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Brasileiro se consolida entre os melhores produtores de vinho no Chile

O brasileiro David Giacomini e sua vinícola chilena de boutique La Recova, situada no Vale de Casablanca, celebram mais um ano de excelentes resultados no Guia Descorchados

Na edição 2021 da publicação, assinada pelo especialista Patricio Tapia e que será disponibilizada no Brasil ainda este ano, o Avid Sauvignon Blanc 2017 recebeu 94 pontos e o Avid Sauvignon Blanc 2018 alcançou 95 pontos. Esta safra mais recente também foi listada na categoria Vinho Revelação e entrou no Ranking dos Melhores Sauvignon Blanc do Chile

O rótulo, que vem sendo premiado desde sua primeira safra, em 2014, vem de um vinhedo de 4 hectares cultivado em escala humana. 

“Hoje a Sauvignon Blanc é a segunda uva mais produzida no Chile, ficando atrás apenas da Cabernet Sauvignon, com 11,2% de toda a área de vitis vinifera no país. É trabalhada pelos melhores e mais renomados enólogos chilenos. Para nós, da pequena La Recova, estar entre os melhores do Chile é um enorme reconhecimento”, conta David Giacomini, engenheiro e empreendedor que criou a marca.

Ainda segundo David, esses resultados são graças à busca incessante pela boa qualidade da uva no campo, pela expressão do terroir e pela diferenciação do seu produto.

“Não tinha a intenção de lançar mais um varietal ao estilo neozelandês, jovem, com os clássicos aromas de maracujá e grama cortada. Queria algo mais e alcançamos esta diferenciação com o AVID. Muito nos alegra alcançar essas altas pontuações (mais comumente vistas em tintos)”, complementa.

Feeling e paciência

Natural de Porto Alegre (RS) e descendente de italianos, David Giacomini já era um apaixonado estudioso de vinhos quando, em 2005, passou de enófilo para enólogo autodidata. 

“Morava há alguns anos neste sítio frio no setor de Las Dichas, a 11 km do Oceano Pacífico e em meio ao Vale de Casablanca – região famosa pela sua vocação para excelentes brancos. Comecei a estudar para produzir vinho, fiz alguns cursos no Brasil e na Califórnia, até que decidi plantar a Sauvignon Blanc em 4 hectares”, recorda.

Por puro feeling e contrariando o “modus operandi” dos demais viticultores chilenos, decidiu implantar um vinhedo de alta densidade, de trato orgânico e com 9,8 mil plantas por hectare (quase o triplo da média no país). “Soube que assim era feito na Borgonha e em Bordeaux, na França, então decidi apostar”, relembra David. 

As videiras estão em encostas de alta inclinação e com exposição leste, protegidas da incidência solar vespertina. Além de pouca água via irrigação, elas recebem a vaguada costera, uma neblina matinal oriunda do Oceano Pacífico e que protege os vinhedos dos primeiros raios solares da manhã. 

Um terroir quase extremo e que levou 5 anos para produzir sua primeira safra, a qual acabou sendo vendida à Viu Manent. Naquele ano, as uvas comercializadas entraram no blend do rótulo Secreto, que recebeu destaque no Guia Descorchados 2011 como Melhor Vinho da renomada vinícola ao lado do Viu 1. 

“Foi quando descobri, enfim, que estava em um terroir especial”, conta David. Em 2013 construiu sua cantina e, no ano seguinte, passou a vinificar na própria La Recova. Os primeiros vinhos nasceram em um contêiner próximo à sua casa, hoje repletos de tanques de inox e ovos de cimento. Hoje Giacomini produz também o Obstinado, um rosé meio seco de Sauvignon Blanc “tingido” com cascas de Syrah; e o Orquídea Late Harvest, também com a mesma cepa. 

Vinhos distintos

Além de toda a influência do terroir, ambas as colheitas do AVID foram realizadas quando as uvas estavam com sua maturação ideal. Isso garantiu aos vinhos maior complexidade aromática, excelente acidez e equilíbrio, mesmo com teor alcoólico mais elevado, de 14%. 

Mas as semelhanças entre as safras param por aí. A colheita de 2017 foi 100% elaborada em tanques de inox; e após o término da fermentação, os vinhos ficaram quase um ano em contato com as leveduras. O resultado foi um vinho branco de guarda, mineral, untuoso e com notas de salsa e endro.

Já o 2018 teve 50% do seu volume estagiando por 12 meses em ovos de cimento, fazendo dele um vinho ainda mais untuoso e com excelente volume em boca. Este AVID chegará ao mercado mais suculento, cremoso e complexo; com aromas de frutas cítricas; frutas brancas como maçã e pêssego; toques herbáceos de capim limão, goiaba e aspargo; além de nuances minerais.  

Harmonize-os com Moqueca de Siri Mole, Escondidinho de Camarão, Nhoque ao Pesto com Lascas de Parmesão, Camarão na Moranga, Atum Selado com Crostas de Gergelim e Purê de Mandioquinha, e Risoto de Limão Siciliano. O AVID 2017 custa R$ 102,00 no site DaGirafa e também pode ser adquirido nas melhores adegas e lojas especializadas do país. O AVID 2018 chega ao Brasil em maio de 2021.

Terroir hunter chilena, BOWines chega ao Brasil

Já estão disponíveis no Brasil os rótulos produzidos pela BOWines – Best Origin Wines. Trazidos pela importadora Novo Chile, os tintos desta vinícola são sustentáveis, focados na expressão do terroir e na preservação de castas patrimoniais chilenas.

Destaque para o Fillo Carignan (R$ 133 no ecommerce Da Girafa), primeiro rótulo lançado pela empresa e que carrega o DNA da BOWines: equilíbrio, sustentabilidade e identidade chilena. 

Fillo significa “filho” na língua aragonesa e homenageia a origem da Carignan na Espanha, onde o renomado enólogo e sócio-proprietário da BOWines, Alvin Miranda, viveu por 13 anos antes de retornar ao Chile. O vinho nasceu a partir do primeiro terroir encontrado por Miranda e seus parceiros: um vinhedo com mais de 70 anos na região de Peumal, no Maule, que persistiu sem irrigação ou qualquer tipo de manejo. 

“Sentimos a necessidade de preservar estas uvas, pois são patrimônio da humanidade e se formaram em ecossistemas complexos. Vinificá-las é, inclusive, ir na contramão da indústria — que trabalha com imediatismo, busca somente o resultado econômico e acaba destruindo esses vinhedos. Nosso propósito hoje é criar vinhos de qualidade, com senso de respeito e origem”, revela Alvin. 

Bastante floral e frutado, Fillo Carignan tem excelente acidez e também um certo caráter mineral, com final longo e intenso. Combina com peixes mais gordurosos, carnes brancas, vermelhas e sobremesas contendo frutas e cremes.

Deste mesmo terroir, nasceu alguns anos depois o Carae Carignan (R$ 212 no ecommerce Da Girafa) — rótulo premium da BOWines. Assim chamado em referência a um assentamento espanhol pré-românico homônimo, que originou o nome da uva, este tinto estagiou por 18 meses em barricas francesas de 2º e 3º uso. Na análise sensorial, expressa um bouquet requintado e complexo, com frutas vermelhas, tabaco, especiarias e um toque terroso. Na boca é fresco e macio.

O caráter “terroir hunter” da BOWines

A BOWines tem, entre seus principais propósitos, preservar “terroirs” únicos ameaçados para gerar vinhos com personalidade. E Peumal foi só o primeiro território adotado. O Fillo Malbec (R$ 133 no ecommerce Da Girafa), por exemplo, é elaborado com uvas provenientes de um vinhedo sustentável de 30 anos em Lolol, no Vale de Colchagua, a 40 km do Oceano Pacífico. Trata-se de um vinho jovem, picante, direto, com aromas varietais puros e toques sutis de lavanda e menta.

Malcriado (R$ 178 no ecommerce Da Girafa), por sua vez, é um assemblage elaborado com 25% de Cabernet Sauvignon de Requinoa, no Vale de Cachapoal, também de vinhedos com mais de 30 anos resgatados pela BOWines. Complementando o blend, é adicionado 75% da Carignan dos mesmos vinhedos do Fillo.

Com estágio de 12 meses em barricas francesas, o corte de Carignan deu o tom deste tinto fresco e equilibrado, com aromas frutados e elegantes notas de envelhecimento. No olfato, revela notas de morangos, cerejas, defumados, tabaco e mentolado; e no paladar, mostra-se fresco, untuoso e frutado.

“Além destes, devem chegar ao Brasil nos próximos anos os exemplares de Tempranillo do Maule e um Carménère de Marchigüe. Seguimos explorando e fazendo testes para incorporar novos terroirs”, conta Alvin Miranda, que não esconde o desafio em orquestrar as produções em diversos locais. 

Escala humana na BOWines

Atualmente a BOWines trabalha com 10 hectares e produz 25 mil garrafas ao ano com uma estrutura reduzida: em escala humana e ainda sem vinícola própria. Desde 2012, ano em que o projeto foi iniciado, os profissionais fazem quatro vinificações em três adegas parceiras distintas; que ficam distantes até 300 km umas das outras.

“Já iniciamos um projeto vinícola em Requinoa, onde estão nossos vinhedos de Cabernet Sauvignon; mas hoje ainda seguimos atuando quase de maneira artesanal. É pesado, mas é um trabalho que nos move. Nosso time está unido por um espírito inquieto, que nos incentiva a assumir novos desafios”, revela Miranda.

Novo Chile: grandes vinhos de pequenos produtores

Os vinhos chilenos lideram o ranking de vinhos importados no Brasil há mais de 10 anos. Mas o brasileiro ainda está alheio à verdadeira revolução – como bem citou Jancis Robinson – iniciada por pequenos vinhateiros. Os dados não mentem: menos de 0,5% dos rótulos andinos que chegam ao país são de vinícolas independentes.

São brancos, rosés, tintos e espumantes elaborados em pequena escala; a partir de terroirs selvagens, microclimas diferenciados, com resgate de uvas centenárias e modelos de produção livres e sustentáveis. E o mais interessante: têm seus rótulos anualmente premiados por publicações e especialistas, como Patricio Tapia (Descorchados), Tim Atkin (Master of Wine), James Suckling e Robert Parker. A importadora Novo Chile surgiu para representar ícones deste movimento. Atualmente, também traz ao Brasil vinhos das vinícolas Alchemy, Erasmo, Laura Hartwig, La Recova, OWM Wines, Trapi del Bueno e Villalobos. Para mais informações, acesse o site do Novo Chile.

21 espumantes para receber 2021

Carregando as marcas Miolo, Terranova, Seival e Almadén, espumantes com diferentes terroirs atendem aos mais diversos estilos com preços que partem de R$ 20

2020 passou. Era para ter sido bem diferente, mas vem aí 2021 carregado de boas energias e com muita expectativa. Para celebrar a vida, a Miolo Wine Group, que há 25 anos elabora grandes espumantes, ampliou seu portfólio desta categoria passando a oferecer 21 rótulos. Frisantes, moscatéis, brut (charmat e método tradicional), além de Nature e Sur Lie. Tem espumantes para todos os estilos, momentos e bolsos.

A relação da vinícola com a elaboração de espumantes começou com o Miolo Cuvée há 25 anos. Para comemorar a data, a empresa não apenas lançou o Nature como também aproveitou para modernizar a linha, toda ela agora com Denominação de Origem Vale dos Vinhedos, certificando a origem e a qualidade do produto sem pagar mais por isso. “O Miolo Cuvée tem um significado muito especial para a história da vinícola. Foi com ele que entramos nesse segmento. E conquistar a Dow para toda a linha nos enche de orgulho. A renovação também posiciona o produto em seu lugar de direito, com o merecido destaque”, salienta o enólogo Adriano Miolo, diretor superintendente da vinícola. Nessa trajetória, o Miolo Cuvée arrematou 47 prêmios em concursos internacionais.

Entre as novidades, destaque também para o ultra premium Miolo Millésime Brut 2017, cobiçado entre os amantes da bebida. Mas o líder de vendas, ‘queridinho’ do verão brasileiro é o Terranova Tropical Moscatel, que está totalmente remodelado, exibindo toda brasilidade que a estação mais quente do ano exige. Outro lançamento do ano é o Almadén Moscatel Rosé, elaborado pelo método Asti com uvas cultivadas no Vale do São Francisco. Ideal para sobremesa ou aperitivo, é um espumante leve e descontraído, com baixa graduação alcoólica, atraente na cor, nos aromas e na refrescância.

São 21 rótulos que vão de escolhas descontraídas até as mais sofisticadas. Tem espumante para todos os gostos. A diversidade está nos estilos e no preço, com opções que vão de R$ 20, como é o caso do Almadén Brut (Branco e Rosé) e Demi Sec, até chegar ao Íride Miolo Sur Lie Nature 10 Anos, a R$ 350. Tem espumante tropical, espumante que conquistou até a França e espumante com Denominação de Origem Vale dos Vinhedos.

Os rótulos das marcas Terranova, Seival e Almadén, por exemplo, colocam na taça toda pluralidade que o Brasil esbanja com um excelente custo-benefício. Elaborados com uvas cultivadas no Vale do São Francisco, na Campanha Meridional e Campanha Central do Rio Grande do Sul, estes espumantes são ideais para celebrar. Fáceis de beber, carregam expressões dos três terroirs em assemblages com uvas como Chardonnay, Pinot Noir, Chenin Blanc, Sauvignon Blanc, Verdejo, Moscato, Grenache, Pinot Gris, Shiraz e Semillon.

Coleção de espumantes da Miolo Wine Group
Íride Miolo Sur Lie Nature 10 Anos

Miolo Millésime Brut

Miolo Millésime Brut Rosé
Miolo Millésime Brut 6l


Miolo Cuvée Nature
Miolo Cuvée Brut
Miolo Cuvée Brut Rosé
Miolo Cuvée Demi-Sec
Magnun Miolo Cuvée Brut 1,5l
Magnun Miolo Cuvée Brut Rosé 1,5l
Terranova Brut
Terranova Brut Rosé
Terranova Demi-Sec


Terranova Tropical Moscatel
Terranova Baby (Brut e Moscatel)
Almadén Brut
Almadén Brut Rosé
Almadén Demi-Sec

Almadén Moscatel Rosé
Seival by Miolo Brut
Seival by Miolo Brut Rosé

Informações: Miolo

Vinho bom x vinho caro: conhecimento vale mais do que dinheiro*

Quem disse que vinho bom é vinho caro e que vinho brasileiro não é bom se equivocou duas vezes. A safra das safras, como está sendo chamada a safra referente a 2020 pelos enólogos, está aí para comprovar a qualidade dos terroirs brasileiros e a nossa expertise na produção vitivinícola.

Além de ressaltar a nossa capacidade na entrega de excelentes vinhos, a safra das safras também chamou a atenção para a acessibilidade das bebidas produzidas no Brasil. Por ser de produção local, produtos de extrema qualidade e premiados em diversos concursos, podem ser comercializados em valores mais acessíveis se comparados a rótulos estrangeiros.

Ultimamente temos visto diversas notícias sobre o engano de garçons na troca de produtos muito caros por vinhos mais baratos. E, em alguns casos, os clientes nem percebem. Esse é um dos indicativos de que o valor de um vinho nem sempre corresponde diretamente à qualidade. É possível entregarmos vinhos com pontuação altíssima e sem pesar no bolso, como é o caso do Panizzon Ancellotta 2018, que conquistou Medalha de Gran Gold no Wines of Brazil Awards 2020 e pode ser encontrado no comércio por a partir de R$ 29,90.

Então, o que importa na hora de escolher um vinho não é o valor que você possui na carteira, mas o seu conhecimento sobre a bebida. Para quem ainda não tem intimidade com o universo vitivinícola, a dica é se informar sobre os vinhos premiados e destacados em concursos nacionais e internacionais e se atentar a indicações de enólogos ou sites de sua confiança.

E quanto mais o apreciador for degustando, mais irá treinando o seu paladar para descobrir suas próprias preferências e, assim, se sentir mais seguro na hora da compra. Mas para isso, é preciso se aventurar, buscar novos rótulos e testar seus sentidos com novas experiências.

O universo do vinho é imenso e diverso e, muitas vezes, pode parecer complexo e afastar novos degustadores. Mas o vinho, e principalmente o bom vinho, não precisa ficar restringido a momentos especiais, a status social, a carteiras recheadas. O bom vinho pode estar em todos os momentos que quisermos, pode combinar com qualquer tipo de refeição e, principalmente, pode ser acessível sem deixar de ter qualidade.

*Filipe Panizzon é Presidente da Associação de Produtores dos Vinhos dos Altos Montes

Cabernet Sauvignon ícone de Puente Alto alcança 100 pontos no James Suckling

Safra 2018 expressa a emoção única dos grandes vinhos, graças a uma colheita sem precedentes e a condições meteorológicas ideais. Em breve, estará disponível em todo país, para alegria dos fãs desse emblemático vinho

Uma das mais grandiosas da história de Don Melchor, com condições de vindima praticamente ideais, a safra 2018 conquistou a mais perfeita pontuação que um vinho pode receber: 100 pontos conferidos pelo crítico norte-americano James Suckling, um marco para o setor vitivinícola chileno. Com a obtenção deste marco histórico, Don Melchor consolida sua posição como um dos grandes Cabernet Sauvignon de alta gama no mundo.

Enrique Tirado

“Sem dúvida, a qualidade excepcional do Don Melchor não seria possível sem o terroir de Puente Alto, seu vinhedo, solo e clima, que nos permitem produzir um vinho único em cada safra”, explica Enrique Tirado, enólogo e diretor técnico da Viña Don Melchor.

A expressão da fruta e a qualidade das texturas obtidas no vinhedo, com presença marcada de frutas vermelhas – expressão clara de um Cabernet Sauvignon de Puente Alto, aliás- , taninos suaves e elegantes, resultam em um vinho de grande elegância e densidade, com diferentes camadas de aromas e sabores, além de um nariz prolongado e persistente.

“Isto é alucinante. A vitalidade e a energia neste vinho são deslumbrantes. A complexidade dos aromas é impressionante, com flores, cassis, framboesa e pêssego. Corpo amplo, ainda que muito refinado e polido, com uma beleza e textura impecável. A permanência é maravilhosa. Este é um testemunho do equilíbrio, da harmonia e da transparência em um grande tinto”, afirma James Suckling.

Esta pontuação máxima posiciona o terroir de Puente Alto entre os melhores do mundo, um lugar com condições únicas, capaz de mostrar ao mundo o potencial que o Chile tem para produzir grandes vinhos, e a origem que vem impulsionando há mais de 30 anos a viticultura e enologia de alta qualidade no país. O trabalho rigoroso por trás da elaboração do Don Melchor se infunde na obsessão da equipe enológica e agrícola por compreender cada detalhe do vinhedo, estudando minuciosamente seus solos, entendendo a expressão do terroir e respeitando a essência do vinhedo em cada processo do vinho.

“A perseverança na busca pela melhor expressão e qualidade nos permitiu obter na safra 2018 o que chamamos de safra perfeita. Os vinhos são muito expressivos, com a maturação exata, resgatando toda a expressão da fruta do Cabernet Sauvignon e do Cabernet Franc”, afirma o enólogo.

A safra 2018

A safra 2018 é uma das grandes safras na história do vinho Don Melchor, na qual a vindima transcorreu em condições praticamente ideais. A primeira parte da temporada se desenvolveu com boa quantidade e concentração de precipitação, acumulando 338,2 mm entre os meses de maio e outubro de 2017. O período posterior foi mais seco, atingindo um total acumulado de 343,8 mm no final da vindima, em abril de 2018. Isto permitiu aos solos manter uma reserva hídrica muito boa, favorecendo o bom crescimento dos brotos.

Na primavera, a partir do mês de novembro, a temperatura subiu significativamente, permitindo no final de janeiro e princípio de fevereiro, que os cachos se desenvolvessem rapidamente e de maneira mais concentrada, antecipando uma boa homogeneidade no seu amadurecimento. Posteriormente, na segunda metade do período de amadurecimento, as baixas temperaturas noturnas em março e abril ajudaram a atingir um ótimo amadurecimento na época da colheita, conservando toda a expressão de fruta e uma excelente maturação dos taninos.

A colheita decorreu principalmente no mês de abril, terminando na primeira semana de maio, com praticamente ausência de precipitação, temperaturas quentes durante o dia, mas noites bastante frias, condições ideais para a colheita e que permitiram acompanhar muito de perto cada lote do vinhedo e colher a uva em seu momento exato. Don Melchor 2018 possui o caráter único dos grandes vinhos e das grandes safras. É composto por 91% Cabernet Sauvignon, 5% Cabernet Franc, 3% Merlot, 1% Petit Verdot e passou 15 meses em barris de carvalho francês, sendo 67% de primeiro uso e 33% de segundo uso.

Don Melchor 2018 é um vinho que ressalta a expressão da fruta e a qualidade das texturas obtidas no vinhedo de Don Melchor – apresenta este caráter único de vinhos e safras grandiosas. É composto por 91% Cabernet Sauvignon, 5% Cabernet Franc, 3% Merlot, 1% Petit Verdot e envelheceu durante 15 meses em barris de carvalho francês, dos quais 67% eram de

O Terroir

O Vale do Maipo constitui a região vitivinícola de maior prestígio do Chile e é neste lugar onde, precisamente, está localizado o vinhedo Don Melchor. Localizado aos pés da Cordilheira dos Andes, na ribeira norte do Rio Maipo – a 650 metros acima do nível do mar – o vinhedo Don Melchor desempenhou um importante papel na história moderna do vinho chileno. Situado em uma das zonas mais frias dentro do Vale do Alto Maipo, marcada por um clima mediterrâneo semiárido, com uma temperatura média anual de 14,4 °C e uma pluviometria média de 350 mm., o vinhedo está plantado com variedades francesas pré-filoxera que foram importadas da França em meados do século XIX.

Uma das qualidades mais importantes do vinhedo corresponde às características de seu solo: pobre em nutrientes e de uma constituição diversa, está composto por argila, limo, areia, cascalho e pedras arredondadas produto da erosão milenar causada pelas geleiras que avançaram desde as montanhas em direção ao vale, arrastando material que logo deu origem aos terraços. Estes solos garantem uma boa drenagem e uma baixa fertilidade, o que ocasiona uma restrição no crescimento vegetativo das plantas, favorecendo a concentração e o amadurecimento natural dos cachos.

A majestosa Cordilheira dos Andes constitui outro elemento crucial neste extraordinário terroir. Devido à influência fria, que se manifesta na forma de brisas frescas e de uma grande amplitude térmica entre o dia e a noite durante o período de amadurecimento, a maturação ocorre de forma lenta e homogênea junto com a conservação de uma acidez precisa, fruta vermelha fresca e uma maior concentração de cor, aromas e sabores nos cachos.

O vinhedo está formado por 127 hectares, dos quais 90 % correspondem a Cabernet Sauvignon, 7,1 % a Cabernet Franc, 1,9 % a Merlot e 1 % a Petit Verdot.

O Vinho

A cada ano, o enólogo Enrique Tirado percorre o vinhedo, provando fileira por fileira e checando a maturação dos cachos para definir o momento exato no qual a uva deve ser colhida. A vindima de Don Melchor é determinada após a degustação e a realização de análises específicas na uva. As frutas são colhidas manualmente, entre meados de abril e princípio de maio e apenas aquelas bagas de uva maduras, intactas e saudáveis são selecionadas para a fermentação em tanques de aço inoxidável.

Cada seção homogênea é vinificada separadamente, com especial cuidado com a temperatura e as remontagens de cada tanque. A cor e os taninos são extraídos do bagaço e das sementes da uva através de uma delicada maceração. Após a fermentação, o bagaço juntamente com as sementes é prensado para preservar a máxima qualidade dos taninos da uva. Uma nova safra de Don Melchor nasce quando é definida a proporção dos distintos Cabernet Sauvignon, provenientes dos diversos lotes do vinhedo, que formarão o blend final, podendo chegar a representar 60 a 70% do vinho total.

Alguns anos, pequenas porcentagens de Cabernet Franc, Merlot e Petit Verdot são adicionadas para entregar complexidade e elegância ao blend final. Assim, todos os anos no povoado de Lamarque, Bordeaux, na França, o enólogo Enrique Tirado se reúne com Eric Boissenot – filho do renomado consultor bordalês Jacques Boissenot – para degustar em torno de 150 lotes do vinhedo, selecionando apenas aqueles que, na proporção exata, definirão uma nova safra de Don Melchor.

Uma vez definida a mescla, a nova safra de Don Melchor é transferida para barris de carvalho francês dos bosques de Allier, Tronçais e Nevers. Cerca de dois terços dos barris são novos e o terço restante já foi usado anteriormente. Após um período de 14 a 15 meses, o vinho é engarrafado e continua seu envelhecimento por mais um ano, desenvolvendo assim a complexidade e a elegância próprias de Don Melchor.

Além Mar: vinho brasileiro com ascendência lusitana

O rótulo foi desenvolvido pelo enólogo Antônio Saramago a convite da vinícola catarinense Villaggio Grando

Antônio Saramago nasceu em 1948 na Vila Nogueira de Azeitão, em Portugal. Eleito enólogo do ano em 2008 e melhor enólogo português em 2011, dedica sua vida ao vinho há mais de cinco décadas. Além dos inúmeros prêmios, é conhecido por “sua aparente simplicidade que esconde o enorme talento e correspondente conhecimento, que transfere integralmente aos vinhos que produz”, segundo a revista Wine Style.

Saramago internacionalizou sua carreira em 2009 ao aceitar o convite da vinícola Villaggio Grando para desenvolver um rótulo especial com cortes de cabernet franc, merlot e malbec, plantadas nos campos de altitude em Água Doce, Santa Catarina, onde fica um deslumbrante terroir.

As uvas são cultivadas a 1.300 metros de altitude num planalto conhecido por suas características ímpares de solo e clima, com o inverno rigoroso e estações bem definidas, próprios para o desenvolvimento de cachos de maturação lenta proporcionando colheitas tardias – apenas no mês de abril – que resultam em uvas de características únicas.

Assim nasceu o Além Mar, um tinto de coloração profunda, rubi, intenso e brilhante que traz aromas concentrados, lembrando frutos vermelhos, notas de menta e especiarias. Nota-se o casamento com o carvalho francês de 1º e 2º uso com notas tostadas, lembrando o café, caixa de charutos e termina com delicadeza lembrando floral.

“É um vinho cheio, untuoso, envolvente com uma acidez equilibrada”, diz o sommelier e diretor da Villaggio Grando, Guilherme Grando. Além Mar é encorpado com taninos firmes, mas elegantes. Com enorme complexidade de sabores, o vinho termina num “grand finale” com persistência, concentração e uma enorme vontade de beber um novo gole.

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Harmoniza perfeitamente com massas, carnes de caça, faisão, perdiz, coelho, carnes vermelhas e queijos maturados. É um vinho que pode descansar tranquilamente na garrafa por alguns anos, mas que também pode ser degustado já em 18º. Nesse caso, o uso do decanter pode ser necessário para deixá-lo respirar por 30 minutos, em média.

Informações: Villaggio Grando

Dicas e curiosidades sobre o mundo dos vinhos

Guilherme Grando, sommelier diretor da Vinícola Villaggio Grando, fala sobre algumas curiosidades que vão fazer você se apaixonar ainda mais por este universo

É cada vez maior o número de pessoas que adora tomar vinho. Mas, nem todos os apreciadores entendem este universo. Guilherme Grando, Sommelier e Diretor Comercial da Villaggio Grando, vinícola localizada na cidade de Água Doce, em Santa Catarina, esclarece algumas das principais dúvidas dos consumidores e traz algumas curiosidades e dicas que vão deixar a experiência de tomar vinho ainda mais especial e gostosa.

– Aquela bombinha para tirar o ar do vinho, depois de aberto, realmente funciona?
Sim. É uma excelente opção para quem gosta de tomar vinho todos os dias, mas que não toma a garrafa inteira. A bombinha tira o oxigênio da garrafa quase que por completo, evitando o processo de oxidação e mantendo o vinho bom pelo período de dois a três dias. É claro que a cada dia que passa a qualidade da bebida se perde, mas a bombinha ainda é a opção mais viável e barata para quem quer guardar a garrafa aberta.

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Foto: Walmart

– Depois de aberto, quanto tempo o vinho dura na geladeira?
Minha dica é não armazenar a bebida na geladeira, com exceção dos vinhos brancos. Ao gelar o vinho, você está modificando a sensação dos taninos e a acidez da bebida, por exemplo. Para os tintos, isso é bem prejudicial no paladar. A ideia é manter o vinho na adega ou em locais frescos e sem a luz do sol.

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Foto: The Spruce

– Qual a temperatura ideal para servir vinho e espumante?
Depende do corpo do vinho e do teor alcoólico, entre outras características. De forma genérica, os brancos e espumantes devem ser resfriados na geladeira e os tintos precisam estar entre 16 e 18 graus. Mas lembre-se de não deixar os espumantes e brancos tão gelados para não se perder aromas e sabores que só sentimos quando estão em temperatura acima dos 6º C.

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– Para que serve um decanter?
Na teoria, a função é decantar os vinhos mais velhos ou sem filtração, para favorecer a deposição de sedimentos , e separá-los no líquido. No entanto, ele costuma ser utilizado para arejar os vinhos, fazendo com que se abram os aromas e sabores, provocando uma rápida oxidação em contato com o ar. Isso faz com que o vinho mostre de forma mais rápida algumas características que só seriam possíveis com o passar do tempo. Mas é importante saber que não é a mesma coisa do que deixar a garrafa envelhecer na adega.

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– Qual é a função do corta-gotas?
Essa foi um ótima invenção para não sujar toalhas e roupas! O corta gotas proporciona um melhor fluxo do líquido e impede que ele pingue ao final de cada taça servida. É um objeto muito funcional.

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– Por que manter o vinho deitado e o espumante em pé?
Ambos devem ficar deitados. A rolha precisa estar sempre em contato com o líquido para não fique ressecada e, assim, evita a entrada de ar, a oxidação do produto e até mesmo o vazamento da bebida.

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– O que é terroir?
É a junção de todas as características de clima e geografia que fazem de uma região propícia ou não para o cultivo de determinados produtos agrícolas, como a uva, por exemplo.

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– Espumantes têm prazo de guarda? Ou devo comprar sempre a safra mais atual?
Depende do processo no qual foi produzido. A maioria dos espumantes é feita para consumo rápido. No entanto, alguns são feitos pelo método “champenoise”, podendo evoluir e melhorar muito ao longo dos anos. É sempre bom ler os rótulos.

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– Para guardar vinhos, é preciso ter uma adega em casa? Quais as condições mínimas?
Uma adega é a condição ideal de umidade e calor para armazenar vinhos. Mas, se você não tiver uma adega, não se preocupe. Procure um local fresco e sem luz do sol. Lembre-se que a principal condição é não ter variações grandes de temperatura, como é o caso das cozinhas, por exemplo.

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– Como saber se as “bolhinhas” do espumante são CO2 ou provenientes de um processo natural?
Quando as leveduras se alimentam do açúcar natural da uva, elas são transformadas em álcool, calor e gás carbônico. É esse gás que chamamos de “perlage” ou “borbulha” dos espumantes. Geralmente, quando estamos apreciando um espumante bem elaborado, sua perlage é fina, intensa e contínua, diferente de uma borbulha larga de gás injetado, como em refrigerantes, por exemplo.

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– A adição de gás carbônico ou de açúcar pode fazer mal à saúde?
Estes processos tiram a naturalidade do produto e comprometem a qualidade final da bebida.

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– O que muda entre frisante, asti, espumante e champanhe?
O frisante é um vinho com certa quantidade de gás, muita vezes injetado. O asti é, na realidade, um processo em que se fermenta em autoclave o mosto, produzindo em único processo o vinho espumante. Já o espumante é quando fazemos primeiramente o vinho base e, depois, a espumatização, que pode ser feita em autoclave (método charmat) ou na garrafa (método champenoise ou tradicional). Já o champanhe é o termo que usamos para os espumantes feitos em método champenoise dentro da região demarcada de Champagne, na França, com as uvas chardonnay, pinot noir e pinot meunier.

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– Qual a diferença entre icewine e late harvest?
O icewine é produzido a partir de uvas congeladas pela neve em temperatura e condições climáticas predeterminadas. Apenas congelar as uvas para depois vinificá-las não faz de um vinho um icewine. As duas regiões mais famosas por essa bebida são Alemanha e Canadá. Já o Late Harvest, ou Colheita Tardia, pode ser feito sob vários métodos e em diferentes regiões propícias. Sua principal característica é que é feito com uvas deixadas nos vinhedos para supermaturação. São uvas colhidas geralmente em processo de pacificação, concentrando assim sua doçura, corpo e aromas.

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– É verdade que os brancos não são vinhos de guarda?
Geralmente sim. A maioria das regiões do mundo não consegue produzir vinhos brancos com características que o permitam evoluir. Porém, indo contra, nossa vinícola tem exemplares com 10 anos de idade que estão melhores a cada ano. Isso se explica pois estamos localizados em uma das poucas regiões onde os brancos são de extrema guarda. Aliás, estes são nossos melhores vinhos.

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– Por que a altitude é boa para os vinhos?
É ela que determina e cria as condições climáticas que favorecem o cultivo. Os fatores que fazem do local um grande e potencial terroir para uvas, são a amplitude térmica, os invernos rigorosos e os verões quentes, sem chuva em épocas de colheita.

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– O que faz com que uma safra seja boa?
Precisamos de invernos rigorosos, verões quentes e secos e chuvas fora da época de maturação. A safra precisa de um ciclo de estações bem definidas e quase perfeitas.

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– O que é melhor: rolha ou screwcap?
Dizem que o enólog0 avalia seu vinho pela rolha. Se não se economiza na rolha é porque o vinho merece. A rolha de cortiça permite a evolução e microoxigeranação para que o vinho possa melhorar com o tempo. Já o screwcap deixa o vinho totalmente vedado. No que se refere à vedação, o segundo é melhor. Mesmo assim, ainda preferimos a rolha, sem dúvidas.

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Fonte: Villaggio Grando

“Projeto Tenha seu Vinho” permite que consumidor crie sua própria bebida

Os apaixonados por vinho certamente já pensaram na possibilidade de fazer o seu próprio rótulo, começando pela escolha das uvas, da garrafa, o nome e até mesmo o layout da embalagem. Para atender essa demanda, cada vez maior, a vinícola catarinense Villaggio Grando – localizada na pequena cidade de Água Doce – apresenta o projeto Tenha seu Vinho.

A ideia, segundo o diretor comercial Guilherme Grando, é que o cliente possa produzir o seu próprio vinho, escolhendo detalhes como a variedade da uva, a classe e o teor de açúcar que a bebida vai ter, por exemplo. “Todo o projeto é supervisionado pelos nossos profissionais, garantindo qualidade e um resultado perfeito à criação. O cliente terá a liberdade de optar pelas uvas que deseja ter no vinho, podendo ser um corte/assemblage ou um varietal, além de escolher também o tempo de estágio em barricas”, comenta Guilherme, que também é sommelier.

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Cada barrica produzida rende aproximadamente 225 litros de vinho, o que corresponde a cerca de 290 garrafas. “É um projeto muito procurado por famílias, grupos de amigos e confrarias”.

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O Terroir

O Terroir está localizado na região de Herciliópolis, nos campos de altitude de Santa Catarina em um planalto de características ímpares de solo e clima, próprios para o desenvolvimento de vinhedos que resultam em uvas de características únicas. Os locais para implantação são escolhidos a partir de inúmeras pesquisas que englobam: ventos, localização, solo, altitude, umidade e, principalmente, adaptação e qualidade da planta e da uva. A propriedade vive uma incessante construção visando caprichos que vêm estabelecer uma perfeita harmonia entre a natureza e a busca humana pela beleza.

Informações: Villaggio Grando