compostos também antioxidantes. Quando substituindo gorduras saturadas, promove redução nas taxas de colesterol não-HDL, ou seja, melhora a relação entre colesterol bom e ruim, favorecendo o bom.

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Pixabay

4 – Cereais integrais: devido ao seu conteúdo de fibras e vitaminas, estão também associados a menor risco de aterosclerose, atuando da mesma forma que a aveia, por meio da redução na absorção de gorduras durante a digestão dos alimentos. Também promovem mais saciedade, reduzindo o volume total de ingestão alimentar.

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Foto: Max Straeten

5 – Frutas vermelhas: ricas em polifenóis, são conhecidas por sua ação antioxidante capaz de reduzir as alterações decorrentes da oxidação das LDL, que nesta forma são mais aterogênicas.

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Pixabay

6 – Oleaginosas: nozes, castanhas, amêndoas etc. Ricas em ácidos graxos monoinsaturados que, assim como as poli-insaturadas, melhoram o perfil de colesterol, porém essas estão mais relacionadas com elevação do HDL, colesterol conhecido como o bom.

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7 – Óleos vegetais: ricos em ácidos graxos poli-insaturados, são associados com redução de LDL e risco cardiovascular em inúmeros estudos que usam este tipo de gordura como substituição de gorduras saturadas de origem animal e/ou vegetal.

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8 – Peixes ricos em ômega 3: salmão e sardinha são ricos neste tipo de gordura, cuja relação com redução de colesterol já é bastante conhecida. A maior ingestão de ômega 3 aumenta o conteúdo de ácidos graxos poli-insaturados no organismo o que favorece a redução do colesterol.

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9 – Soja: em uma revisão bibliográfica, pesquisadores da Universidade do Vale dos Sinos, do Rio Grande do Sul, avaliaram os resultados de 13 estudos internacionais, concluindo que o consumo de proteína de soja isolada (e não do grão integral) tem efeito positivo na redução de colesterol-total se consumido por 6 a 8 semanas. O consumo deve ser maior ou igual a 40g de proteína de soja por dia, contendo 80mg de isoflavonas ou mais. Porém, este consumo não é realidade em nosso país.

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10 – Uva: suco concentrado, vinho tinto, uva fresca. São variantes de forma de consumo dessa fruta que contém, além dos polifenóis das frutas vermelhas, o resveratrol, composto específico da uva amplamente estudado, relacionado à redução de oxidação das partículas de LDL, melhorando sua remoção da circulação e consequente redução da formação de placas típicas da aterosclerose.

Fonte: Socesp

Dez alimentos que pioram as taxas de colesterol

Este mês, comemoramos o Dia Nacional do Combate ao Colesterol. O assunto merece total atenção, já que de acordo com dados do DataSUS, em 2017 ocorreram 358 mil mortes causadas por doenças do aparelho circulatório no Brasil. Significa dizer que um a cada três óbitos tem como causa problemas cardiovasculares.

“É um número alto e simboliza uma morte a cada 40 segundos, proveniente de doenças que, em sua maioria, podem ser diagnosticadas e tratadas”, afirma José Francisco Kerr Saraiva, presidente da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp).

Por isso, é importante lembrar que a alimentação saudável é a principal estratégia para manter as taxas de colesterol controladas, reduzindo-se as chances de Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC) e infarto.

“O colesterol é sintetizado em diversos tecidos do nosso corpo, mas é no fígado onde ocorre sua maior síntese, sendo transportado para todo o corpo pelas lipoproteínas. As mais importantes são as Lipoproteínas de Baixa Densidade [LDL] e as Lipoproteínas de Alta Densidade [HDL]”, explica a nutricionista Regina Helena Marques Pereira, do Departamento de Nutrição da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp).

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Thinkstock

LDL é o chamado “colesterol ruim” porque está associado com o maior risco de desenvolver doenças cardiovasculares. “O ideal é que sua taxa sanguínea fique abaixo de 130 mg/dl”, afirma a especialista. HDL é o “colesterol bom”, que ajuda a remover o excesso de colesterol do corpo, favorecendo sua excreção. O indicado é manter a taxa superior a 40 mg/dl. Temos, ainda, as VLDL, que são relacionadas ao transporte principalmente de triglicerídeos, que também oferecem risco à saúde do coração.

Segundo Regina, manter uma alimentação saudável e praticar atividades físicas são as principais ações a serem realizadas para diminuir o risco de doenças cardiovasculares causadas pelo colesterol. “O colesterol dos alimentos contribui com 30% do colesterol do organismo humano”, complementa a nutricionista.

Ela elaborou uma lista com os 10 vilões na luta contra o colesterol, e ressalta que o equilíbrio continua sendo o principal segredo de uma dieta saudável. “Todos esses alimentos podem ser consumidos e apenas se tornam prejudiciais à saúde quando ingeridos em grandes quantidades e com bastante frequência. Por isso, é importante lembrar: mantenha um padrão alimentar saudável, rico em frutas, verduras e legumes”.

Confira a lista:

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1 – Bombom: é uma versão de chocolate com pouquíssimo cacau e muitos ingredientes, dentre eles gorduras adicionadas – principalmente hidrogenada – trans, que é a mais aterogênica.

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2 – Carnes gordas: a gordura animal está intimamente ligada com o aumento de colesterol e formação de placas de aterosclerose, pois é rica em gorduras saturadas.

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3 – Manteiga: fonte exclusiva de gorduras saturadas de origem animal. Altamente aterogênica.

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4 – Creme de leite: mesmos princípios da manteiga.

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5 – Nuggets: são empanados, pré-fritos em gordura vegetal hidrogenada, a mais aterogênica de todas as gorduras presente em alimentos industrializados.

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6 – Óleo de coco: rico em gorduras saturadas conhecidas como principal gordura relacionada ao aumento de colesterol total, LDL colesterol e HDL colesterol. Porém, esta elevação de HDL não é suficiente para reduzir os efeitos negativos do aumento das LDL que este tipo de gordura promove.

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Foto: Own work

7 – Produtos de charcutaria: salames, presuntos, linguiças. Ricos em gorduras saturadas de origem animal – devem ser evitados.

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8 – Queijos ricos em gorduras: (> 10% de gorduras saturadas por porção) – devem ser evitados.

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9 – Salgados e tortas elaborados com massa podre:  massa podre – pâte brisée-, é composta por farinha de trigo, gorduras (normalmente manteiga, às vezes banha ou gordura vegetal), água e sal.

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10 – Sorvete cremoso industrializado: elaborado com gordura vegetal hidrogenada em sua maioria. Alguns artesanais podem levar outro tipo de gordura menos nociva.

Fonte: Socesp – Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo é uma entidade sem fins lucrativos, fundada em 1976. Regional da Sociedade Brasileira de Cardiologia e Departamento de Cardiologia da Associação Paulista de Medicina.

 

Dia dos Avós: como cuidar desses corações tão grandes?

Comemorada em 26 de julho, data nos lembra ser preciso redobrar a atenção com a saúde cardiovascular dos idosos

Mais de dois bilhões de vezes. Isso é o que o coração de uma pessoa com 60 anos já bateu. O órgão é um dos afetados pelos efeitos do avançar do tempo. Em idosos, o bombeador de sangue trabalha de maneira mais intensa do que em pessoas jovens, tem paredes mais espessas e funciona de forma mais lenta.

As artérias, menos elásticas, não conseguem relaxar na mesma velocidade que antes e, por isso, a pressão arterial aumenta quando o músculo se contrai. Em 26 de julho comemora-se o Dia dos Avós e a data nos faz lembrar que é preciso cuidar daqueles que estão sempre dispostos a cuidar de todos.

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Foto: MedicalNewsToday

De acordo com o presidente da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp), José Francisco Kerr Saraiva, é possível reduzir os malefícios da idade ao coração. E a prática de exercícios físicos é a principal maneira que o órgão encontra para se manter saudável mesmo na velhice. “Com a atividade física, coração trabalha de forma mais eficiente e o sangue flui melhor em todo o corpo”, afirma o especialista.

Mesmo sendo essa a recomendação, Saraiva alerta sobre a importância da busca por profissionais médicos antes de se iniciar a prática de exercícios. “Principalmente no caso dos idosos, mas os mais novos também têm que fazer atividades orientadas para evitar complicações na saúde”, diz.

Para as pessoas com idade mais avançada, o aconselhado é praticar de 15 a 30 minutos por dia, totalizando de 100 a 150 minutos por semana. “Eu indicaria hidroginástica e caminhada, que são exercícios leves, mas que ajudam muito na circulação e na manutenção do peso corporal”, explica Saraiva.

Outra sugestão é a adoção de uma alimentação saudável, que abranja equilíbrio e variedade na dieta. “Em qualquer idade, não ter regras na hora de comer é extremamente prejudicial. Nos idosos, isso é multiplicado. Gorduras, sal e açúcar, principalmente, são causadores de muitos problemas de saúde, como obesidade, diabetes e hipertensão, que tanto afetam a terceira idade”, afirma a Profª Drª Nágila Raquel Teixeira Damasceno, Diretora Executiva do Departamento de Nutrição da Socesp.

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Realizar refeições sempre no mesmo horário, incluindo cereais, legumes, verduras, queijos pouco gordurosos, peixes e aves sem pele, carnes magras, óleos vegetais, além de evitar refrigerantes, sal, sucos artificiais, bolachas, sobremesas e industrializados são as dicas da especialista.

Por último, manter a calma e a saúde psicológica, por meio de grupos de encontro, por exemplo, também é essencial, de acordo com a Diretora Executiva do Departamento de Psicologia da Socesp, Jennifer de França Oliveira Nogueira. “Acumular mágoas, rancores e ansiedade interfere na circulação e no ritmo do coração. É preciso ter leveza, distrair a cabeça e perdoar para que a saúde, em geral, não se perca”, conclui.

Fonte: Socesp

Alimentação saudável é aliada na luta contra doenças cardiovasculares

Comer muito e/ou de modo errado é a principal causa de alguns dos fatores de risco das doenças cardiovasculares, como a obesidade, diabetes, hipertensão, colesterol e triglicérides elevados. “Por isso, é fundamental alimentar-se bem, de maneira equilibrada e sem excessos”, salienta a Profª Drª Nagila Raquel Teixeira Damasceno , diretora executiva do Departamento de Nutrição da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp).

Com exceção de pacientes com diagnóstico de doenças e restrições alimentares (alergias e intolerâncias alimentares), cujas escolhas alimentares têm ser mais específicas, a população deve optar por uma alimentação natural, variada e adequada a sua faixa etária. Abaixo, a nutricionista relaciona os alimentos que podem ser mais benéficos ou nocivos à saúdo do coração. Também faz sugestões de como podemos compor cardápios diários pensando na saúde cardiovascular atual e futura:

Alimentos benéficos para o coração

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Peixes de água frias – fontes de ômega 3. O consumo regular favorece a ingestão de gorduras mais saudáveis e redução de produtos cárneos ricos em gorduras saturadas e colesterol. Atualmente, os benefícios de alimentos ricos em ômega-3 vão além da redução do LDL-c (colesterol ruim) e aumentar do HDL-c (colesterol bom). O ideal é se alimentar desses peixes (atum, salmão, truta) pelo menos 2 vezes por semana.

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Alho – rico em substâncias antioxidantes, esse alimento contém substâncias com efeito dilatador dos vasos sanguíneos, que auxiliam no controle da pressão arterial.

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Aveia – rica em Fibras solúveis, são consideradas essenciais à redução da absorção de gorduras, devendo fazer parte das escolhas alimentares diárias.

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Oleaginosas (castanhas, nozes etc.) – têm em sua composição grande parte de gorduras monoinsaturadas e poli-insaturadas, as quais promovem manutenção e até elevação do bom colesterol (HDL), além do magnésio que ajuda a reduzir pressão arterial.

canela

Canela – estudos sugerem que a canela auxilia no metabolismo dos açúcares, contribuindo para a redução da glicemia pós-prandial – aumento do nível de glicose na corrente sanguínea cerca de dez minutos após uma refeição. Isso auxilia na prevenção de doenças associada à resistência à insulina.

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Laticínios desnatados – estudos comprovam que o Cálcio e Magnésio presentes neste alimento, aliados aos produtos de sua fermentação natural, auxiliam no controle da pressão arterial e na redução da adiposidade abdominal. A escolha pelos produtos desnatados mantém esses nutrientes e reduz o consumo de gorduras saturadas e colesterol.

Alimentos nocivos quando consumidos inadequadamente

açucar

Açúcar – promove elevação de glicemia, insulina, peso corporal, e está relacionado diretamente com a obesidade e Diabetes, que representam importantes fatores de risco para as doenças cardiovasculares. Recomenda-se que o consumo de açúcar não ultrapasse 10% das calorias diárias de um indivíduos saudável e se limite a 5% naqueles que necessitam controlar fatores de risco cardiovasculares.

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Sal – principal fonte de sódio da dieta. Quando em excesso, pode-se elevar a pressão arterial. Atualmente há diversos tipos de sal no mercado, entretanto, todos, devem ser consumidos com moderação, sendo recomendado eliminar o uso de substitutos industrializados do sal de cozinha.

Alimentos nocivos

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Carnes processadas – ricas em gorduras saturadas, sal e outros conservantes químicos ricos em sódio. Podem ser consumidos somente em situações de exceção e não devem fazer parte do hábito alimentar da população.

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Foto: Xandert/Morguefile

Gordura Trans (ou óleos hidrogenados parcialmente) – são as gorduras mais nocivas ao coração e chegam a ser proibidas em países ricos e desenvolvidos. Apesar do Brasil possuir limites para a presença desse tipo de gordura nos produtos industrializados, a maioria não atende essas restrições, deixando a população vulnerável ao consumo de alimentos falsamente isentos de gorduras trans. Fazem parte da elaboração de diversos alimentos industrializados (biscoitos, sorvetes, chocolate, pizzas, massas congeladas etc), devendo seu consumo ser reduzido ao máximo possível. Impactam negativamente no colesterol ruim (LDL) e reduzem o bom (HDL), favorecem à resistência à insulina e tem propriedades pró-inflamatórias.

Fonte: Socesp – Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo

Afinal, beber muito café faz mal ao coração?

O grão é rico em polifenóis, compostos antioxidantes que diminuem os riscos de doenças cardíacas, mas se deve evitar consumo exagerado. Recomenda-se dose máxima de três xícaras diárias

Comemoramos neste mês o Dia Mundial do Café e que a bebida ajuda a manter a concentração e estimula o organismo a se manter ativo durante o dia a dia, todo mundo já sabe. Mas, como a cafeína influencia o coração?

De acordo com a diretora do Departamento de Nutrição da Socesp (Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo), Profª Drª Nágila Damasceno, a ingestão de três xícaras de 40ml por dia, no caso de café expresso, e três de 110 a 150 ml de café filtrado, quando não há restrição médica, não é prejudicial e pode até ser benéfica, reduzindo os níveis elevados de pressão arterial e também a mortalidade cardiovascular. O grão do café também é rico em polifenóis, compostos antioxidantes que diminuem os riscos de doenças cardíacas.

No entanto, se consumido em doses elevadas, o café pode provocar alguns efeitos adversos. “Os pacientes com alterações cardiovasculares podem apresentar aumento no nível de colesterol circulante”, afirma a especialista. Além disso, outro ponto prejudicial é a insônia, que pode ser causada ou agravada em cardiopatas ou não.

É preciso dosar bem o consumo. Como um dos benefícios cardiovasculares, está a redução de radicais livres, diminuindo os danos que esses produtos podem causar à saúde cardiovascular. Porém, outro ponto que merece atenção é a combinação com o açúcar: a quantidade ideal é de, no máximo, 5g para cada xícara de 40 ml. Mais do que isso pode ser prejudicial, como ocorre com os diabéticos, por exemplo. Uma dica é a utilização de adoçantes naturais, como os do tipo stevia, que adoçam a bebida e não prejudicam a saúde do paciente. Degustar um bom cafezinho sem a adição do açúcar também tem crescido no dia a dia do brasileiro.

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O preparo do café também deve ser revisto. Preparações fervidas e coadas nos tradicionais coadores de pano devem ser evitadas, assim como não filtradas, como o café expresso, pois há substâncias que contribuem para a elevação do colesterol. Prefira o café filtrado, pois essas substâncias (diterpenos) ficam retidas no filtro, tornando o tradicional cafezinho um hábito saudável.

Deguste seu cafezinho, mas não esqueça dos cuidados com a saúde do seu coração.

Fonte: Socesp

Brasil precisa de política pública para reduzir mortes por hipertensão

“Em cada 100 brasileiros, 30 morrerão de doença cardiovascular, que tem na hipertensão uma recorrente causa. Precisamos mudar o destino dessas pessoas”, diz o médico José Francisco Kerr, presidente da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp).

“O Dia Nacional de Prevenção à Hipertensão Arterial, 26 de abril, é de extrema importância para alertar a sociedade sobre a necessidade de prevenir e combater esse mal, o mais grave problema de saúde pública do Planeta”, salienta o médico. As estatísticas são muito preocupantes: 20% dos habitantes adultos são hipertensos. Considerando-se as pessoas acima de 65 anos, são 40%; e no grupo com mais de 80, 50%.

“A hipertensão é uma das principais causas das doenças cardiovasculares, como o infarto do miocárdio, acidentes vasculares cerebrais, aneurismas e insuficiência cardíaca, responsáveis por um terço das mortes no Brasil. Além disso, leva à aterosclerose precoce, à degeneração dos vasos, à hipertrofia e a sobrecarga do coração”, ressalta o especialista, enfatizando: “Em cada 100 brasileiros, 30 morrerão de doença cardiovascular. Precisamos mudar o destino dessas pessoas! E essa transformação começa pela prevenção e combate à hipertensão e às demais causas dos males que afetam o coração, ou seja, o tabagismo, alimentação errada, obesidade, sedentarismo, colesterol e triglicérides elevados, excesso de consumo de sal e álcool, estresse e diabetes”.

Muitos desses fatores contribuem duplamente para a ocorrência de doenças cardiovasculares: de modo direto e também provocando a hipertensão que, dentre todas as causas, é a mais incisiva e recorrente, explica o presidente da Socesp. “Por isso, a mais eficaz medida preventiva é mudar o estilo de vida, adotando-se dieta mais saudável e equilibrada, fazendo atividade física regular (sempre após orientação médica), abandonando o tabagismo, reduzindo a níveis saudáveis o consumo de álcool e sal, emagrecendo e procurando evitar o estresse. Também é muito importante medir periodicamente a pressão e, em caso de qualquer alteração, iniciar tratamento imediato para a solução do problema. Esse controle também ajuda a evitar consequências mais graves”.

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Ilustração: Pixabay

Responsabilidade governamental

Kerr pondera que, ante a gravidade do problema, que atinge 30 milhões de brasileiros, “as estratégias de prevenção, diagnóstico e tratamento da hipertensão têm, necessariamente, de ser emanadas das autoridades, por meio de políticas públicas eficazes no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), implicando responsabilidades compartilhadas da União, estados e municípios”.

Na avaliação do médico, o SUS contempla de maneira bastante razoável medicamentos e tratamentos usuais para a hipertensão. “Porém, expressiva parcela da população está sob risco porque não muda estilo de vida. Assim, não basta ter medicamento nas unidades de atendimento, se o indivíduo fuma, não faz exercícios, se está com excesso de peso, se é negligente com a ingestão de sal e álcool ou se abandona o tratamento prescrito pelo médico. Por tudo isso, seria muito importante a realização de uma campanha permanente de alerta, prevenção e vida saudável, de alcance nacional, considerando a gravidade do problema, as dimensões continentais do Brasil e o contingente populacional ameaçado”.

Medida prioritária seria medir a pressão arterial de toda a população. Ou seja, esse procedimento deve ser adotado independentemente da especialidade médica ou do motivo que leve uma pessoa a procurar um ambulatório, clínica, consultório, pronto-socorro e hospitais. Isso é fundamental, pois a hipertensão, na maioria das vezes, não apresenta sintomas. As pessoas costumam descobrir o problema durante consultas de rotina ou, o que é pior, depois da ocorrência de um infarto ou acidente vascular cerebral.

“Assim, medir a pressão de todo mundo que é atendido na rede pública seria um grande avanço, pois 80% dos brasileiros utilizam o SUS. Também é preciso educar a população a aferir sistematicamente a pressão. Tais medidas devem ser políticas públicas permanentes. A tarefa é árdua, mas precisa ser cumprida, para se reduzir o número de mortes no País”, afirma, ressalvando: “Existem esforços, é verdade, mas temos de avançar muito. As estimativas são de que apenas 15% de todo o universo de hipertensos estejam devidamente diagnosticados, tratados e controlados”.

Além das políticas públicas, o médico defende uma ação sistemática da sociedade civil organizada, empresas, entidades médicas, como a Socesp, comunidades religiosas, de emigrantes e seus descendentes, organizações não governamentais e associações de bairro. “É necessário que todos tenham o olhar voltado à prevenção”.

Persistência do tratamento

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O presidente da Socesp salienta que, além do diagnóstico e início do tratamento, o controle permanente dos pacientes é decisivo, pois os indivíduos acabam não aderindo à medicação, considerando que na maioria dos casos a hipertensão é assintomática. Geralmente, eles dizem que não aceitam tomar três ou quatro comprimidos diários para tratar algo que sequer sentem. Assim, criar a cultura do tratamento adequado é uma atitude preventiva das doenças causadas pela hipertensão, como o infarto, o acidente vascular cerebral, o aneurisma e doenças renais.

“É muito importante educar, dialogar e prover atendimento interdisciplinar, com participação do médico, do enfermeiro, farmacêutico e outros profissionais”, salienta Kerr, observando: “Isso a gente vê que acontece nas unidades básicas nas quais existe uma equipe para cuidar do problema, mas, obviamente, teria de haver mais investimento nesse área. É preciso aumentar a capacidade de buscar indivíduos hipertensos, fazer o diagnóstico adequado e, acima de tudo, convencer a população sobre a gravidade do problema”.

Fonte: Socesp