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Quarentena: nutricionista afirma existirem muitos mitos em relação à alimentação

Enquanto o mundo não encontra a vacina que possa ajudar na contenção da pandemia do novo coronavírus, a sociedade tenta se precaver das mais variadas maneiras. Em meio ao isolamento social, as pessoas estão procurando por alimentos milagrosos visando aumentar a imunidade e prevenir da contaminação pela Covid-19. Mas será que existe apenas um alimento capaz de imunizar a população?

De acordo com Sophie Deram, nutricionista doutora da USP e autora do best-seller “O peso das Dietas”, da editora Sextante, a resposta é não. “Não existe receita milagrosa, infelizmente. Não há nenhum alimento capaz de aumentar a nossa imunidade do dia para a noite. Se tem alguém pregando isso, está sendo irresponsável”, explica.

Para ajudar a desvendar os principais mitos sobre a alimentação durante a quarentena, a especialista elenca os cinco alimentos que são colocados como salvadores e que não possuem embasamento científico para prevenir o contágio ou curar a doença.

Vitamina C

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Foto: Nicole Franzen

No final do mês passado, foi divulgada pelo Ceasa uma pesquisa que mostrou um aumento de 30% no consumo de frutas cítricas em março. Sucesso entre os brasileiros, frutas como laranja, uva e ameixa passaram a fazer ainda mais parte das compras. Mas, para Sophie, não é somente a vitamina C que protege o organismo contra o vírus: “A vitamina C pode ajudar, mas não é a única responsável por nos defender contra o novo coronavírus. Não podemos olhar para somente um único nutriente. A imunidade é muito mais complexa do que só tomar suplementos e frutas cítricas. A melhor coisa que podemos fazer para alimentar melhor o nosso corpo é consumir uma comida caseira e fresca”, aconselha.

Vitamina D

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Imagem: Nursing.com

Uma recente suposta pesquisa da Universidade de Turim, na Itália, mostrou que a vitamina D poderia prevenir a doença causada pelo novo coronavírus e ter bons resultados em pacientes infectados. Essa informação, que não veio de uma pesquisa, mas de uma hipótese que foi levantada, fez com que diversas pessoas começassem, até mesmo, a comprar suplementos. “Não há evidências científicas que comprovem que o reforço da imunidade e imunomodulação usando vitamina D são as únicas maneiras de prevenir a infecção pelo coronavírus. Se acreditamos em tudo o que lemos sobre alimentação, nutrição e saúde é provável que fiquemos mais confusos do que informados”, alerta Sophie.

Suplementos

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Um dos grandes mitos, de acordo com a especialista, é a superdosagem de alimentos e suplementos durante o período de isolamento social. “Você não vai aumentar sua imunidade do dia para noite tomando suplementos. As pessoas acham que, quanto mais suplementação tomarem, mais ficarão imunizados. A superdosagem é tão prejudicial quanto não ter o suficiente. Qualquer suplementação deve ter acompanhamento de um profissional”, elucida.

Alimentos alcalinos

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Foto: Michelle Bulgaria/Morguefile

Durante o mês de março, circulou na internet uma informação falsa dizendo que pelo fato do pH do novo coronavírus variar entre 5,5 e 8,5, ingerir alimentos que possuíam pH maiores, seria o suficiente para combater uma eventual contaminação. Sendo assim, alimentos como manga, abacaxi, limão, alho, laranja e tangerina seriam componentes para a fórmula mágica. Para a nutricionista, falar que os alimentos alcalinos afastam o novo coronavírus é propagar fake news. “Não acredito em alimentação alcalina. Como pesquisadora, jamais li algo que dissesse que alimentos alcalinos evitam a contaminação pelo vírus. Não há fórmula mágica para nos proteger contra a pandemia”, afirma Sophie.

Veganismo

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Em meio a diversas fake news que são divulgadas diariamente sobre a alimentação durante a quarentena, uma das que mais chamou a atenção foi em relação ao veganismo. Alguns atores famosos aconselharam seus fãs a fazer uma dieta vegana em busca de uma alimentação mais balanceada. Para Sophie, fazer dieta vegana sem orientação de especialista, neste momento, acarretaria no aumento do risco de algumas deficiências nutricionais. “Dietas que excluem toda proteína animal podem trazer carências especialmente em vitamina B12, cálcio, ferro, ômega 3 e zinco, que são essenciais para o desenvolvimento de crianças, por exemplo. Em 2019, a OMS se retirou e desistiu de apoiar uma campanha que incentiva dietas veganas”, complementa. No final das contas, a melhor coisa para fazer para se proteger do vírus é ficar em casa, com distanciamento social e lavando as mãos regularmente. Para aumentar a imunidade, é um conjunto de fatores: “Alimentação adequada é um deles, bom sono, atividade física e também uma gestão do estresse, pois excesso dele ou a ansiedade podem afetar a nossa saúde mental e piorar a nossa imunidade”, finaliza Sophie.

Fonte: Sophie Deram é engenheira agrônoma de AgroParisTech (Paris), nutricionista franco-brasileira e doutora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) no departamento de Endocrinologia. Além de especialista em tratamento de Transtornos Alimentares pelo Ambulim – Programa de Transtornos Alimentares do Instituto de Psiquiatria do HCFMUSP, é coordenadora do projeto de genética e do banco de DNA dos pacientes com transtorno alimentar no Ambulim.

Nutricionista dá dicas de como economizar ao fazer compras

Nos supermercados, em geral, as pessoas podem encontrar tudo o que precisam para a semana. Mas, para a nutricionista Sophie Deram, autora do livro O Peso das Dietas, o ideal é privilegiar as feiras livres, pois é bastante agradável conversar com os vendedores e clientes e ganhar dicas para escolher alimentos ou receitas.

Já se falta tempo durante a semana, vale à pena procurar uma feira próxima de casa no fim de semana. Talvez seja um pouco mais cara, mas também pode ser um passeio gostoso. É claro que vale fazer compras semanais para ter alimentos frescos e, desse jeito, melhorar a sua qualidade alimentar. Leve em conta as seguintes dicas na hora das compras:

1. Se possível, faça um cardápio antes. Ao planejar o cardápio e verificar todos os produtos que tem em casa, ficará mais consciente dos alimentos que precisa comprar.

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2. Faça uma lista do que precisa comprar e leve-a com você. Com o cardápio planejado, você vai conseguir fazer uma lista de modo a não esquecer nada. Assim, não se deixará influenciar pela propaganda e não fará compras por impulso, e pode também economizar.

03. Não vá ao supermercado com fome. Isso vai fazer com que escolha produtos desnecessários e perca o foco do que realmente precisa comprar.

04. Varie! Tente não comprar tudo igual sempre que for ao supermercado. Quando tiver um pouco de tempo, vá às feiras e procure alimentos frescos. Divirta-se escolhendo novos alimentos.

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05. Compre alimentos da época e dos locais onde vive, pois eles são mais frescos e mais econômicos.

06. Prefira alimentos verdadeiros, em vez de alimentos processados ou pré-cozidos.

07. Cuidado com as promoções. Compare os preços entre os itens porque nem sempre compensa comprar algo em promoção e, na maioria das vezes, esses produtos estão próximos do prazo de validade.

08. Compre os alimentos refrigerados por último, para diminuir o tempo que eles ficarão fora da geladeira.

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Foto: Aimee Law

09. Procure fazer da sua ida às compras uma tarefa agradável e interessante, algo que você pode fazer com as crianças e, inclusive, pedir a ajuda delas.

Sobre a autora: Sophie Deram é nutricionista francesa e brasileira naturalizada, com doutorado em Endocrinologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). Formou-se originalmente engenheira agrônoma na França e então estudou nutrição, primeiro na França e depois no Brasil. er dos alimentos verdadeiros para resgatar a saúde e chegar ao peso saudável.

Nutricionista escreve livro contra regimes alimentares restritivos

Quer emagrecer? Pare de fazer dietas!

A obra O peso das dietas traz uma nova maneira de ver a nutrição. Publicado pela Editora Sensus, o livro é baseado em estudos científicos pesquisados pela nutricionista Sophie Deram que comprovam: “as dietas são, em longo prazo, a mais importante fonte de ganho de peso das pessoas”.

Sophie vem para ensinar e alertar sobre o perigo das dietas. Segundo a autora, que é doutora em Endocrinologia pela USP (Universidade de São Paulo), não fazê-las é o caminho para viver com qualidade e com o peso saudável. Ou seja, não, não é preciso cortar o glúten ou se alimentar apenas de proteínas.

Com uma abordagem inédita, Sophie foi a fundo em todas as pesquisas feitas sobre o tema nos últimos anos e chegou a uma conclusão: os famosos regimes podem até funcionar no começo, mas cerca de 90% ou 95% das pessoas voltam ao peso inicial, ou até o ultrapassam. O leitor vai aprender que isso acontece porque o cérebro não entende esta mudança repentina na alimentação como algo benéfico, pelo contrário. “O seu cérebro não percebe a perda de peso como um sucesso de beleza; percebe-a como um grande perigo, por isso, desenvolve mecanismos de adaptação para proteger você”, explica.

Partindo do estudo da nutrigenômica – a ciência que trata de como os alimentos conversam com nossos genes –, Sophie apresenta um método científico e revolucionário, em que a contagem de calorias e as restrições alimentares radicais ficam proibidas, ou seja, para emagrecer, nada de dieta.

“Fazer uma dieta restritiva é uma das coisas que mais assusta e estressa o seu corpo e o seu cérebro.”

A obra é muito bem estruturada por Sophie, em cinco capítulos: Vivemos hoje um terrorismo nutricional, Não sabemos mais o que comer, O poder do cérebro, Os segredos de Sophie e os Segredos de Sophie na Prática. De maneira clara e objetiva, ela conta seus “Sete Segredos” para emagrecer de forma sustentável e resgatando o prazer de comer alimentos verdadeiros. Ao final do livro há uma seção de dicas sobre como organizar o seu dia a dia na cozinha, com mais de 50 receitas saborosas e fáceis de preparar, muitas delas enviadas pelos seus amigos do mundo todo!

É surpreendente se deparar com uma receita de bisteca de porco com shoyu e arroz num livro de uma nutricionista?! Para muitos, esta refeição, pode ser considerada um prato extremamente restrito, mas não para Sophie! “Quero mostrar o quanto é importante escutar seu corpo e não obrigá-lo a seguir numa direção que ele não quer!”, afirma.

“Estamos cada vez mais em guerra com o nosso corpo. Em vez de cuidar dele da melhor maneira possível, tentamos obrigá-lo a seguir numa direção que ele muitas vezes não quer ir, porque sabe que não é a direção mais saudável.”

Francesa e naturalizada brasileira há 10 anos, Sophie Deram foi convidada a palestrar no evento TEDx Jardins Women. O objetivo principal ao escrever o livro é fazer com que a sociedade reflita sobre os riscos à saúde que podem ser provocados por regimes alimentares restritivos, além de fazer com que as crianças de hoje em dia já cresçam com um pensamento saudável.

“Espero também alertar os pais de crianças que hoje crescem encarando com dificuldade uma alimentação normal e variada, que se sentem culpadas ao cometer alguns excessos em dias de festas, ou de ir a um fast food de vez em quando, ou de comer uma fatia de pizza ou de bolo”, finaliza a profissional, que defende o consumo de alimentos verdadeiros e o resgate da culinária familiar.

o peso da dieta

Sobre a autora

Sophie Deram é nutricionista francesa e brasileira naturalizada, com doutorado em Endocrinologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). Formou-se originalmente engenheira agrônoma na França e então estudou nutrição, primeiro na França e depois no Brasil. Concentrou suas pesquisas em obesidade infantil, nutrigenômica, transtornos alimentares e neurociência do comportamento alimentar. É também pesquisadora no ambulatório de obesidade infantil, no Instituto da Criança, e no Ambulatório do Programa de Transtornos Alimentares (AMBULIM) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. É coordenadora do projeto de genética e do banco de DNA dos pacientes com transtorno alimentar no AMBULIM. Como especialista em comportamento alimentar, estilo de vida saudável e perda de peso, Sophie é ativista contra as dietas restritivas e inspira incontáveis indivíduos, no consultório e nas mídias sociais, a viver uma vida mais feliz e a transformar sua relação com os alimentos, mudando seu mundo familiar, e fazendo as pazes com seu corpo e os alimentos. Ela acredita no prazer de comer e no poder dos alimentos verdadeiros para resgatar a saúde e chegar ao peso saudável.

Informações: Facebook