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Setembro Amarelo: por que uma pessoa comete suicídio?*

O suicídio  vem chamando a atenção da sociedade. Não é de hoje que somos surpreendidos com alguns casos, seja de alguma celebridade ou de pessoas que, direta ou indiretamente, estavam próximas a nós. Nestas ocasiões, chocados, a pergunta que insistentemente invade a nossa mente é: por quê?

Segundo as estatísticas, podemos ver o quão importante é abordar esse assunto e compreender a situação. Trata-se, além de uma comprovação do sofrimento individual, de um sério problema de saúde pública. Segundo o mais recente relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 800 mil pessoas cometem suicídio a cada ano – uma taxa de 11,4 para cada 100 mil habitantes. Isso significa um suicídio a cada 40 segundos. A “violência autodirigida”, como o suicídio, é classificada pela OMS , é hoje a 14ª causa de morte no mundo inteiro. E a terceira entre pessoas de 15 a 44 anos, de ambos os sexos.

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Nossa cultura valoriza a vida em todos os sentidos, haja vista os incontáveis métodos de rejuvenescimento. Daí a morte, mesmo sendo um processo natural, não é bem-vinda porque rompe com o sonho humano de imortalidade. O suicídio, então, é tido como intolerável, nos conduzindo quase sempre a buscarmos uma justificativa para compreender tal ato e amenizar nossa perplexidade. O comportamento intencional de tirar a própria vida é resultado da soma de diversos fatores de origem emocional, psíquica, social e cultural. O indivíduo busca na morte o alívio, uma forma de fugir daquilo que o deprime, que o exclui de maneira insuportável.

Existem algumas pessoas que são mais propensas a cometer suicídio, são aquelas com transtornos mentais, depressivos, bipolares, transtornos de personalidade, dependentes químicos e esquizofrênicos. Outras podem estar passando por uma enfermidade, como câncer, HIV, ou mesmo pessoas que sofreram ou sofrem algum tipo de abuso ou bullying. Ou passaram por perdas, seja de emprego, separação, ou até uma exposição da vida íntima na internet.

A melhor forma de combater o suicídio é vencer nossos preconceitos e começar a falar desse assunto. Existem muitas pessoas que têm ideias suicidas, mas não cometem o suicídio. Nesse processo, a pessoa pensa em se matar, às vezes até planeja isso, mas não o faz.

O fato de haver um número considerável de pessoas que têm ideias suicidas criou uma crença na nossa sociedade de que quem fala que vai se matar não faz isso. Essa crença não é verdade. A maioria das pessoas que comete suicídio comenta essa ideia com alguém antes de cometer esse ato. Neste caso, os sentimentos de uma pessoa que fala em se suicidar são minimizados por aqueles que não entendem sobre o assunto ou que nunca sentiram o mesmo.

A pessoa que sente vontade de morrer está em um processo de dor tão intenso que não vê outra saída. Na verdade, ela não quer matar a vida, ela quer matar a dor. Há nessas pessoas uma vontade imensa de viver, mas sem a dor, sem o problema. Nesses casos o suicídio pode ser visto como o fim de um longo sofrimento. Essas pessoas não têm encontrado sentido para a vida.

Para prevenir o suicídio é indicado que as pessoas escutem aquele que fala em se matar. Preste atenção em mudanças de comportamento, seja para uma tristeza profunda, a perda de vontade de fazer as coisas que a pessoa gostava, e até mesmo uma mudança repentina de humor para a felicidade. Se a pessoa estava muito triste e de repente fica feliz, pode ser que tenha planejado seu suicídio e está assim por se sentir aliviada em poder acabar com a dor.

Alguns sinais podem nos ajudar a perceber se o indivíduo está pensando em suicídio. Preste atenção se a pessoa costuma dizer as seguintes frases:

“Minha morte seria melhor para todos” ou “Pelo menos vocês não teriam mais que me aguentar”.

“Ninguém se importa, mesmo”, “Ninguém entende o que eu sinto” ou “Você nunca entenderá”.

“Agora é tarde, eu não aguento mais”, “Não existe mais nada a ser feito” ou “Eu só queria que a dor passasse”.

“Eu não tenho razões para viver” ou “Estou tão cansado de viver”.

Conversas assim podem ser indícios que o indivíduo pretende cometer suicídio. Não julgue. Se você nunca pensou ou se sentiu como a pessoa, não diga como ela deveria se sentir ou o que deveria fazer. Apenas demonstre seu apoio e esforce-se para compreendê-la.

Falar que “não é ruim assim” ou “as coisas vão melhorar” não ajuda em nada e fará com que ela sinta que você não entende ou não está ouvindo. Prefira dizer “Você não está sozinho. Eu estou aqui com você e ajudarei no que for preciso”. “Eu não quero que você morra.” ‘Eu me preocupo com você.” Chame a pessoa para fazer algo com você como caminhar, praticar um esporte e qualquer coisa que a ajude a se manter fisicamente ativa. Um diário para a pessoa também pode ajudar. Assim, ela poderá expressar tudo que sente em vez de reprimir as próprias emoções.

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Se você que está lendo este artigo agora tem ideias suicidas, saiba que existe um caminho para você. Existem estratégias que você pode usar para ajudar a mudar esses pensamentos. A mente de uma pessoa com pensamentos suicidas funciona de forma diferente. É preciso encontrar estratégias para lidar com isso. O uso, de programação neurolinguística, técnicas de mindfulness e meditação podem ajudar, além de um acompanhamento terapêutico intenso para que a pessoa possa se expressar livremente, sem julgamentos e encontrar atividades que lhes proporcione qualidade de vida.

*Sabrina Ferrer é psicóloga-chefe do FalaFreud. Possui 14 anos de experiência na área de psicoterapia e Gestão de Pessoas. Sua abordagem é baseada na Psicanálise e Teoria Cognitivo Comportamental. Atua em clínicas atendendo adolescentes com questões emocionais, autoconhecimento, adultos com os mais variados sintomas e situações, além de idosos em casos de depressão e falta de motivação.

Setembro Amarelo: ANS reforça o alerta sobre cuidados com doenças mentais

Em alusão à campanha Setembro Amarelo, dedicada à prevenção do suicídio, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) reforça o alerta sobre os cuidados com as doenças mentais e incentiva as operadoras de planos de saúde a desenvolverem programas de promoção da saúde e prevenção de riscos de doenças (Promoprev) voltados a essa linha de atenção. Além disso, a ANS destaca as principais coberturas que estão previstas no Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde para o tratamento de doenças mentais.

O mês foi escolhido em razão do Dia Mundial da Prevenção do Suicídio, celebrado todo ano em 10 de setembro. O objetivo é conscientizar as pessoas ao redor do mundo que o suicídio pode ser evitado. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a cada 40 segundos uma pessoa comete suicídio no mundo, e essa é a segunda maior causa de morte entre pessoas de 15 a 29 anos de idade.

No Brasil, 32 brasileiros tiram a própria vida por dia, o equivalente a uma pessoa a cada 45 minutos. Ações preventivas são fundamentais para reverter essa situação: mais de 90% dos casos de suicídio estão associados a distúrbios mentais e, portanto, podem ser evitados se as causas forem tratadas corretamente, aponta a OMS.

Na saúde suplementar, a preocupação com as doenças mentais é crescente. O Rol de Procedimentos da ANS determina cobertura obrigatória para consultas médicas em número ilimitado (inclusive em psiquiatria), internação hospitalar, atendimento e acompanhamento em hospital-dia psiquiátrico, consulta com psicólogo e com terapeuta ocupacional e sessões de psicoterapia.

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Procedimentos realizados por beneficiários de planos de saúde

O número de procedimentos realizados por beneficiários nessa área vem aumentando ano a ano, segundo dados do Mapa Assistencial. De 2011 a 2018, o número de atendimentos com psiquiatras subiu 63% – em 2011 foram 3,01 milhões de consultas, ante 4,9 milhões em 2018. As sessões com psicólogos deram um salto de 146% no período, saindo de 7,1 milhões em 2011 para 17,5 milhões em 2018.

O número de internações em hospital-dia para saúde mental quadruplicou de 2011 até 2018 – saiu de 18.595 mil internações para 99.965 mil. As consultas/sessões com terapeuta ocupacional cresceram 200%, passando de 648,1 mil para 1,9 milhão. E o percentual de internações psiquiátricas aumentou 130% (de 85,2 mil para 196,3 mil).

Cabe ressaltar que o número de beneficiários em planos de assistência médica também aumentou nesse período (passou de 46 milhões em 2011 para 47,3 milhões em 2018 – dados de dezembro). Portanto, é válido ponderar o número de atendimentos realizados em cada ano em relação ao número de usuários existentes no período. Ainda assim, percebe-se que houve aumento percentual em todos os procedimentos acima mencionados.

Confira os dados na tabela abaixo:

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Promoção e prevenção

Além de garantir, pelo Rol de Procedimentos, os tratamentos mais indicados para doenças mentais, a ANS vem estimulando as operadoras a desenvolverem programas de Promoção da Saúde e Prevenção de Riscos de Doenças (Promoprev) voltados para essa área. Em 2011, eram três iniciativas voltadas a esse fim; hoje, existem 42 programas cadastrados na Agência, atendendo cerca de 29,5 mil beneficiários de planos de saúde. As principais linhas de cuidado são depressão, estresse, esquizofrenia, transtornos psiquiátricos decorrentes do uso de álcool e outras drogas, transtorno bipolar, entre outras.

Vale destacar que as operadoras que têm programas aprovados na ANS recebem incentivos regulatórios. Há redução de 10% na exigência mensal de margem de solvência e bonificação que eleva pontos/notas no Programa de Qualificação das Operadoras. A ANS estimula que as operadoras elaborem ações de inclusão de seus usuários nos programas, concedendo descontos em serviços ou até pelo não pagamento de coparticipação para procedimentos relacionados ao Promoprev.

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Fonte: ANS

Pouco lembrado, estresse financeiro é uma das principais ameaças à saúde mental

Este mês acontece a campanha Setembro Amarelo, criada para promover a conscientização e prevenção do suicídio. É um período marcado pela discussão de temas ligados à saúde mental, porém um fator bastante importante nessa equação costuma ser pouco mencionado: a saúde financeira. Os problemas financeiros, comprovadamente, são grandes fontes de preocupação e até depressão.

Um levantamento realizado pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) revela que 69% das pessoas endividadas sofrem de ansiedade. Insegurança (65%), estresse (64%), angústia (61%), desânimo (58%), sentimento de culpa (57%) e baixa autoestima (56%) também aparecem no estudo.

A pesquisa revela, ainda, que o endividamento atinge até mesmo a vida profissional e social dos entrevistados, com 25% dos pesquisados afirmando terem ficado mais desatentos e menos produtivos no ambiente de trabalho.

De acordo com a Investor Pulse, pesquisa realizada pela BlackRock, 71% dos brasileiros acreditam que sua saúde financeira afeta diretamente seu bem-estar. Além disso, quase 60% afirmam que é o dinheiro – no caso, a falta dele – o que mais causa estresse em suas vidas.

Algumas empresas já começam a se preocupar com o estresse financeiro de seus funcionários e seus impactos sobre sua produtividade e saúde mental. A fintech Magnetis, primeira gestora de investimentos digital, oferece o primeiro benefício corporativo de bem-estar e educação financeira do país, chamado Magnetis Para Empresas. O programa tem duração mínima de 12 meses e a dinâmica é muito parecida com a dos planos de saúde, em que as empresas pagam por vida.

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O serviço começa com palestras para a equipe, com o objetivo de despertar o interesse em educação financeira. Por meio de um questionário, cada colaborador identifica seu perfil e recebe recomendações para planejar melhor sua vida financeira. O programa ainda inclui uma plataforma digital de educação financeira, em que o colaborador vai aprender os ensinamentos essenciais de acordo com seu perfil financeiro, e diferentes tipos de consultoria individualizada.

Em apenas dois anos, o benefício já foi adotado por dezenas de empresas de diferentes segmentos, como Leo Madeiras, GPS Investimentos, Edools, Transunion, Arquivei, Olist, Megamamute e Monashees.

Informações: Magnetis

 

Carlinhos Brown lança música e clipe sobre prevenção do suicídio

O músico Carlinhos Brown lançou a música e o videoclipe “Vozes do Silêncio”, obras que exaltam a importância da vida e incentivam o diálogo sobre o suicídio. Ambos foram desenvolvidos especialmente para a campanha “Suicídio: Falar pode mudar tudo”, iniciativa do CVV com o apoio da Libbs.

O objetivo é incentivar o diálogo em torno do tema, além de mostrar que o silêncio, o preconceito e o tabu sobre o suicídio podem ser gatilhos para quem está sofrendo. De acordo com o CVV, quando as pessoas conversam sobre suas tristezas e pensamentos suicidas sem se sentirem julgadas, têm mais facilidade para encontrar novas alternativas e seguir em frente.

O assunto é sério – o Brasil é o oitavo país do mundo em número de suicídios. São cerca de 12 mil por ano, em média 32 pessoas se matam por dia no Brasil, se tornando a terceira maior causa de morte entre jovens. No mundo, mais de 800 mil pessoas se suicidam anualmente e esse número não para de crescer.

“O nosso propósito é contribuir para que as pessoas alcancem uma vida plena. Esse é o nosso maior compromisso e nós fazemos isso de diversas maneiras. Por isso, levantar a causa sobre um assunto tão importante e delicado como suicídio faz todo sentido para gente. Com essa campanha, queremos quebrar o tabu sobre este assunto e incentivar as pessoas que estão passando por alguma situação difícil a falarem. Mas além disso, queremos incentivar todas as outras a ouvirem. Isso pode mudar tudo. Nós podemos mudar tudo”, explica Wilson Junior, diretor da unidade B2C da Libbs.

A campanha da Libbs tem a criação feita pela TracyLocke Brasil, agência global de shopper experience, consiste em diversas ações para desmistificar pré-conceitos, reforçando a importância do diálogo para a prevenção do suicídio. Uma delas é o lançamento de uma música interpretada por Carlinhos Brown – o artista foi escolhido a integrar o projeto tanto pelo histórico de dedicação a ações e projetos sociais, quanto por sua personalidade e estilo musical irreverentes, que dão um tom de esperança e acolhimento à canção.

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“Construímos uma linda história para que chegue àqueles que muitas vezes se consideram sem esperança. Nosso intuito é que você fale, queremos que o outro fale, que as pessoas se comuniquem. Afinal, falar pode mudar tudo. O ser humano é o meu amor e o nosso propósito é este: ajudar. Então, estamos estendendo a mão em forma de melodia”, diz Carlinhos Brown sobre sua participação no projeto.

A letra da música traz mensagens de apoio e empatia com o sentimento de quem está sofrendo, mas também exalta a vida e traz uma reflexão sobre a importância de encarar os problemas de frente e de dialogar sobre angústias e tristezas como ferramenta para encontrar uma saída que não seja o suicídio.

Com a música também será lançado um videoclipe onde Brown aparece como maestro de um coral silencioso de 32 participantes, que representam a quantidade de pessoas que se matam por dia no Brasil. Esse coral aparece nas cenas iniciais de forma silenciosa fazendo apenas sons com a boca, mas sem cantar, simbolizando o silêncio.

São três personagens protagonistas que, de forma sensível, representam as principais causas que levam as pessoas a cometerem suicídio – um homem em depressão, um idoso que perdeu a esposa e uma adolescente que está sofrendo bullying. Em outra cena, as pessoas se expressam com os olhos e coreografia que representam sofrimento, como se estivessem tentando pedir ajuda. O filme se desenvolve com a libertação das amarras figurativas dos protagonistas, que influenciam os demais para cantarem todos juntos de forma bem emocionante.

“Tentar reduzir o estigma relacionado ao assunto e incentivar o diálogo por meio de empatia e acolhimento é, de alguma forma, capacitar e estimular a própria população a fazer dentro de seu meio, o que os voluntários do CVV fazem nacionalmente”, explica Carlos Correia, voluntário e porta-voz do CVV.

Além da música, foram criados canais informativos nas redes sociais – Instagram, Twitter e Youtube –, com o nome da campanha (@falardesuicidio), para abastecimento de conteúdo educativo, além da participação de influenciadores digitais engajados na causa.

A TracyLocke é responsável pelo conceito criativo da campanha, além do processo de escolha do artista até o planejamento, além das ativações, mídia on e off, produção dos filmes e eventos.

“A causa é tão importante e, por isso, dá mais orgulho participar deste projeto, que tem um grande potencial de engajamento e um propósito tão nobre. Mais do que criar uma delicada campanha de conscientização, queremos levantar uma bandeira sobre um grave problema que o país convive todos os dias”, finaliza Pipo Calazans, CEO da TracyLocke Brasil.

Setembro Amarelo: suicídio é segunda principal causa de morte entre jovens no Brasil

Qual o papel das instituições de ensino no combate a esse problema?

O Setembro Amarelo, movimento de conscientização sobre a prevenção do suicídio, tem levantado a discussão mais aberta e profunda de temas como a depressão entre jovens. No Brasil, de acordo com dados da OMS – Organização Mundial da Saúde, o suicídio é a segunda principal causa de morte de jovens com idades entre 15 e 29 anos. Diálogo, inclusão e acolhimento estão entre os principais elementos para sua prevenção.

Mas como incorporar tudo isso no ambiente acadêmico?

O bem-estar dos alunos é uma preocupação da ESPM Rio desde a sua fundação em 1974. E atualmente a instituição oferece, ao longo do período de graduação, atividades de extensão para que os alunos troquem experiências, identifiquem seus desejos, expressem e entendam seus sentimentos e desenvolvam a individualidade e a convivência em grupo. São oficinas, workshops, semanas profissionais e de talentos, projetos de pesquisa e núcleos estudantis. Com a supervisão de professores mentores, os alunos escolhem as atividades com as quais tenham mais afinidade e manifestam suas emoções por meio do engajamento e da criatividade. Os alunos têm acesso também a serviços que ajudam na compreensão do momento e das emoções e que prestam apoio acadêmico e social.

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São eles:

Papo – Programa de Acolhimento Psicológico e Orientação — atende alunos e, quando necessário, seus familiares, para que possam repensar seus conflitos, angústias e ansiedades diante dos impasses vividos fora e nas atividades acadêmicas, além de oferecer oficinas para o desenvolvimento pessoal e profissional dos estudantes.

Carreira – Tem o objetivo de levar o aluno a entender seus dilemas, aptidões e habilidades para que ele próprio estabeleça sua escolha profissional. Analisa o currículo do estudante, orienta sobre uma melhor postura em entrevistas e dinâmicas de seleção, orienta em casos de conflitos no ambiente e trabalho e na reflexão sobre dilemas éticos profissionais.

Pipa – Programa de Intervenção Pedagógica no Aprendizado — acolhe e orienta estudantes que apresentem laudo de necessidades específicas. O atendimento elabora um plano de acompanhamento para cada aluno, juntamente com seus professores e coordenadores de curso.

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“O companheirismo e o senso de coletividade amparam aqueles que apresentam dificuldades na vida. Queremos que jovens que passam por momentos de sofrimento sejam acolhidos pelos colegas, amigos e professores”, diz Maria Cláudia Tardin, professora da ESPM e coordenadora do Papo, Programa de Acolhimento Psicológico e Orientação.

Fonte: ESPM

Dia Mundial de Prevenção do Suicídio: principais dúvidas e como lidar

Hoje, 10 de setembro, é o dia em que se discute a prevenção do suicídio, psiquiatra da Cia. da Consulta esclarece sobre o tema que mata aproximadamente 800 mil pessoas por ano no mundo

O Setembro Amarelo é o mês de prevenção ao suicídio, uma campanha importante para abordar um fenômeno complexo. O objetivo é estimular o debate sobre o tema para garantir ajuda e atenção adequadas. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o suicídio é a segunda maior causa de morte no mundo entre a população de 15 a 29 anos.

Anualmente, mais de 800 mil pessoas tiram a própria vida, porém nove em cada dez mortes por suicídio poderiam ser evitadas. Embora, em 2019, os índices terem caído globalmente, a taxa entre adolescentes que vivem nas grandes cidades brasileiras aumentou 24% entre 2006 e 2015, segundo pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Nas unidades da Cia. da Consulta a psiquiatria é a terceira especialidade mais procurada entre os pacientes. O psiquiatra Caio Pinheiro responde as principais questões sobre o tema e dá algumas dicas importantes sobre como agir e ajudar:

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– Quais os comportamentos mais comuns?
Caio Pinheiro: Muitas pessoas em risco de suicídio estão com problemas em suas vidas entre os desejos de viver e de acabar com a dor psíquica. Isolamento, mudanças marcantes de hábitos, perda de interesse por atividades de que gostava, descuido com aparência, piora do desempenho na escola ou no trabalho, alterações no sono e no apetite, frases como ‘“preferia estar morto’” ou ‘quero desaparecer’ podem indicar necessidade de ajuda. É importante ficar atento às frases de alerta, pois por trás delas estão os sentimentos de pessoas que podem precisar de apoio emocional. E, é preciso investigar e buscar um especialista, sempre que possível. Quando identificado, o profissional de saúde pode ajudar a diminuir o risco de suicídio.

– Como lidar com uma pessoa que dá indícios de comportamento suicida?
Caio Pinheiro: A primeira medida preventiva é entender que falar sobre o suicídio é proteger o próximo. Ouvir atentamente e com calma, entender os sentimentos com empatia, expressar respeito pelas opiniões e valores, conversar honestamente, mostrar sua preocupação, cuidado e afeição e focar nos sentimentos da pessoa. Essas atitudes são medidas que podem ajudar quem está com o risco de suicídio e aliviar a dor psíquica. O melhor caminho é a conversa, quebrar tabus e compartilhar informações para que seja estimulado o diálogo. Saber reconhecer os sinais de alerta é um passo crucial.

– Quais as características próprias de quem está sob o risco de suicídio?
Caio Pinheiro: Indivíduos com características suicidas podem ter comportamentos semelhantes que costumam ser próprios do estado em que se encontra a maioria das pessoas sob risco de suicídio: ambivalência – quase sempre querem ao mesmo tempo alcançar a morte, mas também viver; impulsividade – pode ser um impulso transitório e durar alguns minutos ou horas, normalmente desencadeados por eventos negativos do dia a dia; e rigidez/constrição – a consciência passa a funcionar de forma dicotômica: tudo ou nada, pensam constantemente no tema como única solução.

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– Que tipo de fatores costumam desencadear a motivação suicida?
Caio Pinheiro: Existem alguns fatores predisponentes – que aumentam o risco de suicídio: histórico familiar, alcoolismo ou outros vícios, transtornos mentais, tentativas de suicídio prévias, doenças físicas, desesperança, isolamento social, pertencimento a uma minoria étnico-sociais (mulheres, negros e população LGBT) ou sexual (homossexuais e transexuais), ter passado por abuso físico, emocional ou sexual. Assim como outros pontos como desemprego ou aposentadoria. Os fatores precipitantes – que desencadeiam uma crise de suicídio – incluem a separação conjugal, ruptura de relação amorosa, rejeição física e/ou social, alta recente de hospitalização psiquiátrica, graves perturbações familiares, perda de emprego, modificação da situação econômica ou financeira, gravidez indesejada (principalmente para solteiras), vergonha e temor de ser descoberto por algo socialmente indesejável.

– Todo depressivo tem precondição para ser um suicida?
Caio Pinheiro: É preciso desconstruir que a depressão é o único fator de risco para o suicídio, pois todos os outros transtornos psiquiátricos podem motivar um ato suicida. Nem todo suicídio está associado à depressão e também nem todo paciente deprimido quer se suicidar. A depressão tem diversos estágios e o suicídio é um dos atos mais graves. Ele vem, muitas vezes, com a sensação de desesperança em relação à melhora, de um sofrimento psíquico que é muito forte e profundo.

– Somente pessoas com transtornos mentais têm comportamento suicida?
Caio Pinheiro: Estima-se que em até 90% das vezes o suicídio está associado a transtornos mentais. Por exemplo, há os casos de pessoas que agem pelo impulso, com tentativas não relacionadas a transtornos mentais. Também indivíduos que oferecem um sacrifício por fazer parte de uma seita religiosa, os homens-bombas (atos terroristas), que pensam que aquele ato suicida poderia trazer algum tipo de salvação ou mérito, como um contexto cultural.

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– Quem planeja se matar está determinado a morrer?
Caio Pinheiro? A sensação de desesperança muito profunda faz com que algumas pessoas pensem na morte como uma solução e elas podem chegar a planejar esse ato suicida, mas, nem sempre, já tomaram a decisão. O pensamento não está necessariamente associado ao plano de um ato suicida, pode ser um sinal de alarme importante e merece uma atenção muito intensa. São necessários cuidados e uma certa vigilância.

– Pessoas que falam sobre suicídio estão procurando ajuda ou suporte?
Caio Pinheiro: As pessoas que conversam sobre o suicídio, estão abertas a falar no tema e, geralmente, o fazem como uma maneira de pedir ajuda. Muitas vezes ela divide seu pensamento pela angústia de lidar com o assunto e para buscar um acolhimento.

– A maioria dos suicídios ocorre sem alerta?
Caio Pinheiro: Existem alguns comportamentos comuns que, quando associado a outros transtornos psiquiátricos, podem ser sinais. Como indivíduos que se preparam para solucionar problemas pendentes e fechar ciclos para deixar suas questões resolvidas. Pelo menos dois terços das pessoas que tentam ou que se matam haviam sinalizado de alguma maneira sua intenção para amigos, familiares ou conhecidos.

– Uma pessoa que tenta se matar uma vez tentará novamente?
Caio Pinheiro: Segundo estudos, após uma tentativa de suicídio existe um risco maior da pessoa cometer até duas novas tentativas em dois anos. Existe uma probabilidade de 80% da pessoa tentar novamente até dois dias após a primeira tentativa. A ameaça de suicídio também deve ser sempre levada a sério, pois demonstra um sofrimento e a necessidade de ajuda.

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– Perguntar se a pessoa está pensando em se matar pode induzi-la ao suicídio?
Caio Pinheiro: Quando conhecemos alguém que está com problemas, dificuldades ou sofrimento, conversar e buscar entender o que a pessoa está passando e sentindo nesse momento são fatores protetores. Não se deve ter medo de abordar o assunto, pois sozinha a pessoa pode se sentir sem apoio. Dessa forma, é possível criar uma rede de suporte entre familiares e amigos.

– Quem se mata é fraco?
Caio Pinheiro: Não. O suicídio vem como uma solução de algo que gera uma angústia muito intensa. O que dirige a ação auto infligida é uma dor psíquica insuportável e, não, uma atitude de covardia ou coragem. “Dizer que a pessoa é fraca, muitas vezes, é por julgamento ou não entendermos a dor do próximo. Deve-se ter em mente que ela está em desespero e é preciso ter cuidado para compreender esse sofrimento que o outro está passando para chegar nesse ato, que podem ter diversos aspectos psiquiátricos envolvidos”, explica o psiquiatra.

Fonte: Cia. da Consulta

Campanha de prevenção do suicídio convoca para conversa franca sobre depressão

Com o apoio de diferentes setores sociais, ações digitais e um labirinto instalado em São Paulo, a iniciativa “Na Direção da Vida – Depressão sem Tabu” tem o objetivo de combater os estigmas associados à doença

Depressão não é frescura, também não é fraqueza. E muito menos falta de fé. Essas são algumas das expressões que compõem a carta-manifesto da campanha Na Direção da Vida – Depressão sem Tabu, uma iniciativa que faz parte do movimento mundial Setembro Amarelo, focado na prevenção do suicídio, e tem o objetivo de abrir o diálogo sobre esse tema com toda a sociedade, estimulando um ambiente de mais acolhimento para o paciente.

Conduzida pela Upjohn – divisão focada em doenças crônicas não-transmissíveis –, pela área de Medicina Interna da Pfizer, pela Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos (Abrata), com a participação do Centro de Valorização da Vida (CVV), a campanha traz ações de rua e digitais, com o intuito de combater os estigmas associados à depressão.

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“O primeiro passo é posicionar a depressão como uma doença. Legitimar o que esse paciente sente como sintoma de algo que pode ser tratado é uma forma de encorajar sua busca por ajuda, criando um entorno social mais empático e melhor informado para ajudar essa pessoa”, diz a neurologista Elizabeth Bilevicius, líder médica da Upjohn.

Com o apoio de músicos, esportistas e influenciadores digitais, a campanha tem o propósito de unir vozes a favor da vida. “Afinal, a depressão está entre os transtornos mentais mais comuns nas vítimas de suicídio. E, por isso, o girassol foi escolhido como o grande símbolo dessa iniciativa. Estamos falando de uma flor que, quando jovem, gira na direção do sol todas as manhãs, mesmo em dias nublados. Ou seja, ela está sempre em busca da vida. E essa é uma simbologia muito forte”, complementa Márjori Dulcine, diretora médica da Pfizer.

No ambiente on-line, os internautas serão convidados a postar o ícone do girassol da vida em suas redes sociais para mostrar a todos que estão dispostos a falar de #depressaosemtabu. Esse movimento será estimulado por depoimentos reais de celebridades que já enfrentaram a doença. Por meio deles, os internautas também serão convidados a conhecer o espaço digital, que ficará hospedado no site da Abrata para reunir informações importantes sobre a temática e dicas de como identificar comportamentos de risco em pessoas próximas.

“Não basta conversar apenas com o paciente. Nós precisamos, sem dúvida, envolver os diferentes grupos que permeiam as relações sociais dessa pessoa. Seja no trabalho, na família, na escola ou entre os amigos, a ideia é fortalecer essa rede de apoio, criando uma atmosfera de confiança em que esse paciente não veja mais a necessidade de sentir vergonha ou medo de expor o seu problema e de pedir ajuda”, afirma a presidente da Abrata, Marta Axthelm.

Labirinto de Girassóis

Fora da web, a iniciativa vai chamar a atenção da sociedade por meio de um Labirinto de Girassóis que tomará conta do Largo da Batata, em São Paulo, a partir de 10 de setembro, o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio. A instalação, que contará com 120m² de extensão e quase 2 mil girassóis, ficará montada até o dia 14/9, com visitação gratuita aberta ao público.

Mais do que uma intervenção urbana, a obra tem um forte componente educativo: pelos caminhos do labirinto será possível acompanhar toda a jornada do paciente com depressão, desde a dificuldade de diagnóstico até o enfrentamento dos diferentes desafios que podem surgir nessa trajetória, como o preconceito ou a sensação de inadequação.

Quem visitar o local também poderá deixar uma mensagem de apoio aos pacientes. Depois, com o término da instalação, as flores usadas no labirinto e os bilhetes arrecadados serão transformados em buquês para presentear pacientes de algumas instituições da cidade com o girassol da vida, por meio do trabalho realizado por uma ONG.

“Nós precisamos fazer barulho e romper com esse silêncio. Por muito tempo, o suicídio foi colocado como um grande tabu em nossa sociedade. Imaginava-se, tempos atrás, que falar sobre isso poderia estimular as pessoas a tirar a própria vida. Mas sabemos que isso não é verdade. Ao contrário: é a solidão que pode potencializar esse risco. A melhor forma de ajudar é ouvir o indivíduo com calma e empatia, sem julgamentos, demonstrando cuidado e afeição, fortalecendo sua rede de apoio. Cabe destacar a importância de pedir ajuda especializada, tanto médica quanto emocional”, afirma o presidente do CVV, Renato Caetano.

Reconhecido pelo Ministério da Saúde, o CVV presta um serviço gratuito de prevenção do suicídio há muitos anos. A equipe de voluntários fica disponível para acolher e atender qualquer pessoa que busque apoio emocional, sempre sob sigilo, por telefone (188), chat, e-mail ou pelo site.

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Labirinto Gigante de Girassóis: Na Direção da Vida
Quando: de 10 a 14 de setembro de 2019
Onde: Largo da Batata, Pinheiros (próximo à estação Faria Lima do metrô)
Horário: das 9h às 18h
Entrada gratuita

Desinformação e vergonha permeiam relação dos jovens com a depressão

Pesquisa nacional realizada pelo Ibope Conecta aponta que tabus sobre a doença persistem sobretudo entre os mais novos e os homens, afastando muitos pacientes do tratamento

Os jovens brasileiros sabem pouco sobre a depressão, sentem vergonha de falar sobre o assunto e não estão convencidos sobre a importância do tratamento. Essas são algumas das conclusões da pesquisa Depressão, suicídio e tabu no Brasil: um novo olhar sobre a Saúde Mental, aplicada pelo Ibope Conecta a 2 mil brasileiros, a partir dos 13 anos de idade, em diferentes regiões metropolitanas do País: Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Distrito Federal e Fortaleza. Em São Paulo, a amostra de entrevistados foi colhida na capital.

O levantamento faz parte de uma ampla investigação sobre o cenário da depressão no Brasil. E a resposta a essa realidade, permeada por mitos e desinformação sobre a doença, é o lançamento da campanha “Na Direção da Vida – Depressão sem Tabu”, conduzida pela Upjohn – divisão focada em doenças crônicas não-transmissíveis – e pela área de Medicina Interna da Pfizer. A iniciativa tem o apoio da Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos (Abrata) e conta com a participação do Centro de Valorização da Vida (CVV).

“Verificar o quanto existe de desconhecimento e vergonha sobre a depressão entre os jovens brasileiros é muito preocupante porque a doença representa um dos diagnósticos mais frequentes entre as pessoas que tiram a própria vida. E temos visto, nos últimos anos, o quanto as taxas de suicídio estão aumentando justamente na população mais jovem”, afirma a diretora médica da Pfizer Brasil, Márjori Dulcine.

Os mitos associados à origem da depressão são, de fato, muito mais evidentes nas faixas etárias mais jovens contempladas pela pesquisa. Mais de um a cada quatro entrevistados do grupo de 18 a 24 anos (26%) considera, por exemplo, que se trata de uma “doença da alma”. Por outro lado, a porcentagem de pessoas que compartilham dessa percepção cai para 15% entre aqueles com 55 anos ou mais de idade.

Apesar de entenderem que a depressão tem tratamento (71%), a faixa etária dos 18 aos 24 anos é a que expressa a menor confiança. Quase um terço desses jovens (29%) não está totalmente convencido de que a depressão é uma doença como qualquer outra, que pode ser tratada com sucesso. Já entre os entrevistados mais velhos, com 55 anos ou mais, esse porcentual cai para 18%. O dado de São Paulo também chama a atenção: 26% dos internautas paulistanos têm dúvidas ou desacreditam na chance de tratar a doença com sucesso.

Quando se analisa o panorama entre os entrevistados ainda mais jovens, de 13 a 17 anos, a situação também é preocupante. Mais de um a cada cinco (23%) acredita, por exemplo, que não existem sintomas físicos na depressão porque ela seria “apenas um momento de tristeza” e não uma doença. “Essa percepção equivocada reforça a importância de um amplo trabalho de conscientização no Brasil. Posicionar a depressão como doença, para a qual existe tratamento, é importante porque ajuda a encorajar o paciente e legitima a sua busca por ajuda”, explica Elizabeth Bilevicius, líder médica da Upjohn, divisão da Pfizer focada em doenças crônicas não transmissíveis.

Jovens: vergonha e silêncio

depressão

A desinformação sobre a depressão alimenta o estigma e a vergonha que o paciente sente. Não por acaso, os jovens demonstram constrangimento para falar do assunto na escola ou trabalho e, até mesmo, com pessoas do convívio próximo: 39% dos adolescentes de 13 a 17 anos dizem que não se sentiriam à vontade para dividir o problema com a família caso recebessem um diagnóstico de depressão, um porcentual bastante acima da taxa média verificada na amostra total de entrevistados, que foi de 22%, como indica a tabela abaixo:

Se você recebesse um diagnóstico de depressão, se sentiria à vontade para falar sobre isso com a sua família?
    IDADE
TOTAL 13-17 18-24 25-34 35-54 55 OU MAIS
Sim 78% 61% 75% 70% 85% 89%
Não 22% 39% 25% 30% 15% 11%

Entre os jovens de 18 a 24 anos, o silêncio sobre a depressão também é uma defesa para a falta de confiança que eles sentem em seu entorno social: a maioria dos entrevistados dessa faixa etária, ou 56% do grupo, declara que também não se sentiria à vontade para contar sobre um diagnóstico de depressão no trabalho ou na escola, um porcentual que cai para 28% entre a população de 55 anos ou mais de idade. Considerando a amostra total da pesquisa, 44% dos entrevistados expressam esse mesmo comportamento.

Se você recebesse um diagnóstico de depressão, você se sentiria à vontade para falar sobre isso no seu trabalho e/ou escola?
    IDADE
TOTAL 13-17 18-24 25-34 35-54 55 OU MAIS
Sim 56% 51% 44% 51% 60% 72%
Não 44% 49% 56% 49% 40% 28%

O principal motivo que levaria o grupo de 18 a 24 anos a esconder a doença no ambiente profissional seria a percepção de que seus colegas não costumam levar a depressão a sério e, portanto, poderiam não acreditar que a pessoa está realmente doente. Já em São Paulo, 40% dos entrevistados dizem que a principal motivação para essa omissão seria o fato de sentirem vergonha de admitir um eventual diagnóstico de depressão.

Ainda em relação aos entrevistados de São Paulo, mais de um em cada cinco (23%) afirma que, caso tivesse de visitar um psiquiatra, iria à consulta sem contar a ninguém. Esse porcentual chega a 25% entre aqueles de 25 a 34 anos. Além disso, 12% dos entrevistados do grupo mais jovem, de 13 a 17 anos, dizem que não iriam ao psiquiatra nem mesmo se recebessem o encaminhamento de um outro médico. No grupo de 25 a 34 anos, 31% daqueles que não iriam ao psiquiatra mesmo com uma recomendação acreditam que esse profissional trata doenças mais graves e que a depressão não seria algo tão sério.

Se você respondeu que não iria ao psiquiatra mesmo com um encaminhamento médico qual seria o motivo para essa decisão?
    IDADE
TOTAL 13-17 18-24 25-34 35-54 55 OU +
Prefiro tentar outros tipos de apoio, como falar com meus amigos 40% 70% 21% 38% 39% 47%
Tenho receio que o médico me receite remédios fortes 21% 26% 15% 29% 11%
Acho que o psiquiatra trata doenças mentais mais graves e depressão não é algo tão sério 21% 16% 31% 21% 26%
Não quero ser vista como uma pessoa desequilibrada 15% 16% 15% 20% 5%
Tenho vergonha 6% 21% 5%
Nenhuma das anteriores 31% 30% 47% 23% 25% 37%

Os adolescentes de 13 a 17 anos também são os que se mostram mais resistentes diante do tratamento para a depressão: 34% desses entrevistados dizem que não tomariam antidepressivos mesmo que o médico as prescrevesse. E 23% dos participantes de 18 a 24 anos teriam essa mesma atitude. “Essa resistência está associada a um profundo desconhecimento sobre os antidepressivos mais modernos. Vale lembrar que estamos falando de uma doença de elevado potencial incapacitante, que pode ser associada a um desfecho trágico, que é o suicídio, mas que pode e deve ser tratada”, destaca Márjori.

Homens: tabus e desinformação

depressaohomem

Se entre os jovens ouvidos pela pesquisa a vergonha diante da depressão se destaca, os homens formam um outro público que merece mais atenção porque, entre eles, os tabus ligados à doença ganham força. Quando perguntados sobre a relação da depressão com a falta de fé, por exemplo, 30% dos homens ou indicam que essa associação é verdadeira ou afirmam que não sabem avaliar sua veracidade. Entre as mulheres, por outro lado, esse porcentual cai para 17%. Esse mito, em particular, também se destaca entre os entrevistados mais velhos, assim como é mais evidente entre os participantes de Fortaleza.

A maioria dos homens também não está convencida de que ter uma atitude positiva e alegria de viver não são suficientes para vencer a depressão. Questionados sobre isso, 55% dos entrevistados do sexo masculino ou acreditam que essas atitudes bastam ou não sabem opinar. Menos da metade, ou 46% da amostra, tem a informação de que se trata de um mito. Além disso, para quase um terço desses entrevistados não está claro que a depressão não é mero sinal de fraqueza ou pouca força de vontade: 29% deles ou acreditam nesse mito ou, pelo menos, estão em dúvida sobre essa afirmação.

Assim como as mulheres, os homens também acreditam que é possível superar a depressão. Mas o suporte médico é menos valorizado por eles: quando perguntados sobre as formas mais importantes de vencer a doença, o acompanhamento médico aparece em terceiro lugar, ao passo que essa estratégia surge na segunda posição para o público feminino. Para ambos, o acompanhamento psicológico é o fator mais citado e, entre os homens, a prática regular de exercícios físicos se destaca também, em segundo lugar.

Questionados especificamente sobre o tratamento medicamentoso, os homens também se mostram mais resistentes do que as entrevistadas. Pelo menos um a cada cinco (21% da amostra) diz que não tomaria antidepressivos mesmo que o médico prescrevesse, um porcentual que cai para 16% entre as mulheres. “Esse é um sinal de alerta muito importante se considerarmos que os homens compreendem a maior parte dos casos de suicídio e a maioria dessas vítimas sofria de transtornos mentais, como a depressão”, reforça Márjori.

Antidepressivos: um amplo desconhecimento

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Pixabay

Mais do que indicar a presença de muitos mitos associados à depressão no Brasil, a pesquisa revela um forte desconhecimento a respeito dos antidepressivos. Só 29% dos jovens de 18 a 24 anos discordam, por exemplo, da falsa afirmação de que os medicamentos mais modernos seriam menos eficazes, uma vez que tendem a provocar menos efeitos colaterais. A maioria, ou 61% desse grupo, não sabe opinar sobre esse assunto.

Entre os adolescentes de 13 a 17 anos, grande parte também não está convencida da eficácia dos antidepressivos. Metade deles fica em dúvida quando está diante da seguinte sentença falsa: “a maioria dos antidepressivos não funciona”. Os mais velhos estão melhor informados sobre essa questão e 58% das pessoas do grupo de 55 anos ou mais discordam dessa frase.

Ainda em relação aos atributos dos antidepressivos, um em cada quatro entrevistados está convencido de que esses medicamentos poderiam “viciar o organismo”. Apenas 41% das pessoas da amostra geral da pesquisa discordam dessa informação. Em São Paulo, 59% dos participantes ou acreditam que essa afirmação é verdadeira ou não sabem responder.

Outros mitos populares, como a ideia de que todos os antidepressivos provocam ganho de peso, também aparecem no levantamento. Considerando a amostra total de entrevistados, 55% das pessoas ou concordam com essa afirmação ou não sabem avaliar se ela é verdadeira. Da mesma forma, para 61% dos participantes não está claro se todos os medicamentos usados no tratamento da depressão podem provocar a queda da libido. Só 14% dos ouvidos discordam da ideia de que os antidepressivos poderiam atrapalhar a concentração.

“Na verdade, tanto a falta de concentração como a queda da libido podem ser sintomas do próprio quadro depressivo. Assim, ajustar a medicação adequada para o perfil de cada pessoa é um caminho importante para auxiliar a restabelecer a funcionalidade desse paciente”, destaca Elizabeth.

Suicídio e o papel do psiquiatra

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Ilustração: Serena Wong/Pixabay

Os resultados da pesquisa indicam que a figura do psiquiatra começa a ganhar força nas faixas etárias mais maduras, acima de 35 anos. O público mais velho também tende a ter mais informações sobre os antidepressivos. Entre as pessoas com 55 anos ou mais, buscar um psiquiatra seria a primeira medida a tomar diante de um quadro de depressão grave, incapacitante. Em todas as outras faixas etárias, porém, é o auxílio psicológico que aparece em primeiro lugar. Em São Paulo, contudo, as pessoas disseram que inicialmente conversariam com um familiar: o psiquiatra aparece em terceira posição, depois do psicólogo.

Quando a pergunta é sobre o profissional mais indicado para tratar a depressão, mais uma vez a figura do psicólogo aparece, mencionado por 57% da amostra geral e por 80% dos jovens de 13 a 17 anos. Na comparação entre as regiões pesquisadas, apenas em Porto Alegre (RS) a menção ao psiquiatra prevalece. “As pessoas tendem a subestimar a depressão, como se ela fosse menos importante ou grave que outros transtornos mentais. Por isso, existe naturalmente uma resistência e um estigma associado à consulta com o psiquiatra”, comenta Márjori. “Certamente o psicólogo tem um papel muito importante no acompanhamento do paciente com depressão, mas o psiquiatra é o profissional habilitado a estabelecer o diagnóstico e tratamento medicamentoso adequados”.

Entre os participantes mais velhos, porém, o psiquiatra é destaque quando os entrevistados são convidados a pensar sobre como agiriam diante de alguém que estivesse convencido de que a vida não vale a pena e pensasse na morte como uma solução. Buscar o suporte desse profissional especializado seria a primeira recomendação do grupo com 55 anos ou mais para essa pessoa. A maioria da amostra, contudo, responde que se oferecia para conversar sem julgar. Por outro lado, 28% dos homens diriam para o indivíduo “não pensar em bobagens”. Em Fortaleza, quase uma a cada quatro (23%) recomendaria que a pessoa buscasse uma religião.

A dificuldade em lidar com a temática do suicídio também se evidencia em diferentes pontos da pesquisa. Para 22% dos entrevistados, o assunto ainda é um tabu no Brasil e as pessoas deveriam falar mais abertamente sobre essa questão. Mais de 4 a cada 10 participantes afirmam que já conheceram alguém que tirou a própria vida e o porcentual chega a 51% em Belo Horizonte. “Esses dados apontam o quanto ainda existe espaço para fortalecer essa discussão junto à população, como forma de estimular uma conversa franca sobre a saúde mental com toda a sociedade”, completa Márjori.

Fonte: Pfizer