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5 dicas para aproveitar a Páscoa sem prejudicar a saúde bucal

Este mês é marcado por uma data especial, a Páscoa. Entre os diversos símbolos dessa celebração destaca-se o ovo de Páscoa, delícia de chocolate que atrai crianças e adultos. Nesta época, o consumo do doce aumenta consideravelmente e, por isso, redobrar os cuidados com a saúde bucal é importantíssimo, em especial com a higienização dos dentes.

Mas, afinal, é possível conciliar o prazer das guloseimas sem descuidar dos dentes? De acordo com a cirurgiã-dentista Sofia Takeda Uemura, mestre em Odontologia pelo Centro de Pesquisas Odontológicas São Leopoldo Mandic e doutora em Ensino de Ciências pela Universidade Cruzeiro do Sul, observando-se alguns cuidados e dicas é possível sim conciliar o consumo de doces, especialmente chocolate, com a saúde da boca.

Cuidado com o açúcar

Apesar de o cacau possuir compostos com propriedades antibacterianas, ou seja, anticariogênica, a adição de ingredientes como açúcar facilita o desenvolvimento da cárie. “Por meio da fermentação bacteriana do açúcar ocorre a desmineralização dos tecidos dentais com o surgimento das cavidades que conhecemos como lesões de cárie”, explica Sofia. De acordo com a cirurgiã-dentista, é importante entendermos que a cárie é uma doença e que as desmineralizações dos tecidos dentais e as cavitações são as manifestações da doença. Assim, a inclusão de açúcar na dieta influencia o surgimento da cárie.

Ela esclarece, ainda, que o importante não é necessariamente a quantidade de açúcar ingerida, mas sim quantas vezes esse consumo se repete no dia. “Sempre que o pH bucal torna-se ácido, o dente perde mineral e, depois, ganha quando o pH bucal se restabelece. A alta frequência de ingestão de alimentos açucarados vai manter o pH bucal ácido por mais tempo com o desenvolvimento das lesões de cárie”, explica a cirurgiã-dentista.

O que causa mais estragos: balas, pirulitos ou chocolate?

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A consistência do alimento açucarado está diretamente relacionada à sua aderência aos dentes e permanência no meio bucal. Este raciocínio aplica-se às balas e aos pirulitos, que mesmo não sendo grudentos permanecem por muito tempo na boca. “Pensando desta forma, consumir uma barra de chocolate pode ser melhor do que um pirulito, por exemplo. É importante lembrar que o consumo racional de açúcar é uma questão de saúde como um todo, e não somente de preocupação com a cárie”, observa Sofia.

Dicas para aproveitar a Páscoa de forma saudável

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-Evite o consumo precoce: com relação às crianças, quanto mais tarde se introduzir o açúcar na dieta, melhor. Seu consumo, em especial o da sacarose (típica do açúcar de mesa, por exemplo), deve ser evitado por crianças menores de 2 anos.
-Incentive a escovação: a escovação dentária deve ser iniciada assim que os primeiros dentes irromperem na cavidade bucal, com a utilização de escova e de creme dental fluoretado, controlando-se a quantidade do mesmo. A orientação é que a escovação ocorra após 15 a 20 minutos da ingestão dos alimentos açucarados ou ácidos, para que seja feita a desorganização da placa bacteriana.
-Consuma com disciplina e junto às refeições: para prevenir o problema, é imprescindível que o consumo do açúcar seja disciplinado e, no caso das crianças, sob orientação. Cabe lembrar que mesmo após o segundo ano de vida a ingestão de açúcar deve ser orientada pelo pediatra e pelo dentista, assim como os abusos precisam ser evitados desde cedo. O consumo adequado é junto com as refeições, e não nos intervalos, pois assim os dentes não ficam sem escovação e suscetíveis à formação da cárie. Mas, caso isso não seja possível, o ideal é que a higiene bucal seja feita após o consumo de alimentos, entre as refeições.


-Capriche na higiene bucal: a rotina de higiene bucal adequada também é imprescindível. Isso envolve o uso de fio dental e creme dental com flúor. “O consumo de água é uma questão de saúde, que pode contribuir no restabelecimento do pH bucal, mas o consumo de água não substitui a higiene bucal”, esclarece Sofia.
-Consulte o cirurgião-dentista regularmente: a consulta regular ao cirurgião-dentista, a fim de receber orientações personalizadas e o tratamento correto, é um hábito que precisa ser incorporado aos cuidados com a saúde. É ele que vai orientar sobre a higienização ideal para cada pessoa, respeitando as posições dos dentes na arcada, o risco de cárie e até quais produtos utilizar.

Fonte: Crosp – Conselho Regional de Odontologia de São Paulo

Entenda como o açúcar em excesso pode arruinar a saúde bucal

Consumo de açúcar, que cresceu durante a pandemia, segundo pesquisa, está associado a problemas de saúde

Comer chocolate, bolo, paçoca e outras guloseimas contendo açúcar, apesar de tentador e prazeroso para muitas pessoas, pode representar um fator de risco aos dentes e também à saúde como um todo, principalmente se não forem tomados os devidos cuidados.

O açúcar é presença constante na dieta de quase todos os brasileiros e seus efeitos sobre a saúde nem sempre são conhecidos, mas ele é o responsável pela cárie dentária e outras complicações que não se restringem à boca, como diabetes, problemas cardiovasculares, hipertensão e obesidade.

“O açúcar é a causa da cárie dentária, que é uma doença que atinge grande parte da população mundial, independentemente da idade, e que pode levar à perda dentária, afetando a saúde geral do indivíduo”, conta a cirurgiã-dentista Sofia Takeda Uemura.

A cárie é um processo de desmineralização dos dentes, que ocorre quando as bactérias que vivem, normalmente, na cavidade bucal se multiplicam pela presença de resíduos alimentares e produzem ácidos que dissolvem o esmalte do dente, causando lesões cavitadas e dor. Nesse processo, o açúcar é fermentado por essas bactérias, produzindo os ácidos que darão origem à cárie.

“Os microrganismos são habitantes comuns na boca de todas as pessoas. Eles vivem entre si em equilíbrio, mas, diante de um consumo frequente de açúcares (especialmente sacarose), ocorre um desequilíbrio na composição dessas bactérias com seleção de microrganismos que têm maior capacidade de produzir ácidos e sobreviver em meio a essas substâncias. Portanto, o grande vilão no processo de desenvolvimento da cárie não é a bactéria; é o açúcar”, explica o Camillo Anauate Netto, membro da Câmara Técnica de Dentística do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (Crosp).

Consumo de doces cresce na pandemia

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Durante a pandemia de Covid-19, o hábito de consumo de doces se intensificou entre a população brasileira. É o que revela a pesquisa ConVid, estudo feito entre abril e maio de 2020 pela Fundação Oswaldo Cruz em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

De acordo com o levantamento, quase metade das mulheres está consumindo chocolates e doces em dois ou mais dias da semana, um aumento de 7% em relação ao consumo observado antes da pandemia. Mais da metade dos entrevistados entre 18 e 29 anos (totalizando 63%) também disseram consumir doces duas vezes ou mais por semana. Um dos fatores para esse aumento no consumo de açúcar é que a pandemia de Covid-19 alterou a rotina dessas pessoas, incluindo sua alimentação, pois boa parte delas aderiram ao sistema de trabalho remoto, passando mais tempo em casa.

Reduzir o açúcar e adotar hábitos saudáveis como prevenção

A higienização bucal após as refeições, sobretudo quando se trata de alimentos com açúcar, ajuda a evitar o risco de cárie e outras doenças bucais, mas deve estar alinhada ao controle no consumo de doces. Quanto menor for a quantidade de açúcar na boca, maiores são as chances de removê-lo no processo de higienização.

“Sabemos que o açúcar na forma sólida ou pastosa tem maior adesão sobre os dentes e é mais difícil de ser removido do que o açúcar líquido, por exemplo. Devemos, portanto, orientar que o paciente faça um consumo moderado e que fique atento para a higienização, não só nas superfícies lisas dos dentes mas também nos espaços interdentais, aguardando trinta minutos após a ingestão do doce”, diz Anauate Netto.

Alinhado a isso, é fundamental que sejam adotados hábitos alimentares mais saudáveis, evitando assim complicações tanto para os dentes quanto para a saúde em geral. O primeiro passo começa por substituir alimentos industrializados e processados por alternativas mais naturais. Também é importante ter atenção quanto aos rótulos dos produtos que indicam sua composição.

“Temos uma ideia errada de que a higiene bucal é a principal arma contra a cárie, mas, na realidade, a prevenção é uma associação de medidas e a primeira é disciplinar o consumo de açúcar”, diz Sofia. “Faça uma dieta equilibrada e nutritiva; limite a frequência de lanchinhos entre as refeições e, quando o fizer, selecione alimentos saudáveis; verifique os rótulos dos alimentos para identificar a presença de açúcar; troque refrigerantes ou sucos industrializados por suco natural sem açúcar ou água e faça consultas periódicas de prevenção e controle ao cirurgião-dentista”, completa.

Fonte: Crosp