Você sabe o que é DMRI?

Degeneração Macular Relacionada à Idade acomete a região central da retina é e considerada a principal causa de cegueira na terceira idade

Ter a sensação de que a escrita está borrada, perceber áreas sem visão dentro do campo de visão (escotomas), visualizar as linhas retas da paisagem – como laterais de construções e postes – tortas, são sinais que podem indicar a DMRI (Degeneração Macular Relacionada à Idade), doença que compromete a região central da retina (mácula) e é considerada a principal causa de cegueira na terceira idade.

A oftalmologista Keila Monteiro de Carvalho, Professora Titular de Oftalmologia da Unicamp, explica que a lesão se localiza na parte central da retina, fazendo com que as pessoas tenham que “olhar de lado” para enxergar. “Como grande parte da visão central é perdida, quem possui DMRI considera difícil realizar atividades diárias que exigem nitidez de visão, como ler, costurar e dirigir”, diz a especialista.

A seguir, Keila esclarece as principais dúvidas sobre a doença, sua prevenção e tratamento:

A partir de qual idade a DMRI se manifesta na pessoa?


Os primeiros sintomas costumam surgir após os 55 anos de idade, e sua prevalência avança com o aumento da idade.

Quais os principais sintomas da doença?


A pessoa pode começar a perceber um ponto escuro ou vazio no local de foco da visão; podem surgir áreas de escotomas (áreas sem visão dentro do campo de visão), ou espaços escuros e vazios que bloqueiam o campo de visão. Linhas verticais que se mostram distorcidas e linhas retas na paisagem, como os lados dos edifícios ou postes, que parecem tortas, e escrita parecendo borrada, oferecendo mais dificuldade no seguimento da leitura, são outros indícios do problema.

Quais são as formas de manifestação da DMRI?

AARP

A DMRI se classifica em dois tipos: a degeneração atrófica (seca) e a degeneração exsudativa (úmida). Na maior parte dos casos, o paciente apresenta a DMRI seca. Nela, a perda da visão é lenta e progressiva. Os pontos escuros e vazios no campo de visão são relativos e depois se tornam absolutos. A visão é mais estável e com menos deformação das imagens. A acuidade visual para letras separadas é melhor, mas torna-se pobre para leitura que exige seguimento visual. Para tanto é preciso muito treinamento visual e uso de letras ampliadas, mesmo com auxílio ópticos. Já a DMRI úmida é mais grave e atinge cerca de 15% dos pacientes. Ela se caracteriza pela presença de neovasos subretinianos que sangram, levando a uma perda da visão súbita, piorando após a absorção e cicatrização.

Como prevenir a DMRI?

Ivabalk/Pixabay

Manter o equilíbrio da saúde é fundamental. Uma alimentação equilibrada colabora para a saúde ocular como um todo. Deve-se consumir alimentos ricos em vitamina C (frutas cítricas, espinafre, rúcula, agrião tomate e pimentão), vitamina E (abacate, kiwi, castanhas, vegetais de folhas verdes e óleos vegetais, como oliva e girassol), betacarotenos (laranja, manga, pimentão amarelo, milho, brócolis, espinafre e ovos), ômega 3 (sardinha, salmão, nozes, semente de linhaça e kiwi), zinco (ostras, camarão, carnes boi, frango e peixe e grãos integrais) e luteína (laranja, tangerina, couve, espinafre, brócolis e milho). Por outro lado, o consumo de alimentos gordurosos deve ser evitado. O uso de óculos escuros sempre que se expor ao sol também é recomendado.

Como se trata a DMRI?


Como se trata de uma doença degenerativa, não há cura. Porém um pequeno número de pessoas com DMRI úmida, felizmente, pode receber tratamento a laser. Nesta terapia, o feixe de luz intensa passa através das lentes do olho, coagulando os vasos sanguíneos sangrantes no fundo dos olhos. Também pode ser utilizada a aplicação de injeções intraoculares de anti-VEGF (terapia com fator de crescimento endotelial antivascular). Muitas vezes são necessárias três ou mais injeções, sendo uma a cada mês, conforme a evolução do caso. Além disso, o uso de suplementos vitamínicos específicos também contribui favoravelmente no tratamento.

Também há indicação cirúrgica para a doença?


Pode ocorrer a necessidade de cirurgia chamada vitrectomia, nos casos em que ocorre o sangramento extenso para o vítreo (gelatina que preenche os olhos). Outras técnicas cirúrgicas são indicadas para a reabilitação visual, como a implantação de telescópio intraocular, que é feito em casos selecionados. Neste caso, a pessoa vai ficar com visão para longe no olho que recebe o telescópio, enquanto o outro será usado para perto.

Fonte: Keila Monteiro de Carvalho é médica oftalmologista, Professora Titular de Oftalmologia da Unicamp.

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