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Mulheres paulistas têm mais chances de terem insônia, aponta estudo

Questões hormonais e culturais levam as mulheres a vivenciarem o distúrbio do sono com maior frequência do que os homens; tecnologia de startup do Supera Parque ajuda no tratamento

Quase o dobro, cerca de 18,1%, das mulheres paulistas têm insônia crônica se comparado aos homens na mesma situação, cerca de 10,7%, segundo estudo publicado, em 2020, na revista Sleep Health. Diversos estudos já comprovaram que os distúrbios do sono são muito comuns entre as mulheres e podem causar problemas de saúde física e emocional se não forem cuidados.

Diferentes fases da vida da mulher, como TPM, gestação, pós-parto e menopausa, têm relação com a insônia e não podem ser negligenciadas para não trazer problemas futuros. Por exemplo, durante a gravidez, 80% encaram alguma dificuldade para dormir e, na menopausa, esse percentual pode chegar a 60%.

Neide Souza, 55, é um desses casos. Ela dormia menos de quatro horas por noite e suas queixas já persistiam há mais de 15 anos. “Tomava dois comprimidos para dormir, mas não resolvia. Isso trouxe diversas consequências negativas para minha vida”, lembra.

A chefe do setor de sono da Mulher da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e pesquisadora do Instituto do Sono, Helena Hachul, comenta que questões hormonais tipicamente femininas associadas a condições psicossociais, questões sociais e ambientais influenciam diretamente no sono na mulher.

“São muitas questões que fazem com que a mulher tenha insônia e isso se reflete na vida, tanto pessoal como profissional, dela. Dentro desse cenário, as modificações hormonais ao longo da vida aumentam a vulnerabilidade a fatores estressantes e, consequentemente, aos riscos à saúde e ao bem-estar, corroborando para o aumento da prevalência de insônia na mulher”.

Riscos

A pessoa quem tem insônia não fica apenas mais irritada ou cansada. Noites maldormidas podem trazer outras complicações, como pressão alta, diabetes e aumento de peso, levando a mais problemas de saúde física e mental, principalmente quando se tornam um problema crônico.

“A insônia pode afetar performances cognitivas, como memória, humor e atenção, e o equilíbrio homeostático. Dessa forma, o sono tem efeito modulador na fisiopatologia de diversas doenças inflamatórias, autoimunes e alérgicas, podendo atuar como gatilho ao desenvolvimento e agravo destas e de outras inúmeras comorbidades em variados sistemas, inclusive o imunológico, com prejuízo na defesa do organismo”, destaca a especialista.

Tecnologia ajuda no tratamento

A tecnologia também é um aliado para melhorar a qualidade de vida das pessoas com problemas como a insônia. Terapia digitais, por exemplo, são muito úteis e outra para quem quer melhorar a insônia sem o uso de medicamentos.

Gabriel Natan Pires, pesquisador do Instituto do Sono e diretor de pesquisa da startup SleepUp, sediada no Supera Parque de Inovação e Tecnologia de Ribeirão Preto, explica que o uso de terapia digital para tratamento de insônia é uma realidade já comum nos EUA e Europa.

“Muitos estudos feitos nos Estados Unidos e na Europa já fazem uso da terapia cognitivo-comportamental para insônia (TCCi) virtual que é mais acessível e barata do que a TCC convencional. Os resultados mostram que a TCCi on-line é tão eficaz quanto a presencial para a maioria das pessoas”, afirma.

Pires ressalta que a SleepUp é pioneira em trazer essa técnica ao Brasil e 85% dos usuários do aplicativo são mulheres. “O TCCi é o tratamento de primeira linha que utilizamos”.

Maria Ane Dias, 36, é uma das usuárias do serviço. Ela tem insônia desde criança e passou por uma mudança de hábitos após iniciar em 2020 a terapia virtual. Ela intensificou a procura por orientações que pudessem ajudá-la.

“Comecei a usar o aplicativo da SleepUp por causa da calculadora de sono, que mede a eficiência do tempo que passo dormindo, e depois comecei a explorar outras funcionalidades. Tudo isso me trouxe mais consciência sobre mudanças de hábitos e ações práticas que melhoraram a minha insônia para não precisar ficar usando remédio”.

Dicas práticas

Para Helena, identificar se há outros problemas de saúde associados à insônia é essencial para tratar o distúrbio corretamente e que há outras técnicas de higiene do sono para seu tratamento não farmacológico.

“Algumas dicas que podem ser facilmente inseridas no cotidiano para o tratamento não farmacológico da insônia são: fazer a última refeição até às 20h; evitar alimentos ricos em xantinas e cafeína (chás pretos, café, refrigerantes à base de cola); estabelecer uma rotina do sono e evitar praticar atividades físicas com regularidade após às 18h”, finaliza.

Sobre o SleepUp

Aplicativo que oferece atendimento integrado para insônia, com tratamento virtual e personalizado por profissionais de saúde e monitoramento contínuo com tecnologias vestíveis. Foi fundada em 2019. O aplicativo está disponível para aparelhos com sistema Android e, em breve, também para IOS.

SII: terapia cognitivo-comportamental por telefone e Internet alivia sintomas

O tratamento usual para a síndrome do intestino irritável consiste em drogas e conselhos sobre estilo de vida e dieta. Agora, um novo estudo sugere que fazer terapia comportamental cognitiva pela Internet ou pelo telefone, além dos cuidados habituais, pode reduzir os sintomas de forma mais eficaz do que o tratamento padrão para aqueles cuja SII não está respondendo aos medicamentos.

A pesquisa, que tomou a forma de um estudo controlado randomizado, é a maior até agora a ter testado esses tipos de terapia cognitivo-comportamental (TCC) para o tratamento da síndrome do intestino irritável (SII).

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O experimento foi realizado no Reino Unido, sob a direção de pesquisadores da Universidade de Southampton e do King’s College London, que detalharam os métodos e descobertas em um artigo publicado na revista Gut.

A SII é uma condição intestinal comum com sintomas persistentes que podem afetar significativamente a qualidade de vida de uma pessoa. As novas descobertas podem ajudar a ampliar o acesso ao Serviço Nacional de Saúde (NHS) no Reino Unido e à terapia psicológica efetiva para pessoas com a síndrome.

As diretrizes clínicas do Reino Unido recomendam a TCC para pessoas com SII cujos sintomas permanentes não respondem aos medicamentos após 12 meses. Os pesquisadores afirmam que, embora a TCC possa “reduzir as pontuações dos sintomas e melhorar a qualidade de vida por meio de crenças e comportamentos de enfrentamento inúteis”, ainda não sabem quais métodos de administração são os mais eficazes.

Estudos anteriores sugeriram que sessões presenciais de TCC poderiam ajudar a reduzir os sintomas da SII. Porém, a primeira autora do estudo, Drª Hazel A. Everitt, que é professora associada em clínica geral na Universidade de Southampton, explica: “No entanto, na minha experiência clínica descobri que a disponibilidade [de face a  face] da TCC é extremamente limitada”.

SII e TCC

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SII é uma condição gastrointestinal persistente e angustiante que afeta cerca de 11% das pessoas em todo o mundo, e “requer carga significativa de cuidados de saúde”. Os sintomas incluem dor abdominal, cólicas, inchaço, constipação e diarreia. Eles podem ter um impacto considerável na capacidade de uma pessoa para trabalhar e manter sua qualidade de vida. SII não é o mesmo que doença inflamatória intestinal (DII), embora as duas condições tenham alguns sintomas semelhantes.

Já a TCC é uma “terapia da fala” que ajuda as pessoas a alterarem seu pensamento e comportamento para gerenciar os problemas de uma maneira positiva e sistemática. A terapia concentra-se no presente e incentiva a mudança por meio de pequenos passos práticos que os indivíduos podem implementar em suas vidas diárias imediatamente.

A abordagem pode ajudar várias condições médicas, desde SII a transtornos alimentares, depressão, ansiedade, insônia e estresse pós-traumático.

Comparando a TCC adaptada ao atendimento padrão

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Para o estudo, os pesquisadores recrutaram 558 pessoas com SII que estavam passando por sintomas contínuos sem alívio e em outros tratamentos por pelo menos 12 meses. Eles atribuíram aleatoriamente os participantes a três grupos. Em um grupo, de controle, receberam cuidados padrão, enquanto os outros dois grupos receberam duas formas de TCC adaptadas para a SII, além do tratamento padrão.

Os cuidados padronizados incluíam o “tratamento como de costume”, que os pesquisadores definiram como “continuação dos medicamentos atuais e acompanhamento habitual do clínico geral ou consultores sem terapia psicológica”. Ele também incluiu conselhos e um folheto sobre estilo de vida e dieta.

As duas formas de TCC – por telefone e pela Internet – tinham os mesmos objetivos, mas diferentes modos de entrega e quantidades variáveis ​​de informações dos terapeutas, que também passaram por um treinamento.

Ambas as formas de TCC visavam melhorar os hábitos intestinais e desenvolver padrões estáveis ​​e saudáveis ​​de alimentação. Também procuraram gerenciar o estresse, desafiar o pensamento negativo, reduzir o foco nos sintomas e prevenir a recaída.

Aqueles no programa de TCC por telefone receberam um manual com conselhos detalhados e trabalhos de casa. Eles também falaram por uma hora ao telefone com um terapeuta por seis vezes durante as primeiras nove semanas. Então, eles tiveram mais duas sessões de reforço de uma hora com o terapeuta no telefone, aos quatro e aos 8 meses após o início do programa.

Os participantes do programa de TCC pela Internet poderiam acessar um pacote de autoajuda interativa baseado em materiais de um teste anterior para SII. Eles também receberam três sessões de telefone de 30 minutos com um terapeuta nas primeiras cinco semanas e depois duas sessões de reforço de 30 minutos após quatro e oito meses.

Os resultados favoreceram ambos os modos de TCC

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Para avaliar a eficácia do tratamento nos três grupos, os pesquisadores analisaram uma série de medidas, incluindo mudanças nos escores de gravidade dos sintomas, nível de interrupção do trabalho e da vida social, humor e capacidade de lidar com os sintomas.

Eles avaliaram algumas pessoas, 3 e 6 meses após o início dos tratamentos e, em seguida, no final do estudo, que durou 12 meses. Os resultados mostraram que, em comparação com os participantes que receberam apenas tratamento padrão por 12 meses, aqueles que receberam TCC por telefone ou pela web tiveram maior probabilidade de relatar que seus sintomas diminuíram em gravidade e que o trabalho e vida social melhoraram.

É importante notar que apenas as pessoas cuja SII não respondeu às drogas participaram do estudo, então, os resultados não se aplicam necessariamente a todos com o problema.

A equipe está agora trabalhando com o Serviço Nacional de Saúde inglês para que mais pessoas com SII possam acessar esses tratamentos. Eles também estão trabalhando com uma empresa privada para tornar a TCC pela web mais acessível fora do serviço de saúde e em outros países.

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“O fato de que ambas as sessões de TCC realizadas por telefone e pela web se mostraram tratamentos eficazes é uma descoberta realmente importante e excitante. Os pacientes são capazes de realizar esses tratamentos em um momento conveniente para eles, sem terem que se deslocar para clínicas”, afirma um dos pesquisadores, o médico Hazel A. Everitt.

Fonte: Medical News Today

Síndrome do Intestino Irritável e depressão: qual o link?

Tanto quanto os cientistas sabem, a síndrome do intestino irritável não causa depressão, e a depressão não causa a SII. Mas, para muitas pessoas, as duas estão juntas. Às vezes, uma condição pode piorar a outra. Pode ser um ciclo frustrante.

Ao mesmo tempo, tratamentos que normalmente aliviam o transtorno de humor também podem ajudar algumas pessoas com seus sintomas da SII. Eles podem oferecer ainda mais opções a serem consideradas quando você estiver procurando por ajuda.

Como a SII e a depressão funcionam juntas

depressão

Os sintomas da síndrome do intestino irritável podem causar um nível de desconforto que se assemelha à depressão. Algumas pessoas estão tão preocupadas que a diarreia, a constipação ou outros sintomas se manifestem, e evitam ir ao trabalho, à escola ou visitar os amigos. Elas podem se concentrar menos em suas vidas sociais e perder o interesse em atividades de que antes desfrutavam. Podem se sentir inquietas ou irritáveis. Todos estes são sintomas de depressão.

Por outro lado, o transtorno do humor pode influenciar o modo como as pessoas lidam com a SII. Elas podem se sentir muito cansadas ou sem esperança para se preocupar em mudar sua dieta para aliviar os sintomas digestivos ou achar que não podem tratar sua constipação ou diarreia bem o suficiente. Além disso, o estresse emocional piora os sintomas intestinais.

Antidepressivos para SII

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Alguns remédios para depressão podem tratar o transtorno do humor e alguns dos sintomas da SII. Mas eles são usados de maneiras diferentes para cada condição, por isso é importante conversar com seu médico para saber como você deve tomá-los.

Mesmo as pessoas com síndrome do intestino irritável que não estão deprimidas podem obter alívio por meio dos antidepressivos. As drogas podem ajudar a bloquear a forma como o cérebro processa a dor.

O American College of Gastroenterology, , nos EUA, diz que dois tipos de antidepressivos podem ajudar os sintomas da SII:

=Antidepressivos tricíclicos, como amitriptilina, desipramina ou nortriptilina

=Inibidores seletivos de recaptação de serotonina (SSRIs), como citalopram, paroxetina ou sertralina

Mas os especialistas dizem que precisam de mais pesquisas para entender completamente o quão seguras e eficazes as drogas são para as pessoas com SII.

Terapia

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Foto: Shutterstock

Muitas pessoas com depressão recebem ajuda trabalhando com um terapeuta para descobrir conflitos e entender sentimentos. Um tipo de terapia de conversa, chamada terapia cognitivo-comportamental, pode ajudar com os sintomas da SII e com o transtorno de humor.

A terapia cognitivo-comportamental ensina como reconhecer pensamentos negativos e distorcidos e substituí-los por pensamentos positivos e mais realistas. O American College of Gastroenterology descobriu que a terapia comportamental aliviou alguns sintomas da SII para a maioria das pessoas. E, quando se sentiam melhor fisicamente, também apresentavam menos sintomas de depressão e ansiedade.

Outras opções de tratamento

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Foto: SelfSetFreeLiving

Juntamente com a Medicina e terapia, outras medidas podem ajudar a aliviar a depressão e a síndrome do intestino irritável. Algumas pessoas acham que técnicas de gerenciamento de estresse, como meditação ou respiração profunda, ajudam a se sentir melhor. O exercício regular também ajuda algumas pessoas a se recuperarem da depressão. Então, fazer uma boa dieta para SII, ter a quantidade certa de sono e tempo para fazer algo que você gosta a cada dia também ajudam.

Grupos de apoio para pessoas com SII ou transtorno de humor também podem fazer a diferença. Quando você fala com outras pessoas que sabem o que você está passando, você pode se sentir menos sozinho.

Converse com seu médico sobre o que é certo para você também. Pergunte se se consultar com um profissional de saúde mental ajudará.

Fonte: WebMD

Ruminar pensamentos aumenta risco de desenvolver depressão e ansiedade

Estima-se que uma pessoa tem de 40 a 60 mil pensamentos por dia. A maioria das situações com as quais nos preocupamos acaba de forma positiva ou neutra. E se você pensar nos eventos mais complicados da sua vida pode ter certeza que recordará que eles acabaram sendo menos graves do que você imaginava. Portanto, para que ficar ruminando?

Esse termo pode soar estranho, já que ruminar é uma característica de certos mamíferos como a vaca, que ingerem os alimentos, regurgitam-nos para a boca e os mastigam novamente. A psicologia usa o termo ruminação para explicar os pensamentos negativos e recorrentes. Todas as pessoas ruminam, mas nem toda ruminação é disfuncional.

Segundo Caio Magno, psiquiatra e cofundador da Clínica Estar, a ruminação é prejudicial quando associada a alguns comportamentos e sentimentos. “Se pensar em uma situação causar mau humor, tristeza e desmotivação é um sinal de alerta. Além disso, é um fator de risco importante para desenvolver quadros de depressão, ansiedade e estresse. Além do que pode dificultar a melhora desses problemas”, explica o médico.

“Há pessoas que evitam pensar nos problemas, o que é disfuncional. Já os que ruminam pensam demais e de modo destrutivo, piorando o estado depressivo ou ansioso, o que acaba levando à manutenção do problema”, diz Caio.

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Ruminar pode estar ligado a características individuais

De acordo com o psiquiatra, há pessoas com maior predisposição a ruminar.:“Existem pessoas que vivenciam de forma mais intensa os sentimentos de aflição, angústia, tristeza, ansiedade e têm baixa tolerância à frustração. Essas pessoas costumam apresentar com mais prevalência os pensamentos ruminantes disfuncionais”, explica.

O lado bom da vida

A boa notícia é que é possível mudar os pensamentos negativos recorrentes por meio da chamada Terapia Cognitivo Comportamental (TCC). Criada nos anos 1960 nos Estados Unidos, pelo psiquiatra norte-americano Aaron Beck, a terapia atua para modificar um pensamento disfuncional ou distorcido sobre um fato para que a pessoa possa ter uma visão mais clara da sua vida e se sinta melhor. Outra técnica importante com poder de reduzir a ruminação, assim como sintomas depressivos e ansiosos é o mindfulness. Tal prática permite uma outra relação com pensamentos negativos, sendo eficaz nesse ponto.

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Foto: Pinterest

Mas, mesmo sem a terapia, há alguns passos que podem ser seguidos para evitar a ruminação disfuncional. “É preciso aprender a contestar os pensamentos ruminantes, avaliar se são válidos e pensar em saídas alternativas. Só o fato de perceber que ruminar reforça o problema emocional pode gerar na pessoa uma perspectiva diferente sobre esse hábito tão ruim ”, finaliza o médico.

Fonte: Clínica Estar