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Spray nasal é novidade para pacientes com depressão resistente ao tratamento

Escetamina intranasal inaugura nova classe terapêutica e chega como uma das principais inovações para a doença nas últimas décadas

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) acaba de aprovar Spravato (cloridrato de escetamina) para o tratamento de sintomas depressivos em pacientes adultos de duas subpopulações com transtorno depressivo maior (TDM):

• Depressão Resistente ao Tratamento (DRT) – quando há falha de duas terapias anteriores utilizadas nas doses e tempo adequados;

• Rápida redução dos sintomas depressivos em pacientes adultos com TDM com comportamento ou ideação suicida aguda.

O medicamento é um spray nasal e deve ser usado em combinação com um antidepressivo oral. “A depressão é uma doença frequente e incapacitante que afeta tanto os pacientes quanto as pessoas à sua volta. Esse é o primeiro tratamento com um mecanismo de ação realmente inovador aprovado em décadas e oferece uma nova opção para responder às necessidades não atendidas dos pacientes e da comunidade médica”, explica Pedro do Prado Lima, psiquiatra do Instituto do Cérebro da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.

Desenvolvido pela Janssen, farmacêutica da Johnson & Johnson, o spray nasal de escetamina é o primeiro de sua classe de medicamentos antidepressivos aprovado pela Anvisa e surge como uma das principais inovações para o tratamento da doença em décadas [1,2]. A escetamina intranasal age nos receptores de glutamato N-metil-D-aspartato (NMDA), que ajudam a restaurar as conexões sinápticas em células cerebrais de pessoas com depressão. Devido ao novo mecanismo de ação, o medicamento funciona de maneira diferente das terapias atualmente disponíveis para o TDM.

“Estamos muito orgulhosos em disponibilizar a escetamina intranasal para pacientes brasileiros com tipos de depressão bastante incapacitantes, para os quais as opções de tratamento eram escassas”, explica Fabio Lawson, psiquiatra e Diretor Médico da Janssen Brasil. “A aprovação da escetamina reflete o compromisso de longa data da Janssen com pesquisa para ajudar pessoas com doenças mentais, incluindo transtornos de humor graves”.

O medicamento tem demonstrado rápido início de ação com perfil risco-benefício favorável e tolerabilidade do paciente ao tratamento. Os resultados de dois ensaios clínicos idênticos de Fase 3 demonstraram que a escetamina em conjunto com a terapia padrão reduziu os sintomas depressivos em até 24 horas após a primeira dose. Para assegurar seu uso correto, a escetamina intranasal será administrada em hospitais e clínicas autorizadas, sempre sob supervisão de um profissional de saúde.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a depressão afeta cerca de 300 milhões de pessoas de todas as idades e é considerada a doença mais incapacitante do mundo. Embora os antidepressivos atualmente disponíveis sejam eficazes para muitos pacientes, cerca de um terço dos indivíduos não responde ao tratamento. No Brasil, aproximadamente 5,8% da população, o equivalente a mais de 10 milhões de pessoas, apresentam sinais de depressão, fazendo com que o país tenha a maior prevalência da doença na América Latina .

“O Brasil ainda pode avançar nas políticas públicas relacionadas à saúde mental. Por exemplo, o código da Classificação Internacional de Doenças (CID) para depressão não é universalmente usado no Brasil para o diagnóstico formal da doença, o que significa que não há como mensurar adequadamente o tamanho dessa população. Esse é um transtorno que, quando tratado corretamente, os pacientes podem voltar a ser socialmente produtivos e, por isso, nos comprometemos a ajudar essa população de pacientes”, explica Teng Chei tung, Psiquiatria do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas – FMUSP.

A aprovação para tratar depressão resistente foi baseada em um robusto programa de ensaios clínicos que envolveu mais de 1.700 adultos com DRT sendo: três estudos de curto prazo; um estudo de manutenção de efeitos e outro que avaliou segurança a longo prazo. Os resultados de curto prazo de quatro semanas, publicados no The American Journal of Psychiatry, com a escetamina intranasal associada a um antidepressivo oral, mostraram que os pacientes tiveram melhoras superiores nos sintomas da depressão quando comparados àqueles que utilizaram o antidepressivo oral e placebo.

Já os resultados do estudo de longo prazo, publicados na JAMA Psychiatry, mostraram que os pacientes que alcançaram a remissão (ou em outras palavras, um nível de melhora dos sintomas que grande parte dos sintomas incômodos) demonstraram uma redução de 51% na chance de recaída se continuassem utilizando o tratamento com escetamina intranasal, uma vez a cada duas semanas, em comparação com aqueles pacientes que deixaram de fazer o tratamento continuado com o spray intranasal. Os eventos adversos mais comuns observados durante o tratamento com escetamina incluem dissociação, tontura, náusea, sedação, sensação de girar, visão embaçada, sentido reduzido de toque e sensação, ansiedade, falta de energia, pressão arterial elevada, vômito, parestesia e sensação de embriaguez .

“Estamos muito orgulhosos em compartilhar os dados sobre a manutenção dos efeitos do tratamento no momento da aprovação da escetamina, pois isso mostrará aos psiquiatras como o benefício obtido com a escetamina intranasal pode ser mantido ao longo do tempo”, comenta Lawson.

Já a aprovação para a rápida redução dos sintomas depressivos em pacientes adultos com Transtorno Depressivo Maior com comportamento ou ideação suicida aguda foi baseada nos resultados de dois ensaios clínicos de Fase 3 que envolveram mais de 450 pacientes com transtorno depressivo maior com comportamento ou ideação suicida, incluindo pacientes brasileiros [10].

As análises avaliaram o uso combinado do spray nasal de escetamina com o tratamento padrão, que incluiu hospitalização voluntária por tempo determinado e terapia antidepressiva recentemente iniciada e/ou otimizada. Ambos os estudos mostraram que aqueles que receberam escetamina intranasal, além da terapia padrão, apresentaram melhora estatisticamente superior dos sintomas depressivos em até 24 horas após a primeira dose, quando comparado com placebo mais terapia padrão.

Nos dois ensaios de Fase 3, a melhora na gravidade da suicidalidade em 24 horas foi medida usando uma escala global padronizada. A diferença de tratamento entre os dois grupos não foi estatisticamente significativa neste desfecho secundário (endpoint) e, por isso, mesmo que o paciente apresente melhoras com as doses iniciais do medicamento, seu uso não dispensa a necessidade de hospitalização, caso clinicamente justificada. Tanto a escetamina intranasal quanto o placebo em combinação com tratamento padrão mostraram uma redução semelhante nesse contexto.

O perfil de segurança observado nos ensaios foi consistente com estudos anteriores da escetamina em DRT, acrescentando-se evidências de segurança e eficácia. Os efeitos colaterais mais comuns incluíram dissociação (sensação de desconexão de si mesmo, de seus pensamentos, sentimentos, espaço e tempo), tonturas, sedação (sonolência), aumento da pressão arterial, hipoestesia, vômitos, humor eufórico e vertigem.

Transtorno Depressivo Maior (Depressão)

A depressão é uma doença de base biológica caracterizada por tristeza persistente ou recorrente e perda de interesse em atividades, acompanhada pela incapacidade de desempenhar tarefas diárias por pelo menos duas semanas . Atualmente, é considerada a principal causa de incapacidade em todo o mundo.

O Brasil é o 5º país no mundo em número de pessoas com depressão9, . Dados do estudo observacional TRAL (Treatment-Resistant Depression in America Latina), realizado na América Latina com quase 1500 pacientes, demonstraram que no Brasil cerca de 40% das pessoas com transtorno depressivo maior têm depressão resistente . Estudos mostram ainda que, a cada novo episódio, as chances de responder ao tratamento padrão diminuem consideravelmente. Enquanto as perspectivas de resposta na primeira linha de terapia são de 49%, quando a doença se torna resistente, esse número cai para 17%.

Sobre Spravato (escetamina) Spray Nasal

A escetamina intranasal está aprovada no Brasil para Depressão Resistente ao Tratamento (DRT) e para a rápida redução dos sintomas depressivos em pacientes adultos com TDM com comportamento ou ideação suicida aguda. O medicamento, utilizado em associação com antidepressivos orais, já é comercializado nos EUA, Canadá, União Europeia (UE) e vários outros países do mundo para a indicação de DRT. Além disso, a agência regulatória americana Food and Drug Administration (FDA) aprovou recentemente o spray nasal de escetamina, utilizado em conjunto com um antidepressivo oral, para a rápida redução dos sintomas depressivos em pacientes adultos com TDM com comportamento ou ideação suicida aguda.

O produto não demonstrou efetividade na prevenção do suicídio ou na redução da ideação ou comportamento suicida. Mesmo que o paciente melhore com as doses iniciais de escetamina, o uso do medicamento não dispensa a necessidade de hospitalização, caso clinicamente justificada.

Fonte: Janssen

Livro Vida Após o Suicídio é voltado àqueles que foram impactados pela perda

Criado para divulgar a importância da prevenção do suicídio, o Setembro Amarelo é também oportunidade para destacar a pósvenção: os cuidados especiais com aqueles que foram impactados pela perda de um familiar ou amigo que decidiu tirar a própria vida. Você já pensou nisso?

Aos sentimentos de rejeição e culpa por não ter conseguido evitar o suicídio de um ente querido se soma a culpa que os outros costumam imputar às pessoas mais próximas de quem se matou. E assim aumentam o trauma e a vergonha relacionados ao suicídio na nossa sociedade. A pósvenção, portanto, não deixa de ser uma forma de prevenção, por minimizar o risco de comportamento suicida em quem vive esse tipo de luto tão complicado e estigmatizado.

A famosa médica Drª Jennifer Ashton – figura frequente nos programas de TV norteamericanos Good Morning America, The Dr. Oz Show e The Doctors – viveu tudo isso na pele, quando o pai de seus filhos se suicidou em fevereiro de 2017, logo após assinarem o divórcio. O livro “Vida Após Suicídio”, em que conta sua perda pessoal e as etapas da recuperação dela e dos filhos, chega este mês ao Brasil pela Editora nVersos.

O objetivo da autora com a obra é estender a mão a tantos milhares de pessoas ao redor do planeta que vivem essa dor. Em 2016, foram 800 mil mortes por suicídio no mundo – em média, um a cada 40 segundos -, segundo o último levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS). Para cada caso, calcula-se que de seis a dez pessoas (amigos e familiares) são direta e significativamente impactadas.

O suicídio não tem preconceito, atinge todas as classes sociais, todas as culturas, todas as idades. E é hoje uma questão mundial de saúde pública. Em mais de 90% das vezes, os suicídios estão associados a doenças mentais (principalmente depressão, bipolaridade, esquizofrenia, dependência química e alcoólica), que também costumam ser pouco compreendidas pela sociedade.

Jennifer Ashton relata sua vivência e as histórias de vários outros “sobreviventes do suicídio” com quem conversou, com respeito e compaixão por aqueles que decidiram partir. Seu livro é um espaço seguro e acolhedor para quem precisa de coragem para seguir em frente com sua vida. Sua missão é romper tabus e fortalecer as redes de apoio que encontrou quando precisou para oferecer o mesmo conforto a qualquer um que, de repente, se encontre na mesma situação.

 Vida Após Suicídio – Encontrando coragem, conforto e acolhimento após a perda de uma pessoa querida
Autora: Jennifer Ashton, M.D.
Editora: nVersos
Nº de páginas: 208
Formato: 14 cm x 21 cm
Acabamento: Brochura
Preço: R$ 42,00

Setembro Amarelo: atenção e prevenção ao suicídio na quarentena

Os desafios impostos pela pandemia de Covid-19 e pelo isolamento contribuem para o aumento das doenças mentais, a exemplo da depressão e transtornos de ansiedade. A necessidade de se adaptar ao home office e rotina intensa de trabalho neste momento, com inúmeros compromissos virtuais e em muitos casos aumento do serviço doméstico, também tem elevado os níveis de estresse e ansiedade.

Embora não haja estudos aprofundados sobre isso, uma pesquisa da Associação Brasileira de Psiquiatria, realizada em maio deste ano, revelou que 89,2% dos especialistas entrevistados destacaram o agravamento de quadros psiquiátricos em seus pacientes, devido aos efeitos do novo coronavírus na sociedade.

O momento de maior vulnerabilidade demanda atenção redobrada para a campanha Setembro Amarelo, criada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e pelo Centro de Valorização da Vida (CVV). O objetivo é promover a informação sobre saúde mental e a prevenção do suicídio.

Todos os anos, cerca de 11 mil brasileiros tiram a própria vida. No mundo, o número de suicídios, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), é de 800 mil por ano. Estima-se que cada morte por suicídio afete intimamente a vida de cerca de 60 pessoas, entre familiares, amigos e colegas.

De acordo com a psicóloga Paula Diniz Vicentini, da clínica Personal da Central Nacional Unimed, “o medo da Covid-19, os conflitos familiares decorrentes do isolamento e até a crise econômica provocada pela pandemia têm aumentado o índice de problemas emocionais e transtornos psiquiátricos”. Por isso, cuidar das próprias emoções e oferecer apoio às pessoas mais próximas são medidas que podem ajudar a prevenir as doenças mentais e o suicídio.

Ajuda profissional

“Existem alguns possíveis sinais de comportamento suicida. É preciso prestar atenção, oferecer uma escuta ativa, amparar e indicar acompanhamento profissional”, explica Paula. Mesmo no isolamento social é possível escutar e oferecer apoio. A internet e o telefone permitem a escuta ativa, mesmo à distância.

O acompanhamento psiquiátrico e psicológico ajuda a desenvolver habilidade emocional para administrar adversidades da vida. “Se há perigo imediato, a orientação do Ministério da Saúde é não deixar a pessoa que pensa em suicídio sozinha. Você pode procurar ajuda de profissionais de serviços de saúde, de emergência ou entrar em contato com alguém de confiança, indicado pela própria pessoa”.

Existem ainda os serviços oferecidos pelo CVV, disponível em http://www.cvv.org.br, que trabalha para promover o bem-estar das pessoas e prevenir o suicídio, em total sigilo, 24h por dia.

Sinais de alerta*


• Falar muito sobre a própria morte e demonstrar desesperança em relação ao futuro.
• Usar expressões que manifestam intenções suicidas: “vou desaparecer”, “vou deixar vocês em paz”, “eu queria poder dormir e nunca mais acordar”, “é inútil tentar fazer algo para mudar, eu só quero me matar”, “vocês vão ficar melhor sem mim”, não aguento mais”.
• Reduzir as interações: não atender a telefonemas, não responder mensagens ou ser evasivo.
• Apresentar grandes mudanças de humor (estar eufórico em um dia e profundamente desencorajado em outro).
• Ter atitudes arriscadas, como dirigir de forma imprudente ou entrar em brigas.
• Começar a se despedir de amigos e familiares como se não fosse vê-los novamente.
*Ministério da Saúde

Fonte: Central Nacional Unimed

Setembro Amarelo: infográfico traz dicas de autocuidado

A Care Plus faz parte da Bupa, que tem presença em mais de 190 países. Há mais de 28 anos, fornece soluções de saúde premium, por meio de uma ampla gama de produtos (medicina, odontologia, saúde ocupacional e medicina preventiva). É a principal operadora de saúde no Brasil em seu nicho de mercado, atendendo a mais de 1.000 empresas e cerca de 112 mil beneficiários.

A empresa preparou um infográfico com dicas de autocuidado da saúde mental durante a quarentena, especialmente para este mês, quando é realizada a campanha Setembro Amarelo, de prevenção ao suicídio.  Confira:

Fonte: Care Plus

ViaMobilidade promove ação da Campanha Pela Vida

“Cantinho do Desabafo” retorna nesta terça-feira (22) na Estação da Linha 5-Lilás Capão Redondo, entre 14h e 16h

Nesta terça-feira (22), a Estação Capão Redondo, da Linha 5-Lilás de metrô, receberá, das 14 às 16 horas, a ação “Campanha pela Vida – Não só em Setembro”. A iniciativa é uma parceria da ViaMobilidade, concessionária responsável pela operação e manutenção da Linha 5-Lilás de metrô de São Paulo, com a Força Jovem União (FJU), responsável pelo projeto Help, e tem por finalidade ajudar pessoas que sofrem com complexos, bulimia, abusos, traumas, bullying, síndrome do pânico e ansiedade, e outros problemas que podem levar a pensar em suicídio.

A campanha prosseguirá uma vez por mês nas estações da Linha 5-Lilás até dezembro de 2020, sempre nos mesmos horários, das 14h às 16h.

Nos últimos meses, o projeto Help tem feito mobilizações nas estações da Linha 5-Lilás, realizando por meio do um “cantinho do desabafo”, uma escuta fraterna e a disponibilização de um número de telefone nacional para atendimento online (4200-0034) caso a pessoa solicite. As mesas do cantinho do desabafo estarão montadas respeitando as normas de segurança da Organização Mundial da Saúde (OMS) no combate ao novo coronavírus e colaboradores da concessionária orientarão os passageiros para que mantenham o distanciamento físico correto.

“Campanha pela Vida – Não só em Setembro”
Horário: sempre das 14h às 16h
22 de setembro
Local: Estação Capão Redondo – Av. Carlos Caldeira Filho, 4261
20 de outubro
Local: Estação Santa Cruz – Av. Domingos de Morais, 2474
24 de novembro
Local: Estação Largo Treze – Av. Padre José Maria com R. Barão do Rio Branco
15 de dezembro
Local: Estação Chácara Klabin – Rua Vergueiro, 3800

Fonte: ViaMobilidade

Setembro Amarelo: relação entre redes sociais e suicídio

Especialista explica como a internet pode ser propagadora de gatilhos e como diálogo pode diminuir incidência de casos

O suicídio, hoje em dia, ainda é considerado tabu por muita gente. Mas não deveria. Afinal, faz uma média de uma vítima a cada quatro segundos no mundo, ou seja, 800 mil vítimas por ano, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). A psicóloga Ana Gabriela Andriani explica que, em muitos lugares, existe um empecilho extra para tentar diminuir esse número.

“Existe a crença de que, ao falar sobre o assunto, estaríamos, na verdade, propagando ou divulgando o suicídio e suas tentativas”, adverte Ana. No entanto, deveria ser o oposto, falar disso poderia reduzir a incidência de casos.

Redes sociais e suicídio

De acordo com a especialista, as redes sociais, sim, têm sido um meio propagador de gatilhos para as tentativas de suicídio, especialmente quando falamos de jovens e adolescentes. Isso principalmente em um momento em que o consumo da internet aumentou tanto em função da necessidade do isolamento físico social.

O bullying e a constante necessidade de aprovação virtual têm levado cada vez mais jovens a desenvolver quadros de depressão e ansiedade. Um estudo realizado pela Escola de Medicina da Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos, mostrou que os “heavy users” (usuários que passam grande parte do tempo na internet) possuem três vezes mais chances de sofrer de depressão comparando com aqueles que conferem suas redes sociais com menos frequência.

Já um estudo de 2017 da agência nova/sb analisou mais de 1 milhão de menções ao suicídio nas redes sociais (Facebook, Instagram, Twitter e Youtube): em 34,2% dos casos eram piadas ou memes, 24,4% eram opiniões, 22,1% citações, 7,5% notícias, 6,3% relatos e 5,5% se tratavam de depoimentos. Os dados também mostraram informações preocupantes: 18,3% das postagens eram falas negativas ou preconceituosas, como por exemplo “conte a um psicólogo, não ao Facebook”, “quem tem depressão não fica em rede social tentando aparecer” ou “quem quer se matar não avisa”. Algumas, inclusive, incentivavam os usuários a tirar a própria vida. “Esses resultados mostram a necessidade de uma abordagem e de um espaço sem julgamentos para sensibilizar e educar e, assim, contribuir com a prevenção”, afirma Ana Gabriela.

Diálogo como prevenção

Para a psicóloga, o diálogo é fundamental. “É necessário falar sobre o assunto. Mas isso não significa apenas divulgar números. É preciso entender o que leva ao suicídio, como é possível prevenir e que o suicídio é uma questão de saúde pública. Precisamos abrir esse canal de diálogo e trazer informações sobre o tema e tudo o que o cerca, como as doenças mentais, saúde mental, o que é e quais são os sinais de comportamento suicida.”

Ela explica que o assunto é complexo e nem todas as pessoas que cometem o suicídio apresentam algum tipo de sinal prévio, por isso que é tão importante erradicar esse preconceito. Outro ponto fundamental para se esclarecer é que muitas vezes não existe um planejamento para tal ato. “Muitas vezes a pessoa busca uma maneira de acabar com algum sofrimento e vê na tentativa do suicídio uma saída. Ela não pensa em morrer, ela pensa em uma solução para aquele momento de dor. É importante esclarecer que nem toda pessoa que comete suicídio planejou a ação, pretendia de fato acabar com a vida ou tinha histórico de tentativas”, analisa.

Ana Gabriela ainda salienta que o preconceito de achar que quem comete suicídio é fraco também não é válido. “Vemos pessoas fortes que, em um momento de desespero, só enxergam isso como saída. Julgar o próximo não vai ajudá-lo”. Desde 2014, ocorre no Brasil a campanha do Setembro Amarelo, que é realizada pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM). Uma tentativa de levar luz ao assunto.

Foto: MedicalNewsToday

“Quando falamos sobre a prevenção do suicídio, devemos prestar atenção à forma como abordamos o tema. Muitas vezes focamos na morte apenas de pessoas famosas e colocamos uma certa dose de romance no ato, ligando o suicídio ao estilo de vida dessa personalidade, como falta de sono, vida agitada e conturbada, por exemplo. O que é deixado de fora nesses casos, muitas vezes, são as reais causas do suicídio”, diz Ana Gabriela. Ela finaliza alertando que estão no grupo de risco pessoas com esquizofrenia, bipolaridade, borderline e usuários excessivos de drogas e de álcool.

Fonte: Ana Gabriela Andriani é graduada em Psicologia pela PUC-SP, Ana Gabriela Andriani é Mestre e Doutora pela Unicamp. Tem pós-graduação em Terapia de Casal e Família pelo The Family Institute, da Northwestern University, em Illinois, Estados Unidos, e especialização em Psicoterapia Dinâmica Breve pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas/USP. Possui, ainda, aprimoramento Clínico em Fenomenologia Existencial na Clínica Psicológica da PUC-SP. Ana Gabriela acredita que o autoconhecimento influencia diretamente no trabalho, nas relações afetivas e na qualidade de vida.

Setembro Amarelo: como cuidar da saúde mental na terceira idade?

Levantamento do IBGE aponta que pessoas entre 60 e 64 anos são as mais afetadas pela depressão no país

Assunto que ganhou muita visibilidade na última década, a saúde mental é pauta de diversas discussões que habitam desde o ambiente corporativo até as redes sociais. Porém, é perceptível o foco majoritário nos jovens, quando falamos de doenças psicológicas, como a depressão e a ansiedade. Isto porque as associamos às fases ativas, cheias de insegurança e questionamentos, como se a maturidade extinguisse essas características da personalidade de todos os indivíduos.

A verdade é que a terceira idade é uma fase que contém novidades como qualquer outra, mas os parentes e outras pessoas jovens próximas dos idosos podem não saber lidar direito com ela. A depressão nessa idade, por exemplo, pode se manifestar de maneira diferente da usual tristeza, falta de motivação etc., “muitas vezes o aumento de dores físicas e a perda de memória são resultantes de uma doença psicológica”, explica Marco Maximino , psicólogo membro da plataforma Doctoralia.

Segundo levantamento feito pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em 2019, pessoas entre 60 e 64 anos são as mais afetadas pela depressão no país, representando 11,1% dentre os 11,2 milhões de brasileiros diagnosticados com a doença.

Outro ponto de atenção quando se toca no assunto com os mais idosos é a questão geracional. “Há algumas décadas, as doenças psicológicas eram vistas como ‘frescura’, ‘falta do que fazer’, principalmente por pessoas que cresceram em um ambiente atarefado, trabalhando desde cedo ou que constituíram família ainda muito jovens, o que era comum há 25, 30 anos”, conta o especialista.

Assim, a dica de Maximino é que os mais jovens ao redor tentem dialogar e explicar para as pessoas que estão envelhecendo a importância de exercitar o corpo e a mente. “Estimular uma alimentação saudável, por exemplo, é um passo importante para que os idosos tenham mais qualidade de vida. Pessoas que fazem algum tipo de acompanhamento psicoterapêutico também podem compartilhar suas experiências de maneira a exemplificar os benefícios que têm tido a partir delas”.

Além disso, é preciso lembrar que os tempos mudaram e os mais velhos também podem e devem estar antenados. “Incluí-los nas atividades digitais, apresentar conteúdos que possam os interessar em canais da internet, auxiliá-los e incentivá-los na interação com tecnologias as quais não estão habituados, pode ser uma grande ajuda para dispersar sentimentos de solidão ou até mesmo de obsolescência, sem contar que é uma ótima maneira de aproximar as gerações”, finaliza o psicólogo.

Fonte: Doctoralia

Psicóloga ensina como pessoas próximas podem ajudar quem sofre com depressão

Um problema de saúde pública que tem aumentado o número de vítimas e ainda vive como uma espécie de tabu na sociedade é o suicídio. Apenas no Brasil, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a cada 45 minutos, há uma tentativa de tirar a própria vida. A falta de auxílio pode resultar em morte. Por essa razão, surgiu “Setembro Amarelo”, que tem como propósito a iniciativa de se abrir aos outros e pedir ou oferecer ajuda.

Segundo a psicóloga Amanda Fitas, o movimento do Setembro Amarelo traz uma conscientização. “Também mostrar que as pessoas não estão sozinhas, que elas têm um canal para conversar com outros que sentem os mesmos sentimentos e que existem outras saídas para encararem as suas dores”.

Ainda existe uma barreira enorme para ser derrubada, muitas pessoas não se sentem confortáveis para compartilhar suas dores ou a existência de pensamentos suicidas; muitas das vezes, não conseguem nem ao menos compreender inteiramente o que estão sentindo, preferindo ignorar os sentimentos ruins. “O indivíduo que normalmente toma essa atitude acha que está sozinho e entende que não pertence a esse mundo. É a mesma sensação que pessoas com transtornos e depressão sentem. Elas veem que a única forma de acabar com a dor que sentem, é tirando a própria vida”, explica a psicóloga.

Como podemos ajudar nessa causa?

Foto: Klimkin/Pixabay

Antes de qualquer coisa, devemos escutar essas pessoas que precisam se sentir mais pertencentes. “Elas precisam ver que suas vidas fazem sentido, que existe forma de se recuperar independentemente do que esteja passando”. Encorajar a recuperação durante uma depressão e até mesmo um transtorno, mostrar outros caminhos diferentes para lidar com seus sofrimentos e que não está sozinha.

Como perceber que a depressão do outro pode levá-lo ao suicídio?

Freepik

A depressão é considerada uma das principais causas do suicídio, por essa pessoa já estar sentindo uma tristeza irremediável e uma sensação que tudo está ruim, negativo. “Para surgir a escolha de tirar a própria vida, o nível depressão não precisa ser o mais grave. Precisamos perceber se o outro está muito triste, se está se isolando muito, se o seu ânimo mudou repentinamente do nada, o pessimismo mais frequente, esses são alguns indícios que deve ter total atenção”.

Qual a importância de um psicólogo nessas situações?

Esse profissional irá acolher as dores que o outro sente e mostrar para o indivíduo que ele consegue encontrar caminhos internamente. “Ao procurar nele formas de vencer essa batalha com um psicólogo que irá ajudar a clarear a mente é fundamental. Com a ajuda de um profissional, o quadro pode ser revertido e controlar os sentimentos ruins”.

Telefone para pedir ajuda: Centro de Valorização da Vida (CVV):
Disque 188: ligações para o Centro de Valorização da Vida (CVV), que auxilia na prevenção do suicídio, são gratuitas em todo o país.

Fonte:  Amanda Fitas é psicóloga, escritora e palestrante com mais de 1,5 milhão de seguidores nas redes sociais. Autora de 4 livros de relacionamentos que já ultrapassam 40 mil cópias vendidas: “Amores Saudáveis”, “Textos Obrigatórios Para Você Se Relacionar Melhor”, “Aprenda a ser mais interessante” e “Viva um Amor Leve”. 

Setembro Amarelo: tristeza não é frescura, e depressão é doença séria

Este mês é o da campanha de conscientização sobre a prevenção do suicídio, com o objetivo direto de alertar a população a respeito da realidade dos problemas mentais que levam a tantos casos de morte no Brasil e no mundo. Diego Tavares, psiquiatra e pesquisador do programa de transtornos afetivos (Gruda) do Hospital das clínicas da USP, alerta sobre os três principais sinais de alerta para identificar quando uma tristeza passa a ser depressão.

• Alteração no humor por pelo menos duas semanas

Foto: MedicalNewsToday

Quando o estado de humor se altera de forma persistente e diferente do temperamento normal da pessoa fazendo ela se sentir para baixo e sem esperança na maior parte do dia, quase todos os dias, por pelo menos duas semanas, pode estar ocorrendo uma desregulação cerebral de áreas relacionadas ao humor, impulsos (vontade) e energia. Esse quadro pode ser engatilhado por algum evento negativo na vida da pessoa ou pode aparecer espontaneamente, não importa muito se o quadro apresentou algum “desencadeante” porque sabemos hoje que uma parte desses quadros se segue a um estressor psicológico ou de vida, mas muitos não. “Isso acontece porque cada vez mais sabemos que depressão pode ocorrer mesmo em pessoas que passaram por eventos aversivos ou negativos na vida, a diferença é que se a pessoa não tem predisposição a um transtorno do humor, o cérebro se adapta a situação estressora sem alterar seu funcionamento, ao passo que no depressivo, a vivência de estresse e tristeza normal se prolonga para um quadro persistente e distorcido que compõe junto com outros sintomas uma síndrome cerebral psiquiátrica que denominados de depressão”, diz Tavares.

• Cansaço excessivo


Os níveis de energia da pessoa caem e ela se torna fadigada e sem forças, mesmo estando descansada e sem ter feito muita coisa, essa sensação persiste. “Tudo isso porque tanto a energia quanto a disposição física, estão no cérebro, que é o órgão responsável por fornecer o vigor físico e na depressão isso fica reduzido”, comenta o médico.

• Sem vontade nem para falar


Os impulsos e a vontade do individuo ficam reduzidas. A pessoa fica mais indecisa pra fazer as coisas, procrastina tudo, se isola, não faz quase nenhum plano, se retrai mais, tem menos ânimo pra tomar banho ou se alimentar e normalmente fica sem vontade para falar, para interagir, para se divertir, para fazer exercícios e até para viver. “Esses sintomas indicam que a pessoa precisa de ajuda médica, já que ela não se sente bem por estar sentindo isso, mas não consegue dar a voltar por cima. O principal a entender é que pessoas com depressão devem ser tratadas como doentes, assim como aquelas que sofrerem de qualquer outra doença física, a única diferença é que depressão não é visível, como por exemplo, um pé quebrado que impede tanto quanto, uma vida normal”, completa o psiquiatra.

Fonte: Diego Tavares é Médico Psiquiatra e Pesquisador com enfoque principal em transtorno do humor, especialmente a depressão resistente (falha a múltiplos tratamento prévios) e bipolaridade (instabilidade de humor).

Aumento de 32% de suicídios na quarentena alerta para preocupação com a saúde mental

Psicóloga Ana Gabriela Andriani explica que instabilidade econômica e insegurança são as maiores causas da ação contra a vida

Uma pesquisa realizada em Michigan e divulgado pelo Pine Rest Christian Mental Health Services, um hospital psiquiátrico e profissional de saúde comportamental, nos Estados Unidos, relatou que o suicídio aumentou em 32% durante a quarentena por causa da pandemia mundial causada pela Covid-19.

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), cerca de 800 mil pessoas anualmente em todo o mundo cometem suicídio. Porém, durante o ano de 2020, provavelmente esse número será maior nas estatísticas.

depressão

“A insegurança e o sentimento de vulnerabilidade vividos por conta da pandemia somados a instabilidade econômica, aumentou o número de casos de depressão no mundo. Em alguns países que já retomaram suas atividades econômicas, é possível encontrar milhares de pequenos empresários que faliram. Isso acaba afetando drasticamente a saúde mental das pessoas”, afirma a psicóloga Ana Gabriela Andriani.

Por falar em economia, o Banco Asiático de Desenvolvimento calcula que o custo mundial da pandemia pode chegar a US$ 8,8 trilhões, o que equivale a quase 10% do PIB global. Logo, países como a China, precursora do vírus, está em risco de perder 95 milhões de empregos e os Estados Unidos, país que realizou a pesquisa, já está sofrendo com 20 milhões de empregos extintos.

“É uma situação complicada e, por mais que alguns países estejam tentando voltar ao normal, como o Brasil, por conta da não existência de uma vacina, não temos anda uma situação definida e controlada. . As pessoas se sentem mais ansiosas por conta desta instabilidade e indefinição sobre o futuro e isso desperta diversos gatilhos emocionais”, destaca a psicóloga.

Ainda segundo a pesquisa, as pessoas mais suscetíveis ao suicídio estão sendo os trabalhadores essenciais e os profissionais de saúde que estão na linha de frente em combate ao Covid-19.

Busca por ajuda

discussao conversa terapia

No Brasil, um estudo realizado pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) mostra um crescimento de 90,5% nos casos de depressão entre os brasileiros desde o início do isolamento social. A pesquisa reuniu respostas de 1.460 pessoas de 23 estados do país.

O estudo também aponta crescimento nos casos de ansiedade e estresse agudos. No caso da ansiedade aguda, a proporção foi de 8,7% para 14,9%, e no caso do estresse, foi de 6,9% para 9,7%.

“É preciso buscar ajuda psicológica logo no início de algum transtorno, ao invés de esperar chegar a uma situação critica. Porém, normalmente o paciente por estar fragilizado, muitas vezes não se da conta da gravidade do que esta sentindo e isso pode requerer a atenção e ajuda dos familiares que estão ao redor. A qualquer sinal de pensamento suicida, contate um médico para ajudar com essa questão”, finaliza Ana Gabriela.

Além da ajuda psicológica, temos no Brasil, o Centro de Valorização da Vida, que ajuda pessoas com esses pensamentos. O CVV pode ser encontrado no telefone 188 ou no site.

Ana Gabriela Andriani

Fonte: Ana Gabriela Andriani é graduada em Psicologia pela PUC-SP e Mestre e Doutora pela UNICAMP, além disso é pós-graduada em Terapia de Casal/Família pelo The Family Institute, Northwestern University – Evanston, IL (USA). Especialista em Psicoterapia Dinâmica Breve pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas/USP e aprimoramento Clínico em Fenomenologia Existencial na Clínica Psicológica da PUC-SP.