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Melhore a saúde a partir de pequenas atitudes diárias

Renata Gorjão, vice-coordenadora do Programa de Pós-graduação Interdisciplinar em Ciências da Saúde da Universidade Cruzeiro do Sul, orienta sobre os cuidados e indica pequenos hábitos que promovem qualidade de vida

Com uma rotina cheia de afazeres e obrigações, cuidar da saúde muitas vezes fica em segundo plano. Ao contrário do que muitos imaginam, ter uma vida mais saudável não é difícil, e para isso, pequenas atitudes diárias podem ser realizadas.

Renata Gorjão, vice-coordenadora do Programa de Pós-graduação Interdisciplinar em Ciências da Saúde da Universidade Cruzeiro do Sul, separou algumas dicas para melhorar a qualidade de vida. Confira:

Alimentação

Uma boa alimentação pode ajudar diretamente nossa saúde, mas é importante dizer que nossa dieta não precisa ser restritiva, o ideal seria diminuir o consumo de comidas industrializadas e com muita gordura e açúcar. Optar por frutas, legumes e cereais.

Atividade física

A prática de atividade física está diretamente ligada à qualidade de vida e saúde. Prova disso é que a Sociedade Americana do Câncer (American Cancer Society), mostra que quando fazemos exercícios físicos em intensidade vigorosa pelo menos três vezes por semana ou moderada cinco vezes por semana, podemos diminuir as chances de câncer. “Para quem busca praticidade, indico as caminhadas, videoaulas de pilates ou yoga. O importante é fazer exercício por pelo menos 60 minutos, três vezes por semana”, destaca Renata.

Qualidade do sono

O sono tem um papel fisiológico muito importante. Este período de descanso, possibilita a recuperação do desgaste promovido pelas atividades desenvolvidas durante o dia (nosso período ativo). Mas além disso, nesta fase, ocorre a liberação de alguns hormônios importantes, como da melatonina. Este hormônio tem um papel muito importante não só na regulação do início do próprio sono, como também tem um papel antioxidante, combatendo radicais livres, dentre outros efeitos que têm sido estudados.

Hidratação

A ingestão de água é muito importante para o transporte de nutrientes, para o funcionamento do cérebro e do sistema renal. Quando o consumo de água é muito baixo, ocorrem sintomas como dificuldade de concentração nas atividades diárias. Além disso, a desidratação pode ser muito grave promovendo alterações musculares e cardíacas, visto que a água é o nosso principal solvente, sendo responsável por manter o equilíbrio dos eletrólitos no nosso organismo.

Pequenas pausas durante o trabalho

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Embora não existam estudos científicos descrevendo exatamente de que forma estas pausas durante o trabalho devem ser realizadas, é um consenso por exemplo, que aqueles que trabalham muito tempo no computador, devem fazer pausas ao longo do dia, longe da tela do computador. Além disso, a postura no trabalho também deve ser alterada, com pequenas pausas para realização de alongamentos, por exemplo. Isto pode melhorar a qualidade de vida e evitar sobrecarga de determinados grupamentos musculares.

Faça algo por você

O lazer é muito importante para a mente e o corpo. Fisiologicamente, atividades prazerosas liberam mediadores como a serotonina, que são importantes por aquela sensação de felicidade. “Em um estudo recente realizado por nosso grupo, no qual mulheres diabéticas participaram de um programa de aulas de dança, observamos que além da boa adesão ao programa de exercícios, devido à interação social que a atividade promove, elas apresentaram melhora da glicemia, de marcadores inflamatórios e do equilíbrio da resposta imunológica”, finaliza Renata.

Fonte: Renata Gorjão é graduada em Farmácia-Bioquímica; Doutora em Ciências. Com pós-doutorado na área de Fisiologia, com ênfase em Fisiologia Celular. Professora titular do Programa de Pós-graduação Interdisciplinar em Ciências da Saúde da Universidade Cruzeiro do Sul.

Sono na pandemia: dormir mais que o habitual deve ser um sinal de atenção

Neste longo período de pandemia, os reflexos físicos e mentais já deixaram de ser previsões para tornarem realidade para boa parte da população. A queda na qualidade do sono não ficou de fora dessa lista de efeitos externos que impactam na regulação rítmica de diversos processos fisiológicos do organismo. Segundo o otorrinolaringologista do Hospital Edmundo Vasconcelos, Ronaldo dos Reis Américo, é preciso atentar ao volume de sono, desmistificando a percepção de que dormir por mais horas significa eficiência do sono.

O especialista afirma que dormir por mais tempo de maneira rotineira pode indicar distúrbios de latência e baixa eficiência do sono. “Neste período pandêmico, pesquisas nacionais recentes mostram que os distúrbios de sono atingem até 50% da população do país. E, entre as mudanças, está o aumento do volume de horas de sono, sem que haja como reflexo a ampliação da qualidade deste ato”, conta Américo

Dormir por mais horas já é uma rotina na vida de aproximadamente 26% dos brasileiros, como cita o artigo ‘Fatores associados ao comportamento da população durante o isolamento social na pandemia de Covid-19’. O otorrinolaringologista do Edmundo Vasconcelos lembra que é preciso atenção a essa realidade pois o sono tem papel fundamental na saúde. “É durante este momento do dia que regulamos a homeostase do corpo, liberamos grande carga de hormônios e consolidamos a memória”, enfatiza.

Além do maior volume de horas de sono, o cenário de tensão vem colaborando para mais insônia, sonolência excessiva diurna (SED), dificuldade de dormir e acordar em horários propostos e anormalidades comportamentais ligadas ao sono. De acordo com Américo, é importante dar atenção a esse hábito a fim de evitar que as alterações se tornarem crônicas, com efeitos duradouros e tratamento mais difícil.

Para evitar essas consequências, o médico aconselha seguir medidas de higiene de sono e nunca fazer uso indiscriminado de medicamentos sem supervisão médica, uma vez que eles podem gerar efeitos colaterais significativos e interagir de forma negativa com outras substâncias.

Como pôr em prática a higiene do sono:
• Opte por atividades mais calmas após o anoitecer;
• Diminua, de forma progressiva, a luminosidade do ambiente;
• Reduza o uso de aparelhos eletrônicos emissores de luminosidade como televisores e computadores;
• Estabeleça uma rotina para o sono, com horário estabelecido para dormir e acordar.

Fonte: Hospital Edmundo Vasconcelos

Pesquisa mostra por que algumas pessoas sentem fome o tempo todo

Pesquisa da Universidade King’s College London, publicada no Nature Metabolism, explica que pessoas que experimentam grandes quedas nos níveis de açúcar no sangue várias horas depois de comer acabam sentindo fome e consumindo centenas de calorias a mais durante o dia

Por que será que algumas pessoas sentem fome o tempo inteiro? Um estudo publicado no começo de abril na Nature Metabolism desvendou por que algumas pessoas sentem fome sempre e lutam para perder peso, mesmo em dietas com controle calórico. “A pesquisa diz que algumas pessoas experimentam uma queda brusca nos níveis de açúcar no sangue de duas a quatro horas depois de comer, o que estimula a fome. O trabalho destacou ainda a importância de compreender o metabolismo pessoal quando se trata de dieta e saúde”, explica a médica nutróloga Marcella Garcez, diretora e professora da Associação Brasileira de Nutrologia.

A equipe de pesquisa coletou dados detalhados sobre as respostas de açúcar no sangue e outros marcadores de saúde de 1.070 pessoas após comerem cafés da manhã padronizados e refeições escolhidas livremente por um período de duas semanas, somando mais de 8.000 cafés da manhã e 70.000 refeições no total. “Os cafés da manhã padrão eram baseados em muffins contendo a mesma quantidade de calorias, mas variando na composição em termos de carboidratos, proteínas, gorduras e fibras. Os participantes também realizaram um teste de resposta ao açúcar no sangue em jejum (teste oral de tolerância à glicose), para medir o quão bem seu corpo processa o açúcar”, explica.

Os participantes usaram monitores contínuos de glicose (CGMs) para medir seus níveis de açúcar no sangue durante todo o estudo, bem como um dispositivo para monitorar a atividade e o sono. “Eles também registraram os níveis de fome e estado de alerta usando um aplicativo de celular, juntamente com exatamente quando e o que comeram durante o dia. Estudos anteriores que analisaram o açúcar no sangue depois de comer se concentraram na maneira como os níveis aumentam e diminuem nas primeiras duas horas após uma refeição, conhecido como pico de açúcar no sangue. No entanto, após analisar os dados, essa pesquisa notou que algumas pessoas experimentaram ‘quedas de açúcar’ significativas de 2 a 4 horas após esse pico inicial, onde seus níveis de açúcar no sangue caíram rapidamente abaixo da linha de base antes de voltarem a subir”, afirma Marcella.

Essas pessoas tiveram um aumento de 9% na fome e esperaram cerca de meia hora a menos, em média, antes da refeição seguinte do que as pessoas que não experimentam essa queda brusca, embora comessem exatamente as mesmas refeições. “Os participantes que sofriam essa forte queda nos níveis de açúcar também ingeriram 75 calorias a mais nas 3 ou 4 horas após o café da manhã e cerca de 312 calorias a mais durante todo o dia do que os outros”, explica a médica. Esse tipo de padrão pode potencialmente se transformar em 20 libras de ganho de peso ao longo de um ano, o equivalente a 9 kg.

Há muito se suspeita que os níveis de açúcar no sangue desempenham um papel importante no controle da fome, mas os resultados de estudos anteriores foram inconclusivos. “Agora, a pesquisa mostrou que as quedas de açúcar são um indicador melhor da fome e da ingestão de calorias subsequente do que a resposta inicial do pico de açúcar no sangue após comer, mudando a forma como pensamos sobre a relação entre os níveis de açúcar no sangue e os alimentos que comemos”, explica a médica nutróloga.

Segundo Marcella, muitas pessoas lutam para perder peso e mantê-lo, e apenas algumas centenas de calorias extras por dia podem chegar a vários quilos de ganho de peso ao longo de um ano. “A descoberta de que o nível da queda do açúcar depois de comer tem um grande impacto sobre a fome e o apetite tem um grande potencial para ajudar as pessoas a entender e controlar seu peso e saúde a longo prazo”, explica. O ideal, segundo a médica nutróloga, é reduzir o consumo de açúcares, buscando uma alimentação mais rica em nutrientes como fibras, gorduras saudáveis e proteínas.

A comparação do que acontece quando os participantes comem as mesmas refeições de teste revelou grandes variações nas respostas de açúcar no sangue entre as pessoas. Os pesquisadores também não encontraram nenhuma correlação entre idade, peso corporal ou IMC, embora os homens tenham quedas de açúcares um pouco maiores do que as mulheres, em média.

Foto: Shutterstock

“Escolher alimentos que funcionem em conjunto com sua biologia única pode ajudar as pessoas a se sentirem saciadas por mais tempo e a comer menos no geral”, explica a médica. Esse estudo abre caminho para orientação personalizada baseada em dados para aqueles que procuram controlar sua fome e ingestão de calorias de uma forma que funcione com o corpo, e não contra ele”, finaliza Marcella.

Fonte: Marcella Garcez é médica nutróloga, Mestre em Ciências da Saúde pela Escola de Medicina da PUCPR, Diretora da Associação Brasileira de Nutrologia e Docente do Curso Nacional de Nutrologia da Abran. A médica é Membro da Câmara Técnica de Nutrologia do CRMPR, Coordenadora da Liga Acadêmica de Nutrologia do Paraná e Pesquisadora em Suplementos Alimentares no Serviço de Nutrologia do Hospital do Servidor Público de São Paulo.

Ansiedade tem cura? Confira cinco formas de aliviar sintomas e tentar se curar

Será que a ansiedade tem cura? Será que é possível ter um nível de ansiedade que seja saudável? Nos dias de hoje, muita gente precisa aprender a lidar com a ansiedade, que nada mais é do que uma emoção natural do ser humano. Emoção, entretanto, que pode prejudicar a qualidade de vida e o dia a dia das pessoas.

No texto de hoje, além de responder às questões levantadas acima, você vai entender mais sobre o fenômeno da ansiedade e de aprender cinco formas de aliviar os sintomas de forma natural ou com medicamentos.

A ansiedade pode ser saudável?

A resposta é: sim. Existem níveis saudáveis e funcionais de ansiedade. A ansiedade é uma emoção natural, que todo ser humano tem a capacidade de sentir. Então, se todo o ser humano é capaz de sentir ansiedade, não faz sentido dizer que a ansiedade é uma doença. Afinal, se a capacidade de sentir ansiedade é algo universal, deve ser porque ela tem alguma função. E se você estuda a fundo o fenômeno da ansiedade, você entende a função natural da ansiedade: ela prepara o seu corpo para um perigo no futuro.

Você já deve ter percebido que a sua ansiedade aparece, na maioria das vezes, associada a algum problema ou perigo futuro. Por exemplo, se você tem que se preparar para uma prova daqui a duas semanas e ainda não estudou, você sente ansiedade. Ou se você tem uma conversa difícil com o seu marido e ainda não pensou em como irá conduzir o diálogo, você terá ansiedade. Em outras palavras, a ansiedade é uma emoção natural que serve para avisar você de um perigo futuro, para que você se prepare para esse perigo.

Portanto, se a sua ansiedade não lembrasse você de estudar, talvez você não se sentisse pressionado o suficiente para se dedicar ao estudo e passar na prova; se a sua ansiedade não lembrasse você de que essa conversa difícil está prestes a acontecer, talvez você chegasse despreparada na conversa e a conversa se transformasse numa briga. Assim, a ansiedade pode ser saudável quando ela ajuda você a se preparar para um perigo real do futuro.

Ansiedade tóxica

Assim como a gente falou da ansiedade saudável, a gente precisa falar da ansiedade tóxica, que é quando a ansiedade passa do nível saudável. A ansiedade pode ficar tóxica toda vez que você tem alguns sintomas físicos de ansiedade e tem preocupação excessiva relacionada a um problema, mas essa preocupação não se transforma em atitudes práticas para resolver o problema.

Ou seja, quando, em vez de conseguir usar a ansiedade para sentar e estudar, você fica remoendo aquele problema na sua cabeça e nada de prático acontece. Ou, por exemplo, quando em vez de se preparar para essa conversa difícil com o marido, você fica remoendo ela na cabeça e chega para a conversa despreparada.

Tratamentos naturais para ansiedade:

Mesmo não podendo dizer que a ansiedade tem cura, vamos começar com os tratamentos naturais para a ansiedade. Selecionamos três para vocês:

Exercício físico

O primeiro dos tratamentos naturais é aumentar o exercício físico na sua vida. Exercício físico é um antidepressivo natural e um ansiolítico natural. Além disso, pessoas que praticam exercícios físicos regularmente têm de 30% a 50% menos chance de desenvolver um transtorno de ansiedade do que pessoas que não praticam. Isso significa que praticar atividade física, nem que seja uma simples caminhada dia sim e dia não, pode ser uma ótima atitude de prevenção contra transtornos de ansiedade.

Sono

O segundo tratamento natural para a ansiedade é melhorar o sono. Dormir mal causa uma piora nos sintomas de ansiedade na maioria das pessoas. Seguindo a mesma lógica, dormir bem causa uma melhora e uma diminuição dos sintomas de ansiedade para a maioria das pessoas também. E é por isso que você pode tomar, hoje, atitudes simples para melhorar o seu sono – atitudes que custam zero reais e têm um alto poder de impacto. Por exemplo, Você pode começar a fazer uma rotina de sono. Ou seja, ter um passo a passo antes de dormir que se repete, sempre igual, para acostumar o seu cérebro com a hora de dormir. Também, outra atitude muito útil para ter um sono melhor é escutar um relaxamento guiado todo dia antes de dormir. Confira abaixo o relaxamento guiado feito pela Eurekka.

Psicoterapia

Foto: Shutterstock

E a terceira forma de tratamento natural contra a ansiedade é a psicoterapia. A função mais importante da terapia para a pessoa com ansiedade é ensinar ela a se autoacalmar e ajudar ela a enfrentar as coisas que causam ansiedade, em vez de fugir. Porque, na terapia, você consegue reverter esse ciclo vicioso que cada vez faz você ficar mais isolado. Em alguns casos, o terapeuta ajuda você a fazer isso com técnicas da psicologia e você consegue enfrentar os seus medos e ansiedades, um pouquinho de cada vez. E de todos os tratamentos naturais, esse é um dos que mais tem efeito.

Tratamentos medicamentosos para ansiedade:

No tratamento com um médico e com um psiquiatra para ansiedade, existem dois medicamentos que são os mais comuns, ok? O primeiro tipo de medicamento são os remédios antidepressivos e o segundo tipo de medicamento são os remédios calmantes.

Remédios antidepressivos

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Pouca gente sabe disso, mas os remédios antidepressivos também são usados para o controle da ansiedade! Por isso, não fique assustado se o seu psiquiatra receitar um remédio antidepressivo e o seu caso for ansiedade. O objetivo desse remédio é equilibrar a química do seu cérebro, para que você tenha um pouco mais de ânimo e um pouco menos de agitação.
Esses remédios não têm efeito imediato, mas começam a fazer efeito a partir de duas ou três semanas de uso. Alguns dos princípios ativos mais comuns nesse tipo de remédio são: fluoxetina, sertralina, paroxetina, escitalopram, citolopram etc.

Remédios calmantes

Foto: Morguifile/Starblue


Os remédios calmantes, diferentes dos remédios antidepressivos, têm um efeito imediato. Geralmente, o remédio calmante é receitado pelo psiquiatra para ser usado durante um momento de crise ou logo antes de dormir para facilitar o sono.
Esses remédios não devem ser usados em excesso, pois podem causar dependência, ao contrário dos remédios antidepressivos. Nomes comuns desses remédios: alprazolam, clonazepam, rivotril e diazepam.

Fonte: Eurekka

Mulheres paulistas têm mais chances de terem insônia, aponta estudo

Questões hormonais e culturais levam as mulheres a vivenciarem o distúrbio do sono com maior frequência do que os homens; tecnologia de startup do Supera Parque ajuda no tratamento

Quase o dobro, cerca de 18,1%, das mulheres paulistas têm insônia crônica se comparado aos homens na mesma situação, cerca de 10,7%, segundo estudo publicado, em 2020, na revista Sleep Health. Diversos estudos já comprovaram que os distúrbios do sono são muito comuns entre as mulheres e podem causar problemas de saúde física e emocional se não forem cuidados.

Diferentes fases da vida da mulher, como TPM, gestação, pós-parto e menopausa, têm relação com a insônia e não podem ser negligenciadas para não trazer problemas futuros. Por exemplo, durante a gravidez, 80% encaram alguma dificuldade para dormir e, na menopausa, esse percentual pode chegar a 60%.

Neide Souza, 55, é um desses casos. Ela dormia menos de quatro horas por noite e suas queixas já persistiam há mais de 15 anos. “Tomava dois comprimidos para dormir, mas não resolvia. Isso trouxe diversas consequências negativas para minha vida”, lembra.

A chefe do setor de sono da Mulher da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e pesquisadora do Instituto do Sono, Helena Hachul, comenta que questões hormonais tipicamente femininas associadas a condições psicossociais, questões sociais e ambientais influenciam diretamente no sono na mulher.

“São muitas questões que fazem com que a mulher tenha insônia e isso se reflete na vida, tanto pessoal como profissional, dela. Dentro desse cenário, as modificações hormonais ao longo da vida aumentam a vulnerabilidade a fatores estressantes e, consequentemente, aos riscos à saúde e ao bem-estar, corroborando para o aumento da prevalência de insônia na mulher”.

Riscos

A pessoa quem tem insônia não fica apenas mais irritada ou cansada. Noites maldormidas podem trazer outras complicações, como pressão alta, diabetes e aumento de peso, levando a mais problemas de saúde física e mental, principalmente quando se tornam um problema crônico.

“A insônia pode afetar performances cognitivas, como memória, humor e atenção, e o equilíbrio homeostático. Dessa forma, o sono tem efeito modulador na fisiopatologia de diversas doenças inflamatórias, autoimunes e alérgicas, podendo atuar como gatilho ao desenvolvimento e agravo destas e de outras inúmeras comorbidades em variados sistemas, inclusive o imunológico, com prejuízo na defesa do organismo”, destaca a especialista.

Tecnologia ajuda no tratamento

A tecnologia também é um aliado para melhorar a qualidade de vida das pessoas com problemas como a insônia. Terapia digitais, por exemplo, são muito úteis e outra para quem quer melhorar a insônia sem o uso de medicamentos.

Gabriel Natan Pires, pesquisador do Instituto do Sono e diretor de pesquisa da startup SleepUp, sediada no Supera Parque de Inovação e Tecnologia de Ribeirão Preto, explica que o uso de terapia digital para tratamento de insônia é uma realidade já comum nos EUA e Europa.

“Muitos estudos feitos nos Estados Unidos e na Europa já fazem uso da terapia cognitivo-comportamental para insônia (TCCi) virtual que é mais acessível e barata do que a TCC convencional. Os resultados mostram que a TCCi on-line é tão eficaz quanto a presencial para a maioria das pessoas”, afirma.

Pires ressalta que a SleepUp é pioneira em trazer essa técnica ao Brasil e 85% dos usuários do aplicativo são mulheres. “O TCCi é o tratamento de primeira linha que utilizamos”.

Maria Ane Dias, 36, é uma das usuárias do serviço. Ela tem insônia desde criança e passou por uma mudança de hábitos após iniciar em 2020 a terapia virtual. Ela intensificou a procura por orientações que pudessem ajudá-la.

“Comecei a usar o aplicativo da SleepUp por causa da calculadora de sono, que mede a eficiência do tempo que passo dormindo, e depois comecei a explorar outras funcionalidades. Tudo isso me trouxe mais consciência sobre mudanças de hábitos e ações práticas que melhoraram a minha insônia para não precisar ficar usando remédio”.

Dicas práticas

Para Helena, identificar se há outros problemas de saúde associados à insônia é essencial para tratar o distúrbio corretamente e que há outras técnicas de higiene do sono para seu tratamento não farmacológico.

“Algumas dicas que podem ser facilmente inseridas no cotidiano para o tratamento não farmacológico da insônia são: fazer a última refeição até às 20h; evitar alimentos ricos em xantinas e cafeína (chás pretos, café, refrigerantes à base de cola); estabelecer uma rotina do sono e evitar praticar atividades físicas com regularidade após às 18h”, finaliza.

Sobre o SleepUp

Aplicativo que oferece atendimento integrado para insônia, com tratamento virtual e personalizado por profissionais de saúde e monitoramento contínuo com tecnologias vestíveis. Foi fundada em 2019. O aplicativo está disponível para aparelhos com sistema Android e, em breve, também para IOS.

Livro-caixinha traz dicas para uma boa qualidade do sono e evitar noites de vigilância

Pelo menos 73 milhões de brasileiros sofrem com algum distúrbio do sono – os dados são da Associação Brasileira de Sono. E, durante a pandemia, por conta do estresse, da ansiedade e da depressão, esse quadro parece ter piorado ainda mais. Para ajudar os leitores a terem uma boa noite de sono e prestar mais atenção nos detalhes que envolvem a qualidade desse repouso, a Matrix Editora lançou o livro caixinha Qualidade do Sono – 50 práticas para ajudar a dormir melhor de Abdré Barbosa.

São 50 cartões que podem ser lidos de forma aleatória e que contém dicas que vão desde os alimentos indicados para comer antes de dormir até sugestões do que pensar, falar, ler. Com isso, é possível se desligar um pouco das notícias, do mundo lá fora e focar no relaxar e no repouso tão fundamentais para que o dia seguinte seja produtivo.

Alguns exemplos:

A partir das 20h, eduque sua mente a trazer a concentração para o aqui e agora. Evite embarcar em pensamentos ansiosos do amanhã. Esses pensamentos estimulam o sistema ansiogênico: joga noradrenalina no corpo, aumenta o cortisol (hormônio do estresse) e deixa você em alerta, dificultando o sono.

Antes de dormir, agradeça por algo que aconteceu ao longo do seu dia. Feche os olhos e volte a atenção a, pelo menos, quatro coisas boas que aconteceram. Essa atividade, além de ajudar a desacelerar a mente, produz relaxamento pois cada memória boa está associada a experiências emocionais boas (mais dopamina) e isso ajuda a relaxar.

Tomar um copo de leite morno, além de ativar memórias sensoriais de quando éramos crianças, ajuda a relaxar de dentro para fora por causa da temperatura do leite. Também é rico em triptofano, um aminoácido precursor da serotonina, que ajuda a relaxar.

Sobre o autor
André Barbosa é psicólogo clínico especializado em terapia cognitivo-comportamental. Escreve mensalmente em blogs e jornais, além de criador e administrador de algumas das maiores páginas do Instagram (@opsicologo) e do Facebook (opsicologooficial) sobre psicologia. Já publicou pela Matrix Editora os livros-caixinha Desafios Comportamentais, Caixinha Antidepressão e Curativo Emocional.

Livro caixinha Qualidade do Sono – 50 práticas para ajudar a dormir melhor – Matrix Editora – Preço: R$ 37,00

Chá é bebida funcional mais popular do mundo; confira dicas para escolher o melhor para você

Entenda os diferentes benefícios dos diferentes tipos de chás e qual é o melhor para o seu objetivo. Sommelier de chá Fabi Calvo dá dicas para o preparo perfeito

Foto: Thiago Morgado

Você sabia que o chá é uma das bebidas mais consumidas do mundo? São consumidos anualmente cerca de 331 bilhões de litros da bebida quente e 41 bilhões de litros da versão gelada, de acordo com uma pesquisa da Euromonitor. A popularidade desta bebida milenar, preparada a partir das folhas da planta Camellia sinensis, não é à toa. Entre os motivos que os amantes da bebida têm para não abrir mão do consumo regular vão desde benefícios à saúde, emagrecimento, aliado da concentração e até como parte de tratamento de beleza.

“O poder do chá está fortemente relacionado às altas concentrações de antioxidantes presentes em suas folhas e que são liberados no líquido após a infusão, que pode ser realizada à quente ou a frio”, pontua a sommelier de chá Fabi Calvo. Essas substâncias protegem contra doenças do coração, AVC e câncer, além de auxiliarem na redução do mau colesterol – o LDL.

Além de mais qualidade de vida, o consumo da bebida pode conter o segredo para uma vida mais longa. De acordo com um estudo publicado no periódico científico da Sociedade Europeia de Cardiologia o consumo semanal de pelo menos 3 xícaras de chá pode acrescentar anos de vida.

Dicas para obter o máximo de sabor e benefícios do chá

Para extrair o máximo do potencial do chá, alguns cuidados precisam ser levados em conta na hora do preparo. “O tempo ideal de infusão varia de acordo com cada qualidade de chá, branco, verde, matcha, preto, amarelo… A temperatura da água é outro ponto que exige atenção, pois também precisa ser adequada, começando em 70ºC para chás mais delicados como o amarelo e o branco, podendo ir até 85ºC ou 90ºC para chás escuros. Se a água for quente demais as folhas queimarão o que compromete o sabor e a qualidade da bebida”, destaca Fabi.

Diferentes chás para cada objetivo

Emagrecimento:

O chá é uma excelente opção de bebida para quem está de dieta, buscando uma vida mais saudável ou mesmo tentando eliminar alguns quilinhos. A bebida é naturalmente sem calorias e ainda pode ajudar a acelerar o metabolismo.

Foto: Serving Joy

O chá puerh – o chá fermentado conhecido no Brasil como chá vermelho é o mais adequado para auxiliar no processo de emagrecimento. Pois, a cafeína, somada aos polifenóis, ajudam na diminuição da absorção de gordura potencializando a queima de gordura e perda de peso. “ Além disso, é importante não adoçar a bebida com açúcar, mel ou melado, pois isso adiciona calorias e pode causar ganho de peso”, pontua a sommelier de chá.

Os chás comprados prontos em latas e garrafas podem ser armadilhas, muitas das composições vendidas no mercado apresentam adição de açúcares, adoçantes artificiais e outros ingredientes que podem comprometer a tabela nutricional do produto.

Disposição:

Matcha

Para quem não gosta de café, ou deseja reduzir o consumo da bebida, mas precisa de um “gás” a mais no dia para dar conta das tarefas, o chá preto e matcha podem ser excelentes aliados. “Logo pela manhã tomar uma xícara de chá preto ou matcha ajuda a mandar o desânimo pra longe. O consumo do Matcha, que é um pó verde bem intenso e fininho, deve ser limitado a até 3 xícaras por dia, evitando o período da tarde e da noite e não excedendo 5 xícaras diárias, pois é extremamente estimulante devido à alta concentração de cafeína”, orienta a especialista em chás Fabi Calvo.

Digestão:

Sabe aquela sensação de que exagerou na comida? Ao invés de correr para a farmacinha para se automedicar, dê uma chance ao chá. Uma xícara de chá Oolong, também conhecido como chá azul, após o almoço ajuda a reduzir a sensação de estômago pesado por facilitar o processo digestivo.

Antes de dormir:

O mito de que não se deve tomar chá antes de dormir é na verdade um mal entendido. “De fato, algumas variáveis, como alguns Oolongs e Matcha devem ser evitados antes de dormir por possuírem ação estimulante. Contudo, nos chás branco, amarelo e verde, as substâncias responsáveis por essa excitação estão menos presentes e não interferem no sono, podendo inclusive ser aliados no processo de relaxamento”, explica Fabi.

Alimentação x insônia: saiba mais sobre alimentos que são aliados e inimigos do sono

Confira as dicas do psiquiatra Marco Abud sobre essa maneira funcional de combater o transtorno da insônia – mal que se instalou na população e se agravou ainda mais durante a pandemia

Irritabilidade, cansaço constante, dificuldade de concentração e de memorização: esses são alguns sintomas decorrentes da insônia, transtorno do sono que prejudica a capacidade das pessoas adormecerem ou terem um sono de qualidade e que interfere diretamente no bem estar e na rotina de quem sofre desse mal. Há quem apresente o quadro somente em momentos específicos da vida, devido a diversas fontes de estresse, mas há também aqueles em que a insônia se torna crônica, prejudicando o sono e a qualidade de vida por meses ou até anos, mesmo depois que o estresse inicial tenha passado.

De acordo com o psiquiatra Marco Abud, que por meio do canal Saúde da Mente, atualmente com mais de 1,3 milhão de inscritos no YouTube – o maior sobre a temática no Brasil -, promove conteúdos para conscientização sobre os transtornos que afetam o bem estar emocional da população, certos hábitos cotidianos podem intervir na qualidade do sono e, portanto, é possível ajustar algumas rotinas em busca de uma melhora na qualidade do sono. É o caso do consumo de alguns alimentos, que podem ser inadequados para quem tem dificuldades para dormir.

“Não é novidade que a alimentação interfere em diversos aspectos da saúde do corpo e da mente. No caso da insônia, certas substâncias podem piorar ou melhorar o quadro. É recomendado evitar alimentos que contenham cafeína, por exemplo, que estimula o sistema nervoso central através da liberação de dopamina, e adotar uma dieta rica em alimentos com nutrientes promotores de um bom sono. Alguns exemplos incluem o magnésio e triptofano – o primeiro auxilia na diminuição os níveis, organismo, do hormônio do estresse, o cortisol, e enquanto o segundo, auxilia a produção natural de melatonina”, explica o médico.

É necessário, também, dar atenção às refeições desde o período da manhã até a noite, dividindo bem as porções ao longo do dia para manter os níveis de glicose e insulina constantes. “De acordo com pesquisas, quem se alimenta de maneira equilibrada ao longo do dia tem menos fome no jantar e consequentemente não faz refeições pesadas à noite, o que evita o desconforto estomacal noturno que pode prejudicar o sono contínuo. O ideal é que a última refeição seja leve e rica em alimentos integrais, no máximo 1 a 2 horas antes de ir para cama” afirma Abud.

Pensando em auxiliar quem sofre com os sintomas da insônia a melhorar alguns hábitos que podem contribuir para o distúrbio, Marco Abud indica os alimentos que podem te ajudar ou não a ter uma boa noite de sono.

Alimentos que auxiliam no combate à insônia:

By Pink

Triptofano – alimentos ricos nesse aminoácido, como o leite, aveia, mel, queijo branco, tomate, kiwi e amêndoas, são excelentes no favorecimento da produção de melatonina no organismo, hormônio que regula o sono, além de atuar na e ajuda na produção de serotonina, substância conhecidamente associada à diminuição de ansiedade.

Magnésio – o mineral está presente no alho, banana, salmão, feijão e espinafre, e pode ajudar a melhorar a qualidade do sono, já que ele diminui os níveis de cortisol – hormônio relacionado ao estresse. Além disso, o magnésio também tem o poder de aumentar a Gaba, um neurotransmissor que inibe o funcionamento de todo o sistema nervoso e promove, assim, o relaxamento.

Ômega-3 – considerada uma gordura saudável, ela está presente nas sementes de linhaça e chia, na sardinha, no atum e nas nozes. O ômega 3 possui um importante efeito para redução da inflamação cerebral, o que é fundamental para que nosso cérebro possa adormecer com naturalidade.

Alimentos que podem atrapalhar o combate à insônia:

Luisa Sancelean/EyeEm/Getty Images

Álcool – é comum a crença de que o hábito de tomar uma taça de vinho antes de dormir pode trazer benefícios. O álcool é, de fato, uma substância que dá sono – a sua ingestão potencializa a Gaba. No entanto, o álcool causa um sono extremamente superficial, ou seja, um sono não reparador, fazendo com que a pessoa acorde cansada. Além disso, 8 a 12 horas após o uso de álcool, é comum que haja uma ansiedade rebote, com sintomas de palpitação, agitação, irritabilidade e até crises de ansiedade no dia seguinte.

Cafeína – é um estimulante presente em bebidas como café, chá preto e energéticos, conhecido por ter efeito sobre o sistema nervoso central e por aumentar o estado de alerta. Ela age bloqueando a adenosina, substância responsável pelo estado de sonolência e por isso, o seu consumo não é indicado após as 14 horas.

Açúcar – alimentos e bebidas açucaradas, como doces e refrigerantes, elevam os níveis de glicemia e aumentam a liberação da insulina, o que deixa a pessoa em estado de alerta devido ao pico glicêmico.

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Gorduras – o consumo de alimentos gordurosos, como frituras e alguns tipos de carnes, dificultam o esvaziamento gástrico, o que lentifica a digestão e deixa o estômago com uma sensação de “pesado.” A gordura saturada está relacionada ao aumento do cortisol (hormônio do estresse), além de diminuir a produção de leptina e elevar a produção de grelina, hormônios relacionados ao aumento da saciedade e ao aumento do apetite, respectivamente.

Foto: Own work

Sódio – alimentos com muito sal costumam aumentar a sede. Sendo assim, o consumo deste tipo de alimento próximo da hora de dormir não é indicado, pois a ingestão de água dará vontade de ir ao banheiro durante a noite, o que acabará prejudicando o período de sono e aumentará a chance de uma insônia intermediária.

Treinamento gratuito ensina técnicas para dormir melhor

Marco Abud promove entre os dias 16 e 19 de março a Maratona do Sono, na qual ensina as principais causas da insônia, dá dicas de alimentos, suplementos e fitoterápicos comprovadamente eficazes para melhorar o sono e orienta técnicas práticas, baseadas na na Terapia cognitivo-comportamental para insônia (TCC-I), para ajudar pessoas do outro lado da tela a re-treinarem seus cerébros para voltarem a dormir bem de forma natural. A TCC-I é considerada o padrão ouro no tratamento da insônia aguda e crônica, sendo considerada o método mais eficaz para tratamento a longo prazo da insônia e a estratégia que mais auxilia as pessoas a recuperarem a qualidade do sono sem depender de medicações sedativas.

A TCC-I é composta por uma série de estratégias cientificamente comprovadas que tem o objetivo de “ensinar” nosso cérebro e nosso corpo a desligar à noite, na hora certa, enquanto se mantém alerta durante o dia. Com inscrições gratuitas e aberto a todos os interessados, o objetivo do treinamento virtual é oferecer subsídios, com técnicas cognitivas e comportamentais, para a retomada de um sono mais tranquilo.

“Mesmo a distância, os benefícios da adoção dessas técnicas vêm sendo provados. Um estudo da Universidade de Michigan, divulgado no ano passado, destacou que pacientes que buscaram a terapia por meio da telemedicina tiveram respostas tão positivas quanto aqueles que passaram pessoalmente pelo processo. E isso abre frentes que podem possibilitar um acesso mais amplo e democrático ao cuidado especializado – ainda mais essencial diante de todos os reflexos da pandemia em nossas vidas”, frisa Abud.

Inscrições e informações: Dr. Marco Abud

Sono ruim vai muito além do cansaço diurno e pode levar à perda de memória

No Dia Mundial do Sono, Hospital Paulista ressalta a importância do diagnóstico e do tratamento dos distúrbios mesmo em meio à pandemia de Covid-19

A pandemia de Covid-19 já dura mais de um ano e segue afetando diversas atividades cotidianas. Um dos exemplos mais claros é o sono, fortemente prejudicado pela mudança na rotina e pelo estresse que deriva de várias fontes: preocupação com a própria saúde e de familiares, desemprego e falta de perspectivas para o retorno às atividades “normais”.

No Dia Mundial do Sono, lembrado hoje, 19 de março, países em todo o mundo chamam a atenção para o fato de que as pessoas reduziram – e muito – a qualidade de seu sono, e isso deverá ter efeitos mesmo após a pandemia passar.

“O sono é influenciado por diversos fatores, e o retorno a um sono de qualidade poderá demorar a acontecer, principalmente quando não for associado a diagnóstico e tratamento específico”, avalia Nilson André Maeda, otorrinolaringologista especialista em Medicina do Sono do Hospital Paulista.

Pesquisas recentes indicam que o número de pessoas com insônia no Reino Unido aumentou de uma em seis para uma em quatro durante a pandemia. Na Grécia, o problema foi relatado por 40% dos entrevistados, enquanto na China a taxa de insônia subiu de 14% para 20% durante o isolamento social.

“Confinadas, as pessoas perderam diversos referenciais e o período de sono foi um dos primeiros a serem afetados. A rotina de trabalho remoto, associada aos cuidados com a casa, por exemplo, fizeram com que o horário tradicional de dormir e acordar fossem severamente modificados, gerando problemas como irritabilidade e sonolência durante o dia”, completa o médico, responsável pelo Ambulatório de Medicina do Sono do Hospital Paulista, que atua no diagnóstico e no tratamento de problemas relacionados ao tema.

Apneia e memória

Apesar de ser muitas vezes negligenciado pelas pessoas, o sono de má qualidade influencia na ocorrência de doenças mais graves ao longo da vida. Pesquisa realizada pela Universidade da Califórnia, em Los Angeles, nos Estados Unidos, por exemplo, indicou que pessoas com apneia obstrutiva do sono sofrem perda de tecido em regiões do cérebro que auxiliam no armazenamento da memória. O estudo foi publicado na revista Neuroscience Letters.

Neste tipo de apneia, a respiração é obstruída por diversas vezes durante o sono. Trata-se de um problema que, muitas vezes, só é identificado através da avaliação de um especialista e de exames específicos, já que o próprio paciente pode ter dificuldade para notar o quadro.

“Na apneia obstrutiva do sono, a via respiratória alta é bloqueada, interrompendo a respiração e reduzindo a oxigenação, de maneira intermitente. Muitas vezes, quem nos auxilia no diagnóstico é quem compartilha a cama com o paciente, além do exame de polissonografia. Geralmente, a história é de ronco alto, sonolência diurna e queixa de um sono não reparador. O tratamento pode ser clínico, cirúrgico ou a associação dos dois, após uma avaliação individualizada de cada paciente”, afirma o otorrinolaringologista.

O estudo demonstrou que a dificuldade em respirar durante o sono pode levar a danos cerebrais e prejuízos para a memória e raciocínio.

Muito mais que cansaço

A crença de que noites mal dormidas geram “apenas” dias cansativos é falsa, portanto. Não bastasse a sonolência durante o período diurno, o sono de má qualidade tem a capacidade de deixar os indivíduos mais irritados, dispersos, esquecidos, improdutivos enquanto estão acordados e até perigosos, caso estejam dirigindo um automóvel.

“Além disso, diversos problemas de sono, como o ronco, deterioram a qualidade de vida também de companheiros e companheiras que convivem com os pacientes. Em um período de confinamento e grande estresse, esse tipo de conflito pode gerar grandes danos a relacionamentos e à própria saúde emocional de famílias inteiras. É extremamente importante respirarmos bem durante o sono, sem obstrução nasal ou faríngea”, afirma o médico, ressaltando a importância do tratamento.

“O diagnóstico e o tratamento médico adequados permitem reduzir e, em alguns casos, eliminar problemas de sono responsáveis por deteriorar a qualidade de vida das pessoas. São distúrbios que não devem ser ‘deixados para depois’. É preciso e aconselhável buscar auxílio médico. E lembrando que, em tempos de necessidade de uma boa imunidade, é fundamental termos a quantidade e a qualidade de sono adequadas”, finaliza.

Fonte: Hospital Paulista de Otorrinolaringologia

Dia Mundial do Sono: a importância de uma noite bem dormida para o corpo humano na pandemia

Segundo dados da Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico Covid-19 (Vigitel), 41,7% dos entrevistados apontaram ter alguma dificuldade para dormir

O sono é uma peça-chave para o funcionamento adequado do nosso organismo, principalmente, durante a pandemia da Covid-19. Isso é o que mostra um estudo realizado, em 2020, pela Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico Covid-19 (Vigitel). O estudo, feito no Brasil com 2.007 pessoas, entre os dias 25 de abril e 05 de maio de 2020, destaca que 41,7% dos entrevistados relataram alguma alteração do sono, como dificuldade para dormir.

A pesquisa ainda indica outros agravantes à saúde mental dos brasileiros relacionados com a pandemia da Covid-19. Segundo a pesquisa: 35,3% relataram falta de interesse em fazer as coisas e 32,6% disseram se sentir para baixo ou deprimido.

Nesse sentido, o Dia Mundial do Sono, lembrado hoje, 19 de março, foi criado pela Associação Mundial de Medicina do Sono (World Association of Sleep Medicine – WASM) e tem como objetivo destacar a importância do sono na qualidade de vida, na saúde, no desempenho profissional, escolar e na sociedade.

No ser humano, o sono é constituído de duas fases: sono não-REM e o sono REM. O sono REM é considerado uma fase fundamental para fixação da memória, quanto o sono não-REM possui importantes funções regenerativas.

Durante o sono não-REM, nosso sono passa por três estágios diferentes: o primeiro, como uma transição da vigília para o sono, mas ainda de forma leve; o segundo, trata-se de uma desconexão do cérebro com os estímulos do mundo que nos cerca; e, o terceiro, é considerado um sono profundo, o período de maior regeneração cerebral.

O sono REM, é a fase do sono que se caracteriza por movimentos oculares rápidos, sonhos exuberantes, atividade cerebral intensa e movimentos musculares involuntários. O sono REM ajuda na fixação de memória, e regulação das emoções. Auxilia na prevenção problemas mentais e psicológicos, como ansiedade e depressão.

Todos esses estágios ocorrem de forma cíclica durante uma noite completa de sono. Enquanto dormimos, nosso cérebro passa diversas vezes por todas as fases de sono, criando pequenos ciclos durante toda a noite. Assim, um adulto normal costuma apresentar 5 ciclos de sono, podendo, cada um deles, durar em média de 90 minutos.

Dessa maneira, mesmo quando dormimos menos tempo que o ideal ainda temos um pouco do benefício de cada fase do sono.

De acordo com a National Sleep Foundation, importante organização sem fins lucrativos dos Estados Unidos, que se dedica a melhorar o sono e o bem-estar por meio da educação e defesa do sono, destaca que, com o passar dos anos, cada faixa etária demanda um número de horas para um processo de sono correto. As principais são:

=Recém-nascido (até 3 meses): de 14 a 17 horas
=Primeira infância (de 1 a 2 anos): de 11 a 14 horas
=Fase escolar (de 3 a 5 anos): de 10 a 13 horas
=Adolescente (de 14 a 17 anos): de 8 a 10 horas
=Adulto Jovem e Adultos (de 18 a 64 anos): de 7 a 9 horas
=Idoso (a partir de 65 anos): de 7 a 8 horas

De acordo com dados da Associação Brasileira do Sono, 60% dos brasileiros dormem menos de sete horas por noite. Uma outra informação ainda mais alarmante do Detran indica que 20% dos acidentes de trânsito estão associados à sonolência ao conduzir.

Assim, em um mundo agitado como o que vivemos, sem deixar de lembrar as consequências negativas que o atual cenário pandêmico também nos causa, uma noite de sono maldormida tem sérios efeitos negativos. Estes podem ser sentidos a curto, médio e longo prazo. Com o tempo, uma noite de sono maldormida pode afetar a imunidade levando ao surgimento de infecções, desregular o metabolismo, aumentando o risco de obesidade, hipertensão, diabetes e envelhecimento.

Segundo o Ministério da Saúde, há uma relação importante entre o curto período de sono e o aumento do índice de IMC. O que pode ser explicado, inclusive, por mudanças hormonais decorrentes de uma noite de sono maldormida. Dormir pouco e mal, altera o padrão dos hormônios que controlam a fome, ou seja, reduz os níveis de leptina (hormônio responsável por reduzir o apetite) e aumentam os níveis de grelina (responsável por estimular o apetite).

“É muito importante que, já aos primeiros sinais de dificuldades para dormir, as pessoas busquem ajuda médica adequada. Isso é primordial na prevenção de outras doenças que podem ser manifestadas silenciosamente e muito prejudiciais à saúde”, afirma Alexandre Venturi, médico neurologista da clínica Imuvi.

Apneia do sono

Existe ainda um outro ponto de extrema importância. Os distúrbios do sono. São doenças que se manifestam durante a noite, mas que afetam negativamente a saúde durante o dia. Alguns dos mais comuns são a insônia, a apneia obstrutiva do sono e a síndrome das pernas inquietas. A insônia, é caracterizada pela dificuldade de iniciar o sono, mantê-lo continuamente durante a noite ou pelo despertar antes do horário desejado e que causa sintomas durante o dia.

Já a apneia obstrutiva do sono ocorre quando há dificuldade na passagem do ar pelas vias aéreas durante o sono, levando a rápidos episódios de parada ou importante redução do fluxo de ar que deveria chegar aos pulmões. Em muitos casos, juntamente com essa “parada”, a pessoa pode acordar e/ou emitir um ronco muito barulhento.

Na síndrome das pernas inquietas há um distúrbio caracterizado por um desconforto nos membros inferiores (pernas) que é aliviado ao movimentá-los. Os sintomas são mais evidentes à noite e interrompem o processo de adormecimento cerebral, levando a uma importante dificuldade de dormir.

“A insônia, a apneia e a síndrome das pernas inquietas, dentre outros, são distúrbios que podem acometer todas as pessoas, sejam homens ou mulheres, em diversas idades. Por isso, uma noite de sono reparadora é uma questão de saúde pública muito importante e que não deve ser minimizada”, conclui o especialista.

Fonte: Clínica Imuvi HSANP – R. Maria Amália Lopes Azevedo, 147 – Tremembé – Telefone: (11) 3531-6666