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9 perguntas e respostas sobre o terçol

Quem nunca teve terçol, levante a mão. Todo mundo, pelo menos uma vez na vida, vai desenvolver aquela bolinha vermelha e incômoda na pálpebra. O terçol costuma doer, deixando a região vermelha e mais quente, sinais comuns em inflamações e infecções.

Com a ajuda da oftalmologista, Tatiana Nahas, especialista em doenças das pálpebras e Chefe do Serviço de Plástica Ocular da Santa Casa de São Paulo, listamos as principais dúvidas sobre o terçol. Confira.

O que é terçol?
O terçol, também chamado de hordéolo, é uma infecção bacteriana aguda que atinge as pálpebras.

Como ele se manifesta?
A lesão do terçol se parece com uma bolinha, que na verdade é um abscesso. Em seu interior, o terçol pode conter secreção purulenta devido à infecção. Essa infecção é causada, na maioria dos casos, pela bactéria Staphylococcus aureus.

Como ocorre o desenvolvimento da infecção que leva ao terçol?
Para entender o terçol, é preciso falarmos sobre as glândulas presentes nas pálpebras e suas funções. Nas pálpebras estão localizadas as glândulas de zeis e de meibômio. A zeis secreta uma substância oleosa, com propriedades antissépticas, que ajuda a impedir o crescimento das bactérias. Já a glândula de meibônio produz outras substâncias, essenciais para defesa imunológica dos olhos contra bactérias.

As altas temperaturas e a umidade podem fazer com que essas glândulas não funcionem adequadamente. Com isso, a defesa dos olhos cai, abrindo as portas para micro-organismos, como o Staphylococcus aureus. E assim surge o terçol.

Por que o terçol é mais prevalente no verão?
Temos diversas bactérias em nosso corpo, que na medida certa, nos protegem de várias condições e cumprem funções em nosso metabolismo. Entretanto, em certas ocasiões, dependo das condições climáticas, como o calor e a umidade, essas bactérias podem se proliferar, resultando em condições como o terçol.

Há outros fatores de risco para o terçol?
Sim. Pessoas com blefarite (inflamação crônica nas pálpebras), dermatite seborreica, rosácea, diabetes e com colesterol aumentado têm um risco maior de desenvolver um terçol.

Como é feito o diagnóstico do terçol?
O diagnóstico do terçol é clínico e deve ser feito por um oftalmologista. Normalmente, não é necessário realizar exames. Porém, se houver suspeita de que a infecção se espalhou, é preciso atenção, pois o terçol pode evoluir para um quadro de celulite ocular. Esse quadro precisa de tratamento imediato.

Quanto tempo demora para o terçol desaparecer?
O terçol, na maioria dos casos, se resolve sozinho e desaparece dentro de duas semanas.

Qual é o tratamento para o terçol?
Em geral, o tratamento é simples e envolve uso de antibiótico tópico e de compressas mornas. Em alguns casos, é preciso fazer uma drenagem do abscesso.

É possível prevenir um terçol?
Nos pacientes com blefarite, rosácea e outras condições que aumentam o risco de desenvolver um terçol, a dica é realizar regularmente a higiene das pálpebras. Veja o passo a passo abaixo:
Compressa morna: oaquecimento com compressa morna serve para liquefazer as secreções endurecidas, evitando que a pele fique machucada. O ideal é manter a compressa sobre as pálpebras por cerca de 5 minutos.
Massagem: o próximo passo é massageá-las com o dedo indicador – levemente, claro – de fora para dentro e paralelamente à borda da pálpebra, onde ficam os cílios. Traga os dedos das sobrancelhas em direção aos cílios superiores. Na pálpebra inferior, massageie trazendo o dedo em direção aos cílios, sempre com os olhos fechados. A ideia é expulsar as secreções gordurosas das glândulas, depois que elas foram aquecidas. Repita a massagem em ambas as pálpebras por 10 vezes.
Limpeza: por fim, limpe a borda das pálpebras gentilmente com uma compressa feita de gaze.

Quem quer se prevenir pode ter uma rotina mais espaçada, de ao menos três vezes por semana. A limpeza pode ser feita com xampu infantil neutro diluído em água morna ou ainda com produtos específicos para a limpeza das pálpebras que podem ser encontrados em farmácias e drogarias.

Fonte: Santa Casa de São Paulo

Estudo aponta o esmalte de unha como responsável pela maioria dos casos de alergia facial

Um estudo feito por pesquisadores brasileiros, publicado no final de 2020, apontou que os esmaltes usados para pintar as unhas são responsáveis por cerca de 30% dos casos de dermatite alérgica de contato. Em relação ao local da alergia, a região facial é a mais afetada em 26% dos casos, especialmente área das pálpebras.

Segundo a oftalmologista Tatiana Nahas, especialista em cirurgia plástica ocular e doenças das pálpebras, a pesquisa corrobora o que acontece na prática clínica. “É muito comum receber pacientes, na maioria das vezes mulheres, com reações alérgicas importantes na região das pálpebras. Quase sempre, essa alergia é desencadeada por produtos cosméticos, em especial esmaltes, tinturas de cabelo e cremes para o rosto”.

Outro dado levantado pela pesquisa é que, em média, as mulheres usam 12 produtos cosméticos por dia, colocando cerca de 168 diferentes componentes químicos em contato com a pele. No ranking do estudo, logo após o esmalte de unha, os produtos que mais causam alergia são as tinturas para cabelo, perfumes e fragrâncias, shampoos e cremes para o corpo.

Investimento na face

O mercado de produtos de higiene pessoal e cosméticos é um dos que mais crescem no Brasil. Mesmo em um ano de pandemia, com queda de renda e perda de empregos, o setor cresceu 5,8% em 2020, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec).

Os produtos para a pele tiveram um crescimento ainda mais robusto: 21,8%. E se você acha que é muito, prepare-se: máscaras e tratamentos faciais cresceram 91% em 2020.

O fator de risco mais importante para desenvolver a dermatite de contato é justamente o aumento do uso de cosméticos. As mulheres, entre 20 e 55 anos, são as mais afetadas.

Sinais e sintomas

Healthline

Tatiana explica que há duas formas da dermatite de contato: a irritativa e a alérgica. “A forma irritativa costuma ocorrer no primeiro contato com a substância. As lesões ficam restritas a área em que o produto foi aplicado, causando muita ardência, queimação ou coceira”.

Já a dermatite de contato alérgica, em geral, aparece após o uso frequente e prolongado de um produto. “Pode demorar anos para aparecer. Surgem erupções na pele, especialmente onde houve contato com a substância. Essas lesões podem inchar, ficar vermelhas, formar bolhas ou crostas e dar a sensação de rubor (calor)”, explica a especialista.

Procure seu médico

A principal recomendação ao perceber que houve uma reação alérgica é lavar com água, de forma abundante. Caso não melhore, o ideal é procurar o médico.

“Quando a pessoa identifica qual foi o produto, fica mais fácil evitar recorrência do problema. Isso para os casos das dermatites irritantes. Entretanto, as dermatites alérgicas podem demandar uma investigação mais apurada para descobrir qual ou quais produtos têm causado a alergia”

De olho na validade

A oftalmologista alerta: é preciso controlar a data de validade dos produtos. “Em geral, as mulheres não se preocupam muito com o vencimento das maquiagens. E produtos fora do prazo de duração têm um potencial maior para causar alergias. Isso vale para qualquer cosmético”, reforça Tatiana.  

Alergia ocular

A reação alérgica pode afetar tanto a pele das pálpebras quanto o globo ocular. Nesses casos, a atitude é a mesma: lavar com água de forma abundante e procurar o oftalmologista, se não houver melhora. Não use nenhum tipo de colírio ou outra substância.

Por fim, a médica faz um alerta: “Nos últimos anos, o uso dos óleos essenciais se tornou mais frequente no Brasil. Entretanto, esses produtos são bastante concentrados. Assim, deve-se evitar o uso desses óleos na região facial, especialmente em volta e nas pálpebras”, finaliza a medica.